domingo, 16 de agosto de 2026

Era Uma Vez na América

Título no Brasil: Era Uma Vez na América
Título Original: Once Upon a Time in America
Ano de Lançamento: 1984
País: Estados Unidos e Itália
Direção: Sergio Leone
Roteiro: Sergio Leone, Leonardo Benvenuti, Piero De Bernardi, Enrico Medioli, Franco Arcalli e Franco Ferrini, baseado no romance The Hoods, de Harry Grey
Produção: The Ladd Company, Embassy International Pictures e Rafran Cinematografica
Elenco: Robert De Niro, James Woods, Elizabeth McGovern, Joe Pesci, Tuesday Weld, Treat Williams, James Russo, Burt Young e William Forsythe.

Sinopse:
Era Uma Vez na América acompanha David "Noodles" Aaronson, um jovem judeu que cresce no Lower East Side de Nova York durante o início do século XX e entra progressivamente no mundo do crime organizado. Ao lado de Max Bercovicz e de outros amigos de infância, Noodles constrói uma pequena quadrilha que começa praticando furtos e contrabando antes de se transformar em uma poderosa organização criminosa. A narrativa percorre diferentes períodos da vida do protagonista, mostrando sua juventude, a época da Lei Seca e seu retorno a Nova York décadas mais tarde. A amizade entre Noodles e Max constitui o centro emocional da história: enquanto Noodles é mais cauteloso e marcado por sentimentos de culpa, Max demonstra uma ambição cada vez maior e deseja transformar o grupo em uma organização criminosa de alcance nacional. Paralelamente, Noodles mantém uma relação complexa com Deborah, uma jovem que conhece desde a infância e por quem desenvolve uma paixão que atravessa décadas. O filme mistura memória, violência, amor, amizade, traição e nostalgia, construindo um retrato épico da ascensão e queda de uma geração de gângsteres americanos.

Comentários:
Quando chegou aos cinemas em 1984, Era Uma Vez na América foi apresentado como o grande projeto de despedida de Sergio Leone, diretor que havia revolucionado o western com sua chamada "Trilogia dos Dólares" e posteriormente realizado Era Uma Vez no Oeste. A crítica americana ficou profundamente dividida, em grande parte porque a versão lançada nos Estados Unidos foi drasticamente reduzida em relação à concepção original de Leone. O The New York Times, em crítica de Vincent Canby, reconheceu a impressionante escala visual do filme e o talento de Robert De Niro, mas considerou a narrativa excessivamente longa e difícil de acompanhar. A revista Variety foi mais favorável, elogiando a fotografia, os cenários e a ambição cinematográfica de Leone, embora também apontasse problemas de ritmo. O Los Angeles Times destacou a atmosfera de sonho e memória presente na narrativa e chamou atenção para a extraordinária recriação da Nova York das primeiras décadas do século XX. Robert De Niro recebeu elogios por interpretar Noodles em diferentes fases de sua vida, enquanto James Woods foi considerado um contraponto perfeito como Max. A trilha sonora de Ennio Morricone também foi amplamente celebrada, sendo considerada fundamental para criar a atmosfera melancólica do filme. Apesar da divisão crítica, muitos jornalistas reconheceram que estavam diante de uma obra extraordinariamente ambiciosa, muito diferente dos tradicionais filmes de gângster produzidos por Hollywood.

Com o passar dos anos, a reputação de Era Uma Vez na América cresceu de maneira extraordinária. A versão restaurada e mais próxima da montagem pretendida por Sergio Leone permitiu que críticos e espectadores reavaliassem profundamente o filme. Hoje, publicações como The New Yorker, Empire e Sight & Sound frequentemente o incluem entre os grandes épicos cinematográficos do século XX. A narrativa passou a ser admirada justamente por sua estrutura fragmentada, que mistura passado, presente, memória e fantasia para representar a maneira como Noodles recorda sua própria vida. O filme também ganhou força como uma reflexão sobre a passagem do tempo: os personagens envelhecem, os bairros mudam, os antigos amigos desaparecem e o mundo que construíram deixa de existir. Robert De Niro é atualmente considerado um dos grandes destaques de sua carreira, especialmente pela capacidade de transmitir o peso psicológico de Noodles sem recorrer a excessos. A direção de Leone, a fotografia de Tonino Delli Colli e a música de Morricone são igualmente reconhecidas como elementos essenciais de sua grandeza. Embora tenha sido recebido com incompreensão e tenha fracassado comercialmente em seu lançamento americano, Era Uma Vez na América transformou-se posteriormente em um clássico absoluto do cinema mundial. Hoje é frequentemente colocado ao lado de O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros entre os maiores filmes de gângster já realizados, sendo considerado o monumental testamento cinematográfico de Sergio Leone.

Erick Steve. 

O Rei da Comédia

Título no Brasil: O Rei da Comédia
Título Original: The King of Comedy
Ano de Lançamento: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Paul D. Zimmerman
Elenco: Robert De Niro, Jerry Lewis, Sandra Bernhard, Diahnne Abbott, Shelley Hack, Ed Herlihy, Chuck Low e Tony Randall.

Sinopse:
Rupert Pupkin é um aspirante a comediante que vive obcecado pela ideia de alcançar o sucesso na televisão. Convencido de que possui um talento extraordinário, Rupert acredita que basta conseguir uma oportunidade para se transformar em uma grande estrela. Seu principal objetivo é participar do popular programa apresentado pelo famoso comediante Jerry Langford, interpretado por Jerry Lewis. Depois de conseguir um breve encontro com seu ídolo, Rupert interpreta a cordialidade de Langford como uma promessa de que será convidado para o programa. Quando percebe que isso não acontecerá espontaneamente, passa a perseguir o apresentador de maneira cada vez mais insistente. Com a ajuda de Masha, uma admiradora igualmente obsessiva de Langford, Rupert acaba planejando o sequestro do apresentador para obrigá-lo a lhe conceder alguns minutos de televisão. A partir daí, o filme mergulha na mente perturbada de um homem incapaz de distinguir fantasia de realidade, transformando sua obsessão pela fama em uma sátira sombria sobre celebridade, televisão e o desejo desesperado de ser reconhecido.

Comentários:
Quando O Rei da Comédia chegou aos cinemas em 1982, a reação da crítica americana foi bastante dividida. O The New York Times, em crítica de Vincent Canby, reconheceu a inteligência da produção e o talento de Martin Scorsese, mas observou que o filme deliberadamente colocava o espectador em uma posição desconfortável diante de Rupert Pupkin. A revista Variety destacou a interpretação de Robert De Niro e considerou o personagem uma das criações mais perturbadoras do ator, justamente porque Rupert não se comporta como um vilão tradicional. A revista Time também chamou atenção para a sátira da cultura da celebridade e para a maneira como Scorsese desmontava a fantasia do "sonho americano" de sucesso. O filme, entretanto, não agradou a todos. Alguns críticos consideraram Rupert excessivamente desagradável e a narrativa fria demais, especialmente quando comparada aos dramas mais violentos e emocionalmente intensos que Scorsese havia dirigido anteriormente. A participação de Jerry Lewis foi considerada um dos grandes acertos, pois o lendário comediante interpreta uma versão ficcional de si mesmo que funciona simultaneamente como celebridade admirada e vítima da obsessão de Rupert. Sandra Bernhard, em sua estreia cinematográfica, também chamou atenção como Masha, uma personagem cuja obsessão por Langford espelha e amplia a própria loucura do protagonista.

Apesar da recepção inicialmente irregular e de seu desempenho comercial modesto, O Rei da Comédia passou por uma extraordinária reavaliação crítica ao longo das décadas. Atualmente, é frequentemente considerado um dos filmes mais subestimados de Martin Scorsese e uma das interpretações mais corajosas da carreira de Robert De Niro. Críticos posteriores passaram a perceber que a história de Rupert Pupkin antecipava fenômenos que se tornariam ainda mais comuns na cultura contemporânea: pessoas dispostas a fazer qualquer coisa para conquistar fama, transformar a própria vida em espetáculo e confundir atenção pública com reconhecimento pessoal. A revista Entertainment Weekly e outras publicações americanas passaram a destacar a impressionante atualidade da sátira, especialmente depois da explosão dos reality shows e das redes sociais. O Los Angeles Times também observou em retrospectivas que o filme ganhou força justamente porque a cultura da celebridade se tornou ainda mais agressiva desde 1982. A atuação de De Niro é hoje considerada fundamental para compreender o personagem: Rupert não acredita ser um fracassado; ele acredita sinceramente que já é uma estrela e que o mundo simplesmente ainda não percebeu isso. Essa característica torna o filme simultaneamente engraçado, perturbador e profundamente triste. Hoje, O Rei da Comédia é reconhecido como um clássico do cinema americano dos anos 1980 e como uma das obras mais visionárias de Scorsese sobre fama, televisão, narcisismo e a necessidade humana de ser visto.

Erick Steve. 

Confissões Verdadeiras

Título no Brasil: Confissões Verdadeiras
Título Original: True Confessions
Ano de Lançamento: 1981
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Ulu Grosbard
Roteiro: John Gregory Dunne e Joan Didion, baseado no romance de John Gregory Dunne
Elenco: Robert De Niro, Robert Duvall, Rose Gregorio, Cyril Cusack, Ed Flanders, Burgess Meredith, Kenneth McMillan e Jeanette Nolan.

Sinopse:
Ambientado em Los Angeles no final dos anos 1940, True Confessions acompanha dois irmãos que escolheram caminhos completamente diferentes na vida. Desmond Spellacy, interpretado por Robert De Niro, é um ambicioso monsenhor da Igreja Católica que exerce enorme influência sobre a comunidade e mantém relações próximas com políticos e empresários. Seu irmão, Tom Spellacy, vivido por Robert Duvall, é um detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles, conhecido por sua personalidade austera e seu senso de justiça. A história começa com a investigação do assassinato brutal de uma jovem prostituta, cujo corpo é encontrado em circunstâncias extremamente violentas. À medida que Tom aprofunda suas investigações, percebe que o crime pode estar relacionado a interesses políticos, corrupção policial e às atividades de pessoas ligadas à Igreja. Paralelamente, Desmond tenta proteger a reputação da arquidiocese e seus próprios projetos de expansão. O caso acaba colocando os irmãos em lados diferentes de uma sociedade marcada por corrupção, ambição e hipocrisia.

Comentários:
True Confessions recebeu uma reação bastante respeitosa da crítica americana quando chegou aos cinemas em setembro de 1981, principalmente por causa das atuações de Robert De Niro e Robert Duvall. O The New York Times, em crítica de Vincent Canby, destacou a atmosfera sombria do filme e a complexidade da relação entre os dois irmãos, embora tenha considerado o roteiro excessivamente carregado de personagens e subtramas. A revista Variety foi mais entusiasmada com o trabalho do elenco, apontando De Niro e Duvall como o principal motivo para acompanhar a produção. A atuação de Duvall foi especialmente elogiada por transmitir a frustração e o cansaço de um policial que percebe que a justiça não funciona de maneira igual para todos. De Niro, por sua vez, apresentou uma interpretação deliberadamente contida, evitando transformar o monsenhor Desmond em um vilão convencional. A revista Time também chamou atenção para a maneira como o filme retrata a Igreja, a polícia e as elites econômicas de Los Angeles, observando que a narrativa funciona melhor como estudo de caráter do que como simples investigação policial. A direção de Ulu Grosbard recebeu elogios pela atmosfera realista e pela recusa em transformar o material em um thriller convencional.

O aspecto mais valorizado atualmente em True Confessions é justamente a relação entre os dois protagonistas. O filme não apresenta Tom e Desmond simplesmente como representantes da polícia e da Igreja, mas como irmãos que desenvolveram códigos morais completamente diferentes. Tom acredita que deve descobrir a verdade, enquanto Desmond acredita que determinadas verdades precisam ser escondidas para preservar instituições maiores. Essa tensão confere ao filme uma atmosfera melancólica e adulta, bastante característica de determinados dramas americanos do início dos anos 1980. O Los Angeles Times destacou a recriação da Los Angeles do pós-guerra e a fotografia de Owen Roizman, que utiliza ambientes escuros e uma paleta visual sombria para reforçar o sentimento de decadência moral. Com o passar dos anos, o filme passou a ser considerado uma obra subestimada das filmografias de De Niro e Duvall. Embora não possua a mesma popularidade de Taxi Driver, Touro Indomável, O Poderoso Chefão ou Apocalypse Now, é frequentemente lembrado por estudiosos do cinema americano como um excelente exemplo do drama policial adulto produzido em Hollywood naquele período. A força das duas interpretações principais e o retrato de uma Los Angeles dominada por interesses políticos, religiosos e econômicos fazem de True Confessions uma produção particularmente interessante para quem aprecia filmes policiais mais lentos, sombrios e voltados para personagens complexos.

Erick Steve. 

sábado, 8 de agosto de 2026

Scarface

Scarface
Al Pacino é um dos grandes atores do século. Disso tenho certeza poucas pessoas ainda tem dúvidas. Recentemente assisti um filme dele que me deixou bastante desapontado. Intitulado 88 minutos, o filme é um completo equívoco. Roteiro fraco, situações clichês e o pior: um Pacino atuando no piloto automático. Muito longe dos seus dias de glória quando apresentava atuações tão brilhantes que salvavam até mesmo filmes medianos ou com certos problemas de script e argumento. Um desses filmes que foram salvos completamente pelo talento de Pacino foi o (agora) clássico "Scarface", dirigido por Brian De Palma. Uma refilmagem atualizada de "Scarface, a Vergonha de uma Nação", filmado na década de 30 e que acabou sendo o grande precursor dos chamados filmes de Gangsters. Nessa nova versão o então roteirista Oliver Stone mudou completamente o foco do filme, tirando o cenário de uma Chicago empoeirada dos anos de ouro de Capone para uma Flórida ensolarada, atual e cheia de imigrantes provenientes de Cuba.

Entre esses cubanos que saíram da ilha de Fidel Castro está justamente Tony Montana, o personagem de Pacino. Com ficha criminal ele é praticamente banido pelo governo cubano para ir como refugiado aos EUA. Obviamente uma estratégia dos comunistas para expulsar a escória da sociedade cubana, visando justamente transferir o problema para os "irmãos" ianques. Como todo imigrante que chega na América seu grande sonho é aproveitar as oportunidades que a sociedade capitalista lhe oferece para subir na vida rapidamente. Porém como um cubano sem instrução formal e sem formação profissional tudo o que lhe resta é tentar subir no escalão das organizações criminosas, participando do submundo do tráfico de drogas.

Scarface não envelheceu muito. Seu roteiro é bem escrito e com situações bem armadas. Tem boa produção e conta com a sempre inspirada direção de Brian De Palma, aqui prestes a entrar na melhor fase de sua carreira, que iria se prolongar por toda a década de 80 e que culminaria na obra prima "Os Intocáveis", seguramente um dos melhores filmes sobre a era dos grandes gangsters já realizados. No elenco duas presenças de peso: Al Pacino e Michele Pfeiffer. Ele, ainda está esbanjando juventude, recém saído de uma década brilhante de sucessos nos anos 70 e prestes a afundar na pior fase de sua carreira, com o super fracasso "Revolução" e ela, mais bela do que nunca, esbanjando charme e sofisticação.

Embora seja excessivamente longo, pois a estória poderia muito bem ser contada em duas horas, o filme resistiu bem ao tempo e deixou várias referências aos filmes que viriam. Basta assistir "Cassino", por exemplo, de Scorsese para verificar como "Scarface" fez escola (A personagem de Sharon Stone em Cassino é praticamente a mesma de Pfeiffer em Scarface, só mudando levemente de enfoque). Embora para muitos o final de "Scarface" soe hoje demasiadamente exagerado e kitsch, a mais pura verdade é que tudo aquilo que acontece condiz certamente com a personalidade e a trajetória do personagem de Tony. Quem viveu de excessos só poderia encontrar seu final daquela forma. Em suma, se por acaso você gosta do gênero ao estilo "Os Bons Companheiros", "Cassino" ou até mesmo "Os Intocáveis", "Scarface" é mais do que bem recomendado.

Pablo Aluísio.

Autor em Família

Autor em Família
Al Pacino já estava consagrado em razão das obras primas que havia estrelado na década de 1970 quando resolveu embarcar nesse pequeno projeto. O renomado cineasta Arthur Hiller convidou Pacino para participar dessa adaptação de uma peça teatral para o cinema. Praticamente uma narrativa autobiográfica escrita pelo autor Israel Horovitz, o roteiro explorava os anseios, as lutas e angústias de um escritor de peças de teatro que precisa conciliar uma vida familiar praticamente caótica com o seu trabalho. Um dos aspectos mais interessantes é que o filme desenvolvia muito bem a questão da nova estrutura familiar que estava surgindo no começo da década de 1980. Com o aumento de divórcios surgiam famílias mescladas, com filhos de casamentos anteriores, todos convivendo juntos em uma mesma estrutura familiar.

Assim aquele que tentava uma nova vida tinha que aprender também a conviver com os filhos da nova esposa, que geralmente vinha de outro casamento acabado. Uma infinidade de padrastos e madrastas em uma realidade nova dentro da sociedade pois até pouco tempo atrás as pessoas não se divorciavam, preferindo viver em casamento infelizes e destruídos até o fim de suas vidas. Com a aprovação de leis de divórcio em várias partes do mundo (inclusive no Brasil) as pessoas foram atrás de uma nova vida, reconstruindo aquilo que não havia dado certo com outros cônjuges. A proposta seria de realizar um drama com pitadas de humor, no que acertaram em cheio pois o filme até hoje surpreende pelo bom argumento e claro por apresentar mais uma atuação inspirada do mestre Al Pacino, sempre surpreendente.

Autor em Família (Author! Author!, Estados Unidos, 1982) Direção: Arthur Hiller / Roteiro: Israel Horovitz / Elenco: Al Pacino, Dyan Cannon, Tuesday Weld, Bob Dishy, Bob Elliott / Sinopse: As dificuldades de um escritor que também precisa lidar com problemas familiares dos mais diversos. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Al Pacino).

Pablo Aluísio.

domingo, 26 de julho de 2026

Indiana Jones e a Última Cruzada

Considerado por muitos como o melhor filme da série Indiana Jones no cinema. Era para ser a última produção com o personagem, fechando uma trilogia vitoriosa mas Spielberg e Lucas inventaram de realizar um péssimo quarto filme que merece ser esquecido, “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”. Mas deixemos esse fiasco de lado. Agora vamos nos concentrar nesse belo momento de Indiana no cinema. O filme tinha várias inovações sendo a mais celebrada a presença mais do que especial de Sean Connery no elenco. O ator vinha em um momento especial na carreira, estrelando grandes sucessos comerciais, além do reconhecimento da crítica e da Academia que o premiou com o Oscar de Melhor ator coadjuvante pelo excelente “Os Intocáveis”. O convite para fazer parte da série Indiana Jones partiu no jantar de entrega do Globo de Ouro. Spielberg e Lucas compartilharam a mesma mesa que Connery e lá mesmo tiveram a feliz idéia de o tornar o pai de Jones (muito embora Sean Connery não tivesse idade para ser pai de Harrison Ford, uma vez que apenas nove anos separava um do outro).

Isso foi deixado de lado e assim Sean Connery se tornou o professor Henry Jones, pai de Indiana, que agora reencontrava o filho na busca de uma das peças arqueológicas mais cobiçadas da história, o chamado Santo Graal, o cálice usado por Jesus Cristo na última ceia. O artefato estava há muitos séculos desaparecido, sendo a última citação de sua existência escrita como parte da história dos lendários cavaleiros templários, que dominaram Jerusalém durante as cruzadas. Rezava a lenda que aquele que tomasse do cálice ganharia a vida eterna. Como se sabe a mitologia em torno do Graal, das cruzadas e dos cavaleiros templários é extremamente rica o que trouxe um material fantástico para Lucas e os demais roteiristas que de fato fizeram um excelente trabalho. Pontuando tudo ainda havia o complicado relacionamento entre pai e filho (que rendeu ótimas e divertidas cenas). De quebra o filme ainda trazia uma ótima seqüência com o jovem Indiana Jones (interpretado pelo saudoso astro River Phoenix). Revisto hoje em dia o filme não envelheceu, continua tão charmoso como na época de seu lançamento e mostra que aventuras bem escritas resistem muito bem ao tempo, tal como o próprio Santo Graal.

Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, Estados Unidos, 1989) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Jeffrey Boam, George Lucas / Elenco:  Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliott, River Phoenix / Sinopse: Indiana Jones (Harrison Ford) e seu pai Henry Jones (Sean Connery) partem em busca do chamado Santo Graal, o mitológico cálice sagrado que teria sido usado por Jesus Cristo na última ceia.

Pablo Aluísio.

Contos Assombrosos

Título no Brasil: Contos Assombrosos
Título Original: Amazing Stories
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Amblin Entertainment, Universal Television
Direção: Steven Spielberg, Joshua Brand, John Falsey
Roteiro: Joshua Brand, John Falsey
Elenco: Kevin Costner, Charles Durning, Dom DeLuise, Christopher Lloyd
  
Sinopse:
Fita com três episódios da série "Amazing Stories" entre elas "Pilot" onde Kevin Costner interpretava um piloto da Segunda Guerra Mundial e "Professor B.O. Beanes" onde o ator Christopher Lloyd interpretava um professor sádico que literalmente perdia sua cabeça. Por fim em "The Mummy" um dublê de filmes de terror passava por apuros ao ter que sair rapidamente do set de filmagens para encontrar sua esposa no hospital onde ela estava tendo seu filho. Muita diversão e humor com a marca registrada de Steven Spielberg, em seu auge na carreira.

Comentários:
Vamos voltar um pouquinho aos anos 80? Naquela década não existia internet, nem TV a cabo e nem muito menos o mundo digital que conhecemos hoje em dia. A maioria das séries americanas não passavam na TV aberta brasileira (que era a única que existia). Por isso algumas fitas VHS (lembra delas?) chegavam ao nosso mercado com episódios dessas mesmas séries. Uma delas era especialmente interessante porque era produzida pelo genial Steven Spielberg. Assim por volta de 1986 o selo CIC começou a lançar episódios de "Amazing Stories" com o título de "Contos Assombrosos". Na primeira fita tínhamos 3 deles. No primeiro o astro Kevin Costner interpretava um piloto da força aérea americana que se via numa situação absurda: o trem de pouso de seu avião era destruído pelos inimigos! Sem ter como pousar ele acaba sendo abençoado por uma solução mágica! (só vendo para crer). Outro episódio trazia Christopher Lloyd (o cientista maluco de "De Volta Para O Futuro") em outro conto com muito realismo (nem tanto) fantástico! Eram tempos muito complicados para quem era fã da sétima arte, porém havia também muita alegria em chegar numa locadora e alugar uma série americana que quase ninguém tinha visto. Bons tempos aqueles...

Pablo Aluísio.