sábado, 7 de novembro de 2026

Vítimas de Uma Paixão

Vítimas de Uma Paixão 
Uma série de mortes ligadas a anúncios pessoais em jornais acaba levando o policial Frank Keller (Al Pacino) a uma suspeita muito bonita e sensual, Helen (Ellen Barkin). Não demora muito para o policial se apaixonar por ela. Resolvi rever recentemente "Sea of Love". Fazia tanto tempo que tinha assistido pela última vez que resolvi recordar esse verdadeiro revival da carreira do mito Pacino. O ator aqui está em seu habitat natural interpretando um tira com problemas pessoais (um casamento destruído justamente por um colega de trabalho e um indisfarçável problema com bebidas). Esse tipo de caracterização sempre fica ótima na pele do Al. Ele, como grande ator que é, sabe como poucos fazer esse tipo (muito provavelmente porque cresceu ao redor de tiras assim em Nova Iorque, caras que viviam no limite). Ao seu lado ainda temos o simpático comediante bonachão John Godman, ainda ganhando destaque dentro do cinema na época. A produção na época foi encarada como um retorno de Pacino aos filmes comerciais. Ele havia de certa forma se queimado com o fracasso monumental do filme "Revolução" mas aos poucos foi retomando o rumo do sucesso.

Por fim como seu interesse romântico temos em cena a atriz Ellen Barkin, muito charmosa e sensual, aqui esbanjando no visual exagerado tipicamente 80´s (com muito laquê no cabelo e maquiagem pesada). O filme não chega aos pés de outros clássicos policiais da carreira de Al Pacino como o sempre lembrado "Serpico" mas consegue manter o interesse e o suspense durante toda a sua duração. A trilha sonora e os momentos calientes ajudam muito nesse aspecto. Pena que o diretor Harold Becker não tenha feito nada de muito relevante depois desse filme. Digno de nota mesmo apenas sua outra bem sucedida parceria ao lado de Pacino em "City Hall". Muito pouco para quem prometia tanto. De qualquer modo assista "Sea of Love" caso não tenha visto ainda, certamente você não vai se arrepender.

Vítimas de Uma Paixão (Sea Of Love, Estados Unidos, 1989) Direção: Harold Becker / Roteiro: Richard Price / Elenco: Al Pacino, Ellen Barkin, John Goodman, Michael Rooker, Richard Jekins, William Hickey, Samuel L. Jackson. / Sinopse: Uma série de mortes ligadas a anúncios pessoais em jornais acaba levando o policial Frank Keller (Al Pacino) a uma suspeita muito bonita e sensual, Helen (Ellen Barkin). Não demora muito para o policial se apaixonar por ela.

Pablo Aluísio.

Dick Tracy

Dick Tracy
O personagem é um dos mais clássicos do mundo dos quadrinhos. Criado pelo desenhista Chester Gould em 1931 para ser publicado em jornais, em tirinhas seriadas, o detetive logo virou um ícone entre a garotada. Esse personagem acabou também sendo um dos mais influentes da história, basta lembrar de suas bugigangas eletrônicas e tramas para salvar o mundo, algo que anos depois iria inspirar até mesmo o escritor Ian Fleming na criação de seu famoso James Bond. Durante décadas se cogitou uma adaptação das aventuras de Dick Tracy para o cinema, mas muitos produtores consideraram que seria extremamente caro a realização de um filme como esse. Além do mais naquela altura o personagem já não era mais tão conhecido e querido pelo público jovem (muitos até desconheciam sua existência). O quadro mudou quando o ator Warren Beatty adquiriu os direitos de Dick Tracy no final da década de 1980. Usando de seu prestígio pessoal ele conseguiu levantar o financiamento necessário para a produção do filme com um grande estúdio de Hollywood. Além disso usando de sua rede de amigos na indústria conseguiu trazer para o elenco grandes nomes como Al Pacino para interpretar o vilão Big Boy Caprice e Dustin Hoffman como o esquisito Mumbles. Com tudo pronto Warren, que tinha interesse apenas em atuar, foi atrás de Steven Spielberg para dirigir a produção, mas esse, alegando estar com agenda cheia, declinou do convite. Para não perder milhões de dólares em investimento e nem o controle sobre o projeto que ele tanto adorava, o próprio Warren Beatty resolveu dirigir o filme, algo que ele só tinha feito duas vezes na carreira antes, com "O Céu Pode Esperar" em 1978 e "Reds" três anos depois.

Um dos movimentos mais corajosos de Warren Beatty foi optar por escolher a estética dos quadrinhos, dando um tom naturalmente cartunesco ao seu universo. Tudo muito puro e até inocente. Nada de tentar trazer Dick Tracy para o mundo atual e nem lhe dar uma estética realista (como tem acontecido ultimamente em adaptações de quadrinhos no cinema). Sua coragem em realizar um filme que se parecesse completamente com o mundo dos quadrinhos, inclusive com o elenco usando forte maquiagem, se mostrou bem certeira. Na verdade o que ele quis mesmo foi resgatar o detetive de seus tempos de infância. E para quem achava que ele não estava apostando alto o próprio Warren resolveu escalar sua namorada na época, ninguém menos do que a cantora popstar Madonna, para ser uma coadjuvante de luxo na pele da sensual e perigosa Breathless Mahoney. O resultado de tudo é certamente uma das mais criativas transições do universo comics para a sétima arte. Tudo muito colorido, excessivo até, mas com um belo sabor de nostalgia. O filme foi sucesso de público e crítica e agradou tanto ao próprio diretor que ele resolveu deixá-lo sem continuações, mesmo com a boa bilheteria arrecadada. Para Beatty foi uma maneira de preservar essa pequena obra prima que lhe trouxe tanto orgulho pessoal e artístico.

Dick Tracy (Dick Tracy, Estados Unidos, 1990) Direção: Warren Beatty / Roteiro: Warren Beatty, Jim Cash, baseados nos personagens criados por Chester Gould / Elenco: Warren Beatty, Madonna, Al Pacino, Dustin Hoffman, Charles Durning, Kathy Bates, Henry Silva, James Caan. / Sinopse: Na década de 1930, em uma cidade infestada de gangsters e criminosos de todos os tipos, o detetive Dick Tracy (Warren Beatty) precisa deter o infame vilão Big Boy Caprice (Al Pacino) de colocar em prática um ardiloso plano de dominação. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhor Música Original - "Sooner or Later (I Always Get My Man)" de Stephen Sondheim. Também indicado nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Al Pacino), Fotografia, Figurinos e Som. Indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Comédia ou Musical e Melhor Ator Coadjuvante (Al Pacino).

Pablo Aluísio.

Revolução

Título no Brasil: Revolução
Título Original: Revolution
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Hugh Hudson
Roteiro: Robert Dillon
Elenco: Al Pacino, Donald Sutherland, Nastassja Kinski

Sinopse:
Um caçador e homem do campo de Nova Iorque se torna um participante relutante na Revolução Americana depois que seu filho Ned é convocado para o Exército revolucionário. Juntos tentarão sobreviver aos horrores daquela guerra sangrenta e violenta. Filme indicado ao "prêmio" Framboesa de Ouro nas categorias de Pior Filme, Pior Ator (Al Pacino), Pior Diretor (Hugh Hudson) e Pior Trilha Sonora Original.

Comentários:
Foi um dos maiores fracassos comerciais da história do cinema americano. O desastre foi tão absoluto que conseguiu queimar o nome do grande Al Pacino dentro da indústria. De repente os produtores fugiam à simples menção de que Pacino poderia vir a estrelar um de seus projetos. Para se ter uma ideia do estrago o ator ficaria quatro longos anos sem realizar nenhum outro filme em Hollywood, apenas absorvendo a derrota de "Revolução". O pior de toda essa história é que se o filme fosse ao menos bom poderíamos sair em defesa de Al Pacino e do cineasta Hugh Hudson mas a verdade é que o fracasso foi merecido mesmo pois "Revolução" é de fato realmente muito ruim! O roteiro não tem uma linha narrativa precisa, tudo vai acontecendo de forma confusa e sem nexo. Pacino está perdido em cena, sem achar a essência de seu personagem, que ora age heroicamente, ora de forma covarde e cruel. Como se isso não fosse ruim o bastante o espectador ainda tem que encarar a péssima ideia do diretor Hugh Hudson em filmar tudo com a câmera na mão, correndo junto dos atores nas cenas de batalhas e conflitos. Poucos serão os espectadores que não sairão com tontura de uma experiência tão ruim como essa! Enfim, vale como curiosidade apenas pois como filme em si tudo é muito desastroso e péssimo. Fuja para longe dessa revolução que não deu certo.

Pablo Aluísio.

sábado, 24 de outubro de 2026

Os Donos do Poder

Título no Brasil: Os Donos do Poder
Título Original: Power
Ano de Lançamento: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Lorimar Motion Pictures
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: David Himmelstein
Elenco: Richard Gere, Julie Christie, Gene Hackman, Kate Capshaw, Denzel Washington e E. G. Marshall. 

Sinopse:
Pete St. John é um dos mais influentes consultores políticos dos Estados Unidos, um profissional especializado em construir a imagem pública de candidatos e ajudá-los a conquistar o apoio dos eleitores. Inteligente, ambicioso e extremamente habilidoso, Pete conhece os mecanismos da publicidade política e sabe como transformar as características de um candidato em instrumentos de persuasão. Sua profissão, entretanto, também o obriga a trabalhar com políticos cujos interesses nem sempre correspondem às suas convicções pessoais. Quando seu amigo, o senador Sam Hastings, decide abandonar a carreira política devido a problemas de saúde, Pete é contratado para ajudar Jerome Cade, um empresário que pretende ocupar a vaga no Senado. Inicialmente, o trabalho parece representar apenas mais uma oportunidade profissional, mas Pete começa a desconfiar das verdadeiras intenções de seu novo cliente. A situação se complica quando ele percebe que interesses empresariais e econômicos estão influenciando a campanha e que algumas decisões políticas podem favorecer poderosos grupos ligados ao petróleo. Ao mesmo tempo, Pete enfrenta a oposição de Wilfred Buckley, antigo amigo e rival profissional, além de manter uma relação complicada com Ellen Freeman, sua ex-esposa e jornalista política. À medida que investiga os bastidores da candidatura de Cade, Pete precisa decidir até que ponto está disposto a sacrificar seus princípios em troca de dinheiro, influência e sucesso. 

Comentários: 
Os Donos do Poder é um drama político dirigido por Sidney Lumet, cineasta conhecido por filmes que investigam as relações entre poder, corrupção e instituições americanas, como Serpico e Rede de Intrigas. Lançado em 1986, o longa apresenta Richard Gere no papel de Pete St. John, um consultor que trata as campanhas eleitorais como produtos comerciais, utilizando pesquisas, publicidade e estratégias de comunicação para influenciar a opinião pública. Gere interpreta o protagonista com elegância e segurança, transmitindo o comportamento de um profissional acostumado a controlar situações e a esconder suas próprias dúvidas. Gene Hackman interpreta Wilfred Buckley, seu antigo parceiro e rival, enquanto Julie Christie vive Ellen Freeman, a jornalista que conhece tanto suas qualidades quanto suas contradições. Denzel Washington aparece como Arnold Billings, um assessor político envolvido nos interesses que cercam a candidatura de Jerome Cade. Kate Capshaw e E. G. Marshall também desempenham papéis importantes na trama. O roteiro de David Himmelstein foi inspirado em sua experiência de pesquisa sobre campanhas eleitorais e consultores políticos, procurando mostrar como a imagem pública de um candidato pode ser cuidadosamente construída para conquistar votos. A direção de Lumet confere à narrativa um tom realista, com diálogos rápidos, disputas profissionais e acontecimentos que revelam as relações entre publicidade, dinheiro e influência política. 

A recepção crítica foi dividida. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, elogiou a autenticidade da representação dos consultores políticos, afirmando que o filme transmite a sensação de um assunto bem pesquisado, mas criticou a estrutura narrativa por considerar que faltava uma história central mais bem definida. Vincent Canby, do The New York Times, foi ainda mais severo, avaliando que a produção apresentava poucas ideias realmente desenvolvidas. A Variety também considerou que o filme não explorava plenamente as possibilidades de sua crítica à política e à publicidade. Comercialmente, o resultado ficou aquém das expectativas: o filme arrecadou aproximadamente US$ 3,8 milhões nos Estados Unidos e no Canadá, diante de um orçamento estimado entre US$ 14 milhões e US$ 16 milhões. 

Apesar disso, Os Donos do Poder permanece interessante para quem deseja compreender a evolução do marketing político e a crescente importância da construção da imagem dos candidatos nas campanhas eleitorais modernas. O filme também tem valor por reunir Richard Gere, Gene Hackman, Julie Christie e um jovem Denzel Washington em uma produção de um diretor experiente como Lumet. Sua crítica aos bastidores da política continua pertinente, especialmente ao mostrar como interesses econômicos, estratégias de comunicação e ambições pessoais podem influenciar decisões que afetam toda a sociedade. Hoje, a obra é lembrada como um retrato imperfeito, mas relevante, dos mecanismos de poder na política americana dos anos 1980.

Erick Steve. 

Rei Davi

Título no Brasil: Rei Davi
Título Original: King David
Ano de Produção: 1985
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Bruce Beresford
Roteiro: Andrew Birkin, James Costigan
Elenco: Richard Gere, Edward Woodward, Alice Krige

Sinopse:
Após vencer o terrível Golias, o jovem Davi (Richard Gere) se torna o novo Rei dos judeus. Durante sua vida (estima-se que tenha vivido entre 1040 a.C até 970 a.C) o monarca da antiguidade se torna um exemplo de rei forte mas piedoso e temeroso perante seu Deus. Baseado nos fatos narrados no Velho Testamento da Bíblia.

Comentários:
Imaginem o galã Richard Gere dando vida no cinema ao lendário Rei Davi de Israel. Pois é, foi justamente isso que a Paramount Pictures tentou transformar em sucesso em meados da década de 80. Nem precisa dizer que não deu muito certo. O roteiro escrito não agradou, nem aos judeus e nem aos cristãos. Houve várias críticas às licenças poéticas mostradas no enredo. Realizar filmes com personagens bíblicos sempre trazem problemas pois certamente algum líder de algum segmento religioso não gostará do resultado final. Em minha forma de ver o filme não é tão ruim como dizem. Certamente o texto não é tão religioso como alguns grupos queriam, priorizando mais o lado mais guerreiro e romântico do famoso monarca. Acredito que muitos religiosos criam sua própria visão do que seria Davi no velho testamento mas na realidade, olhando sob um ponto de vista puramente histórico, ele estaria mais próximo do que efetivamente aconteceu. Não é um grande épico e nem tem produção muito luxuosa mas não me desagradou. Penso que é um filme bem interessante no final das contas.

Pablo Aluísio.

sábado, 17 de outubro de 2026

Cotton Club

Título no Brasil: Cotton Club
Título Original: The Cotton Club
Ano de Produção: 1984
País: Estados Unidos
Estúdio: Zoetrope Studios
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: William Kennedy, Francis Ford Coppola
Elenco: Richard Gere, Gregory Hines, Diane Lane

Sinopse:
As estórias, dramas, romances e decepções daqueles que fizeram a fama do Cotton Club, uma popular casa noturna de jazz localizada no bairro do Harlem em Nova Iorque. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte e Melhor Edição (Barry Malkin e Robert Q. Lovett). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama e Melhor Direção (Francis Ford Coppola).

Comentários:
Verdade seja dita: poucos diretores amaram mais a sétima arte do que Francis Ford Coppola. E essa não é uma frase vazia. O cineasta apostou alto em seu amor pelo cinema. Não mediu esforços e colocou toda a sua fortuna em prol da realização de filmes que sonhava realizar. Muitos deles foram fracassos comerciais monumentais que destruíram sua estabilidade financeira. Mas Coppola, tão idealista e apaixonado, não se importava em pagar esse alto preço. "The Cotton Club" faz parte da série de filmes que arruinaram o diretor do ponto de vista comercial. Ele porém amou a oportunidade de realizar esse velho sonho, quase uma homenagem ao mundo da música, tudo rodado em um universo meio mágico, quase uma fábula. Pode ter sido um fracasso comercial, mas do ponto de vista puramente artístico é uma grande obra cinematográfica. O diretor estava tão inspirado que conseguiu até mesmo arrancar uma grande interpretação do ator Richard Gere, considerado até então um canastrão inveterado. E o que dizer de Gregory Hines? Ele literalmente rouba as cenas em que aparece. Assim o que temos aqui é uma declaração de amor ao cinema e à música, pelas mãos do genial Francis Ford Coppola! Se as pessoas na época de lançamento não entenderam isso, certamente não é culpa do diretor, que sempre esteve tão a frente de seu tempo. Excelente musical.

Pablo Aluísio.

A Força do Amor

Título no Brasil: A Força do Amor
Título Original: Breathless
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Orion Pictures, Columbia Pictures
Direção: Jim McBride
Roteiro: François Truffaut, Jean-Luc Godard
Elenco: Richard Gere, Valérie Kaprisky, Art Metrano

Sinopse:
Jesse Lujack (Richard Gere) não cabe em si mesmo de tanta vontade de viver intensamente cada minuto de sua vida. Para isso ele toma atitudes fora do comum, causando perplexidade em todos ao seu redor. Ao lado de Monica Poiccard (Valérie Kaprisky) ele quer viajar e ganhar o mundo, sempre com o rádio de seu carro sintonizado no último volume em seu grande ídolo, o roqueiro dos anos 50 Jerry Lee Lewis.

Comentários:
Esse filme foi um tremendo fracasso de público e crítica em seu lançamento. Na época em que foi lançado a película recebeu adjetivos do tipo "imbecil", "estúpido" e outros "elogios". Sempre achei muito exageradas as reações, inclusive me surpreendi bastante com isso já que o roteiro foi escrito e criado pelo prestigiado François Truffaut. Mudou sua capacidade de escrever bons textos ou mudaram as boas intenções de quem sempre o elogiou no passado? Enfim, são mistérios da crítica mundial. De uma forma ou outra quero chamar a atenção para a vivacidade da interpretação de Richard Gere. Esse é um personagem bem diferenciado de sua carreira, um sujeito que parece viver a mil, beirando inclusive a doença mental (não entregarei as surpresas do roteiro, mas saibam que dei uma dica importante por aqui). Curiosamente seu personagem também tem uma obsessão louca pelo roqueiro pioneiro Jerry Lee Lewis, procurando imitar sua personalidade radiante e fora dos padrões. O próprio título original "Breathless" é o nome de um famoso sucesso do assim conhecido "The Killer". No geral o que sobra de toda essa salada com coca-cola é um filme que sempre considerei muito divertido, com altos e baixos sim, mas longe do rótulo de "porcaria" que lhe foi imposto injustamente na época em que chegou aos cinemas pela primeira vez.

Pablo Aluísio.

Richard Gere - Filmografia Selecionada

Richard Gere - Filmografia Selecionada

Década de 1980:
Gigolô Americano
A Força do Destino
A Força de um Amor
Cotton Club
Rei David
Os Donos do Poder
Sem Perdão
Gritos de Revolta

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

sábado, 10 de outubro de 2026

Nove Semanas e Meia de Amor

Nove Semanas e Meia de Amor
Nove Semanas e Meia de Amor (Nine 1/2 Weeks), lançado em 1986, é um drama romântico erótico dirigido por Adrian Lyne, cineasta britânico que já havia alcançado grande sucesso com Flashdance (1983) e que posteriormente se tornaria conhecido por filmes como Atração Fatal (1987) e Proposta Indecente (1993). Estrelado por Mickey Rourke e Kim Basinger, o longa tornou-se uma das produções mais comentadas de sua época por apresentar uma relação amorosa marcada por sensualidade, jogos psicológicos e disputas de poder. O roteiro foi escrito por Patricia Knop, Zalman King e Sarah Kernochan, inspirado no livro autobiográfico publicado sob o pseudônimo Elizabeth McNeill, baseado na experiência de Ingeborg Day. Kim Basinger interpreta Elizabeth McGraw, uma assistente de galeria de arte em Nova York que, depois de um divórcio, procura reorganizar sua vida emocional. Mickey Rourke vive John Gray, um misterioso e bem-sucedido profissional do mercado financeiro que conhece Elizabeth por acaso e passa a seduzi-la. O elenco também conta com Margaret Whitton, David Margulies, Christine Baranski e Karen Young. O relacionamento começa como uma aventura excitante, mas gradualmente se transforma em uma experiência psicológica intensa, na qual John propõe situações cada vez mais ousadas e procura controlar diferentes aspectos da vida de Elizabeth. A protagonista, inicialmente atraída pela novidade e pela segurança aparente do companheiro, começa a perceber que a intimidade entre os dois está sendo construída em condições que nem sempre consegue compreender ou controlar. A direção de Lyne aposta em iluminação cuidadosamente trabalhada, ambientes elegantes, música pop e sequências sensuais que privilegiam imagens, gestos e silêncios. As filmagens ocorreram principalmente em Nova York, e a produção enfrentou dificuldades antes de chegar às telas, passando por mudanças de estúdio, sucessivas versões do roteiro e cortes consideráveis. Embora tenha sido concluído antes de sua estreia, o filme só chegou aos cinemas americanos em 21 de fevereiro de 1986, depois de um processo de edição que alterou significativamente a intensidade de algumas passagens.

A recepção crítica nos Estados Unidos foi predominantemente negativa ou dividida, especialmente porque muitos críticos consideraram que o filme prometia explorar uma relação psicológica complexa, mas não desenvolvia suficientemente os personagens. Vincent Canby, do The New York Times, observou que os protagonistas pareciam integrar-se à decoração com tamanha intensidade que acabavam adquirindo a aparência de produtos cuidadosamente fotografados, uma crítica à estética sofisticada e ao tratamento superficial dos sentimentos. A revista Variety foi ainda mais severa, argumentando que faltava algo verdadeiramente interessante entre os protagonistas, como diálogos convincentes ou uma evolução dramática capaz de sustentar a duração do filme. O Los Angeles Times, em crítica assinada por Sheila Benson, reconheceu que a história poderia ter produzido um retrato perturbador da perda da identidade dentro de uma paixão absorvente, mas considerou que a versão cinematográfica não desenvolvia suficientemente as fragilidades emocionais da personagem de Basinger. A crítica observou que, sem uma compreensão mais profunda das necessidades e vulnerabilidades de Elizabeth, a relação corria o risco de parecer apenas uma sucessão estilizada de experiências sexuais e humilhações. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, foi uma das vozes mais favoráveis: concedeu três estrelas e meia de quatro e elogiou a química entre Rourke e Basinger, considerando convincente, complexa e sensual a tensão entre os dois. Para Ebert, o filme era mais reflexivo do que sua reputação provocadora poderia sugerir, pois mostrava como a atração física podia se misturar a sentimentos contraditórios e a uma relação de poder. Essa diferença de interpretação explica por que a obra recebeu avaliações tão distintas. Enquanto alguns críticos enxergaram uma experiência visualmente atraente, mas dramaticamente vazia, outros perceberam um estudo desconfortável sobre sedução, dependência emocional e perda gradual da autonomia. A atuação de Rourke foi frequentemente elogiada por seu magnetismo e sua presença enigmática, enquanto Basinger recebeu avaliações mais variadas, em parte porque o roteiro lhe oferecia poucas oportunidades para expressar diretamente os conflitos internos da personagem. O debate crítico acabou se concentrando na distância entre a ousadia anunciada pela publicidade e a profundidade psicológica efetivamente alcançada pelo filme.

Na Europa, o longa despertou curiosidade pela combinação de erotismo, fotografia sofisticada e uma abordagem relativamente incomum das relações íntimas no cinema comercial americano. Entretanto, a recepção britânica e europeia também foi marcada por reservas quanto ao desenvolvimento dramático e à maneira como o filme representava a submissão e o controle dentro de um relacionamento. A classificação britânica registra conteúdo sexual forte, e o lançamento europeu tornou-se parte da discussão sobre os limites da representação erótica no cinema comercial da década de 1980. Um dos aspectos mais comentados foi a diferença entre a versão exibida nos Estados Unidos e as versões internacionais, pois o distribuidor americano considerou o material excessivamente explícito e promoveu cortes. Essa decisão contribuiu para a percepção de que a produção havia sido suavizada, enfraquecendo algumas das implicações psicológicas presentes na história original. O The Globe and Mail, do Canadá, observou que havia algo contraditório na tentativa de provocar o espectador com situações sexuais e, ao mesmo tempo, tranquilizar o público mais conservador, concluindo que o resultado parecia menos ousado do que sua reputação sugeria. 

A crítica britânica e outras avaliações internacionais também deram atenção à direção de Adrian Lyne, cuja preferência por imagens elegantes, movimentos lentos de câmera e composições cuidadosamente planejadas acabaria influenciando muitos dramas eróticos posteriores. A produção não conquistou grandes prêmios cinematográficos em seu lançamento, e sua importância inicial esteve mais associada à polêmica e à repercussão cultural do que ao reconhecimento por academias ou festivais. Ainda assim, a controvérsia ajudou a consolidar a imagem de Lyne como um realizador interessado em personagens que atravessam fronteiras morais e emocionais dentro de ambientes contemporâneos luxuosos. A obra também se tornou uma referência recorrente em discussões sobre a representação da sexualidade no cinema dos anos 1980, especialmente quando comparada a produções mais explícitas ou psicologicamente intensas. A diferença entre o livro e o filme continuou sendo apontada por críticos que consideravam a narrativa cinematográfica menos íntima e menos reveladora do que o relato que a inspirou. Desse modo, a recepção europeia não transformou imediatamente Nove Semanas e Meia de Amor em um clássico crítico, mas contribuiu para a permanência de sua reputação como uma obra controversa, visualmente marcante e representativa de uma fase específica do cinema erótico comercial.

Do ponto de vista comercial, a trajetória do filme foi bastante diferente dependendo do mercado considerado. O orçamento de produção é estimado entre US$ 17 milhões e US$ 18 milhões, uma quantia expressiva para um drama romântico erótico sem grandes sequências de ação ou efeitos especiais. Nos Estados Unidos e no Canadá, a arrecadação ficou em aproximadamente US$ 6,7 milhões, um resultado decepcionante diante do investimento realizado. O lançamento americano começou em um número relativamente limitado de salas, e a recepção crítica desfavorável não ajudou a transformar a curiosidade inicial em um grande sucesso doméstico. A história internacional, porém, foi mais favorável. O filme encontrou um público significativo em vários mercados estrangeiros, sobretudo na Europa, e algumas fontes históricas de referência registram uma arrecadação mundial estimada próxima de US$ 100 milhões, embora esse número seja difícil de reconciliar com os registros mais conservadores disponíveis para a bilheteria americana e com a ausência de uma prestação de contas internacional uniforme. O contraste entre o desempenho doméstico e a popularidade internacional tornou-se uma das características mais curiosas da trajetória da produção. A trilha sonora também contribuiu para a circulação cultural do filme, reunindo músicas associadas à atmosfera sensual e melancólica da narrativa. A sequência em que Elizabeth dança ao som de “You Can Leave Your Hat On”, na interpretação de Joe Cocker, tornou-se uma das imagens mais lembradas da obra e ajudou a fixar sua identidade na memória popular. O filme também encontrou uma segunda vida no mercado de vídeo doméstico, onde espectadores podiam assistir às versões disponíveis fora das restrições das salas de cinema americanas. Esse percurso contribuiu para ampliar a audiência muito além daquela registrada no lançamento original. A combinação entre a curiosidade provocada pela temática, o apelo das estrelas e a divulgação centrada nas cenas sensuais fez com que o título continuasse circulando por décadas. Embora os números financeiros exatos devam ser interpretados com cautela, é evidente que a repercussão internacional e o mercado doméstico de vídeo foram fundamentais para transformar uma estreia americana comercialmente decepcionante em uma produção de considerável longevidade cultural.

Com o passar do tempo, Nove Semanas e Meia de Amor adquiriu o status de filme cult, principalmente por sua estética, pela trilha sonora e pela química entre os protagonistas. A obra passou a ser lembrada como um dos dramas eróticos mais emblemáticos dos anos 1980, período em que o cinema comercial explorava com crescente frequência temas como desejo, infidelidade, obsessão e relações afetivas desequilibradas. Sua influência pode ser percebida na maneira como produções posteriores combinaram erotismo, suspense psicológico e ambientes visualmente sofisticados. Adrian Lyne desenvolveria essa abordagem de maneira ainda mais popular em Atração Fatal, lançado no ano seguinte, que transformou uma relação extraconjugal em um thriller sobre desejo, culpa e consequências. O longa de 1986, entretanto, é menos um suspense convencional do que uma narrativa sobre a transformação gradual de uma relação amorosa em uma experiência de domínio e dependência. A figura de John Gray permanece ambígua: ele é sedutor e carismático, mas também manipulador, e sua incapacidade de estabelecer uma intimidade equilibrada torna o relacionamento cada vez mais destrutivo. Elizabeth, por sua vez, representa uma mulher que inicialmente aceita experimentar novas formas de intimidade, mas acaba confrontada com o custo emocional de permitir que outra pessoa determine os limites da relação. Essa dimensão explica por que o filme continua sendo debatido, mesmo por espectadores que consideram seu roteiro irregular. No Rotten Tomatoes, a avaliação contemporânea registra cerca de 58% de aprovação da crítica e 55% do público, refletindo uma recepção ainda dividida, embora o consenso reconheça o poder de suas cenas sensuais e considere mais convencional o drama que as acompanha. O filme também ajudou a consolidar a imagem de Mickey Rourke como um astro de presença física e comportamento imprevisível, enquanto Kim Basinger reforçou sua posição como uma das atrizes mais associadas ao cinema americano da década. Sua reputação atual depende menos de um consenso crítico absoluto do que da combinação de estilo visual, música, controvérsia e memória cultural. Nove Semanas e Meia de Amor permanece, assim, como um retrato imperfeito, mas influente, da maneira como Hollywood explorou o erotismo e as relações de poder nos anos 1980.

Nove Semanas e Meia de Amor (Nine 1/2 Weeks, Estados Unidos, 1986) Direção: Adrian Lyne / Roteiro: Patricia Knop, Zalman King e Sarah Kernochan, baseado no livro autobiográfico publicado sob o pseudônimo Elizabeth McNeill / Elenco: Mickey Rourke, Kim Basinger, Margaret Whitton, David Margulies, Christine Baranski e Karen Young / Sinopse: Elizabeth McGraw, uma assistente de galeria de arte recém-divorciada, envolve-se com John Gray, um enigmático profissional do mercado financeiro. O que começa como uma paixão intensa transforma-se gradualmente em uma relação marcada por experiências sexuais cada vez mais ousadas, manipulação emocional e disputas de controle. À medida que Elizabeth percebe que a intimidade entre os dois está comprometendo sua autonomia, ela precisa decidir se ainda deseja permanecer naquele relacionamento.

Erick Steve.

sábado, 3 de outubro de 2026

O Ano do Dragão

Título no Brasil: O Ano do Dragão
Título Original: Year of the Dragon
Ano de Lançamento: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio: De Laurentiis Entertainment Group
Direção: Michael Cimino
Roteiro: Oliver Stone, Michael Cimino
Elenco: Mickey Rourke, John Lone, Ariane Koizumi, Leonard Termo, Raymond J. Barry, Victor Wong

Sinopse:
O experiente e controverso capitão da polícia Stanley White (Mickey Rourke) é designado para combater o crime organizado chinês em Chinatown, Nova York. Obcecado em destruir a violenta Tríade conhecida como White Tigers, White entra em uma guerra pessoal contra o jovem e ambicioso líder mafioso Joey Tai. À medida que a violência cresce, o confronto se torna cada vez mais intenso, expondo preconceitos, conflitos culturais e os limites morais da lei.

Comentários: 
Entrei nessa jornada de rever antigos filmes dos anos 80 e 90. Estou confrontando a minha memória cinéfila do passado com uma avaliação atual, baseada no que vejo nos dias atuais. Dessa vez foi a hora de rever "O Ano do Dragão". Assisti  pela primeira vez lá mesmo, nos anos 80, e apesar de gostar, nunca foi dos meus preferidos. Agora, nessa revisão, o filme me pareceu bem melhor! É uma obra cinematográfica que resistiu muito bem ao tempo, fruto do talento de Michael Cimino, que sempre foi um grande diretor de cinema, com uma atuação visceral de Mickey Rourke (em seu auge!). Concordo que o filme tem um subtexto complicado, mostrando esse policial que deseja limpar Chinatown, mesmo que para isso seja preciso passar por cima da lei. É interessante ver como o personagem, que é um veterano da guerra do Vietnã, não consegue aguentar toda a politicagem que existe dentro da polícia e da prefeitura de Nova Iorque, como se os figurões não quisessem mudar nada naquele bairro dominado pelo crime! E tudo isso acontece no meio de uma guerra de criminosos, com os bandidos mais jovens tentando ocupar o espaço ainda ocupado pelos velhos dinossauros. Um filme muito bem fotografado, até bonito de se ver, mas com uma beleza diferente. É a beleza de Chinatown, um lugar cheio de história, mas também com o crime organizado enraizado em suas ruas e vielas. 

Pablo Aluísio.