quarta-feira, 1 de abril de 2026

O Último Magnata

Título no Brasil: O Último Magnata
Título Original: The Last Tycoon
Ano de Lançamento: 1976
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Elia Kazan
Roteiro: F. Scott Fitzgerald, Harold Pinter
Elenco: Robert De Niro, Anjelica Huston, Theresa Russell, Jack Nicholson, Donald Pleasence, Robert Mitchum, Tony Curtis, John Carradine

Sinopse:
Baseado no romance escrito por F. Scott Fitzgerald, o filme "O Último Magnata" conta a história de um famoso e poderoso produtor de cinema em Hollywood durante a década de 1930. Ele tenciona transformar dois jovens atores em grandes astros, ao mesmo tempo em que disputa o controle de um dos grandes estúdios de Hollywood. Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor direção de arte. 

Comentários:
Hollywood olha para si mesma, para seu passado e tenta entender o que se perdeu com o passar dos anos. Assim eu vejo esse filme que foi muito elogiado na época de seu lançamento original, embora não tenha feito boa bilheteria. Atribuo isso a um fato até relativamente fácil de compreender. Para realmente apreciar esse filme o espectador tem que ter uma boa base de conhecimentos históricos sobre o passado da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. Por aí já se tira que nem todo muito possui esse tipo de conhecimento e muitos nem sequer vão ter interesse em conhecer. Por isso esse é um filme de nicho, para cinéfilos mesmo. De bom temos uma boa reconstituição histórica e como não poderia deixar de ser, mais uma bela interpretação de Robert De Niro. A direção ficou com o mestre Elia Kazan. Nome mais indicado para contar esse tipo de história não havia. Pena que ele já estava bastante envelhecido quando dirigiu o filme. Já estava se despedindo do cinema, então seus melhores dias já pertenciam ao passado. Enfim faltou, em meu ponto de vista, mais glamour da velha Hollywood. Esse clima de elegância e luxo parece mesmo que se perdeu nas areias do tempo. 

Pablo Aluísio.

domingo, 29 de março de 2026

Ligações Perigosas

Título no Brasil: Ligações Perigosas
Título Original: Dangerous Liaisons
Ano de Produção: 1988
País: Estados Unidos, Inglaterra
Estúdio: Warner Bros
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Christopher Hampton
Elenco: Glenn Close, John Malkovich, Michelle Pfeiffer, Keanu Reeves, Uma Thurman

Sinopse:
Baseado no famoso romance "Les Liaisons Dangereuses" do autor Choderlos de Laclos (1741 - 1803), o filme "Ligações Perigosas" narra as intrigas, fofocas e ciladas sociais que se desenvolvem na corte francesa do século XVIII. De um lado o fútil e perigoso Visconde Sébastien de Valmont (John Malkovich), do outro a maquiávelica Marquesa Isabelle de Merteuil (Glenn Close) e no meio de todas as armações sociais a bela e jovem Madame de Tourvel (Michelle Pfeiffer). Um jogo mortal de sedução e poder dentro das relações entre nobres da monarquia francesa da época. Filme vencedor dos Oscars de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte.

Comentários:
Choderlos de Laclos foi um dos principais generais de Napoleão Bonaparte. Quando não estava nos campos de batalha lutando por seu imperador, escrevia romances. O livro que deu origem a esse filme logo se tornou um dos mais populares de sua carreira como escritor. Ele desvenda o jogo de poder e cobiça que existia dentro da corte francesa. O curioso é que o próprio Napoleão era fruto da revolução francesa, que procurava colocar abaixo a ordem social da monarquia daquela nação, mas tão logo assumiu o poder absoluto deu origem a também uma corte suntuosa e luxuosa, provando que nem sempre as boas intenções resultam em algo positivo. Deixando um pouco de lado esse contexto histórico o fato é que "Ligações Perigosas" tem uma das tramas mais saborosamente perversas da história do cinema americano. Stephen Frears, em grande momento, soube como poucos explorar as vilanices de seus personagens. Aqui, como obviamente podemos notar, o que importa é realmente passear pelas artimanhas e manipulações dos dois personagens centrais, ambos sem quaisquer escrúpulos pessoais ou valores morais, mas mestres na arte da manipulação social. Claro que apenas dois grandes atores poderiam tirar todo o potencial do texto literário para as telas de cinema. Nesse ponto John Malkovich e Glenn Close estão soberbos. Glenn Close em especial tem uma das melhores atuações de sua vida e quem a conhece sabe que isso definitivamente não é pouca coisa. O contraste da podridão de seus interesses e almas com a delicada inocência, juventude e beleza de Michelle Pfeiffer (linda no filme) garantem o alto nível do filme no quesito atuação. Em termos de produção o filme também apresenta um requinte único, com belíssima reconstituição de época, extremamente luxuosa nos mínimos detalhes. Um filme para se ter na coleção, com a finalidade de se rever sempre que possível. Cinema do mais puro e fino bom gosto.

Pablo Aluísio.

sábado, 28 de março de 2026

Terra das Sombras

C. S. Lewis (1898 - 1963) entrou para a história como autor dos consagrados livros da série "The Chronicles of Narnia". Professor universitário, escritor, romancista, poeta, crítico literário, ensaísta, Lewis é um dos nomes mais celebrados da literatura britânica. Esse filme se propõe a contar parte de sua biografia, de seu conturbado romance com a poetisa americana Joy Gresham (interpretada pelo boa atriz Debra Winger). Eram pessoas refinadas, cultas e intelectuais que se completavam, mas que tinham que superar diversas barreiras para serem felizes. O roteiro enfoca um momento particularmente complicado de suas vidas quando Joy recebeu o diagnóstico que estava com câncer. Para piorar Lewis enfrentava problemas para conseguir a cidadania americana, o que lhe garantiria dar apoio completo à sua amada nesse momento crucial de sua vida.

Quem interpreta o famoso escritor é o ator Anthony Hopkins, que como sempre está muito lúcido e muito bem em seu papel. Ele traz um humanismo grandioso ao personagem que dá vida. Richard Attenborough, um mestre em filmes como esse, trata tudo com fina melancolia e muita sensibilidade, o que transforma o filme em um drama triste, mas ao mesmo tempo realmente tocante. Uma excelente obra cinematográfica, sem retoques.

Terra das Sombras (Shadowlands, Inglaterra, 1993) Direção: Richard Attenborough / Roteiro: William Nicholson / Elenco: Anthony Hopkins, Debra Winger, Julian Fellowes. / Sinopse O drama de um homem mais velho que vê sua esposa sucumbindo para uma grave doença terminal. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Atriz (Debra Winger) e Melhor Roteiro Adaptado (William Nicholson). Filme vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Filme Britânico e Melhor Ator (Anthony Hopkins).

Pablo Aluísio.

domingo, 22 de março de 2026

Os Embalos de Sábado à Noite

Os Embalos de Sábado à Noite
Existem alguns filmes que acabam virando símbolo de toda uma década. Os Embalos de Sábado à Noite é um desses filmes. O período histórico retratado é a década de 70, no auge da discoteca. Para quem não se recorda ou não viveu, a Discoteca foi aquele período musical em que as músicas deixaram de ter qualquer conotação política ou social para virarem simples diversão, embalo, dança! Obviamente que tudo vai soar datado hoje em dia: as roupas, as danças e as músicas mas isso é apenas um charme a mais para quem for assistir ao filme atualmente. Duas características são bem marcantes aqui: a trilha sonora do Bee Gees, que fez um sucesso estrondoso jamais repetido pelo grupo em qualquer um de seus trabalhos futuros e o carisma de John Travolta, muito jovem, cheio de maneirismos típicos dos jovens daquela época. De fato esse foi o filme de sua virada na carreira. Ele já tinha aparecido em outros sucessos como Carrie A Estranha e até mesmo em um telefilme famoso chamado O Menino da Bolha de Plástico, mas estava longe de ser um astro. Foi justamente Os Embalos de Sábado à Noite que o transformou em um ator do primeiro time em Hollywood.

O roteiro procura criar uma crônica sobre a vida de um jovem tentando se divertir na metrópole nesses anos do Disco. De dia ele intercala uma série de subempregos para sobreviver, nenhum deles promissor. Sua vida é dura e cheia de dificuldades. Durante a semana  Tony Manero (John Travolta) dá um duro danado na vida mas quando vai chegando o fim de semana ele vai renascendo pois sabe que poderá arrasar nas pistas de dança da cidade. O dinheiro que ganha de forma suada nos dias de trabalho são investidos em roupas maneiras para impressionar no sábado á noite. É curioso que o roteiro do filme tenha sido escrito a partir de um artigo publicado na revista Time intitulado "Tribal Rites of the New Saturday Night" que tentava entender a geração jovem que amava a Discoteca. Eles não tinham qualquer ideologia ou inclinação política ou social, nada disso os interessavam, estavam bem longe da geração consciente da década de 60. Os jovens dos anos 70 só queriam mesmo se divertir, dançar, namorar e aproveitar a vida até o dia raiar.  E é justamente isso que o filme se propõe. Os Embalos de Sábado à Noite é assim um belo retrato daqueles dias dançantes. Definitivamente um musical que marcou época.

Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever, Estados Unidos, 1977) Direção: John Badham / Roteiro:  Norman Wexler baseado no artigo "Tribal Rites of the New Saturday Night" de Nik Cohn / Elenco: John Travolta, Karen Lynn Gorney, Barry Miller,  Joseph Cali / Sinopse: A vida de Tony Manero (John Travolta) não é nada fácil. Durante a semana se vira como pode em subempregos para ajudar sua família. No fim de semana porém se diverte como nunca nas pistas de discoteca por toda a cidade. Um dançarino talentoso que logo chama a atenção de todos.

Pablo Aluísio.

sábado, 21 de março de 2026

O Rapaz da Bolha de Plástico

Título no Brasil: O Rapaz da Bolha de Plástico
Título Original: The Boy in the Plastic Bubble
Ano de Lançamento: 1976
País: Estados Unidos
Estúdio: ABC Circle Films
Direção: Randal Kleiser
Roteiro: Douglas Day Stewart
Elenco: John Travolta, Glynnis O'Connor, Robert Reed, Diana Hyland, Ralph Bellamy, Karen Morrow

Sinopse:
O filme conta a história de Tod Lubitch, um jovem que nasce com uma grave deficiência no sistema imunológico, o que o obriga a viver isolado do mundo exterior dentro de uma câmara plástica estéril para evitar qualquer tipo de infecção. Apesar das limitações físicas, Tod é inteligente, sensível e curioso, buscando formas de se conectar com o mundo além de sua bolha. Sua vida muda quando ele desenvolve uma relação especial com uma garota de sua idade, o que o leva a questionar os limites de sua existência e o desejo de viver uma vida normal. A narrativa aborda temas como isolamento, amor e o valor da experiência humana.

Comentários:
Exibido originalmente na televisão em 1976, The Boy in the Plastic Bubble recebeu boa recepção do público e ajudou a impulsionar a carreira de John Travolta, que logo se tornaria uma grande estrela com filmes como Saturday Night Fever e Grease. O filme foi elogiado por sua abordagem sensível de um tema médico delicado, embora alguns críticos tenham apontado certo tom melodramático. Com o tempo, a produção se tornou um clássico cult da televisão, sendo lembrada principalmente pela atuação de Travolta e pela história comovente baseada em casos reais de imunodeficiência. Hoje, O Rapaz da Bolha de Plástico é visto como um drama marcante dos anos 1970, que ajudou a popularizar histórias sobre doenças raras e a despertar empatia no público.

Erick Steve. 

sexta-feira, 20 de março de 2026

O Morro dos Ventos Uivantes

Título no Brasil: O Morro dos Ventos Uivantes
Título Original: Wuthering Heights (2026)
Ano de Lançamento: 2026
País: Reino Unido, Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Emerald Fennell
Roteiro: Emerald Fennell
Elenco: Margot Robbie, Jacob Elordi, Hong Chau, Alison Oliver, Shazad Latif, Owen Cooper

Sinopse:
Baseado no clássico romance de Emily Brontë, o filme acompanha a intensa e trágica história de amor entre Heathcliff e Catherine Earnshaw, ambientada nas paisagens selvagens e ventosas da região de Yorkshire, na Inglaterra. Heathcliff é um jovem órfão adotado pela família Earnshaw e cresce ao lado de Catherine, com quem desenvolve uma ligação profunda e apaixonada. No entanto, diferenças sociais, orgulho e escolhas impulsivas acabam separando os dois. Catherine decide casar-se com o rico Edgar Linton, enquanto Heathcliff desaparece por anos e retorna posteriormente como um homem misterioso e determinado a se vingar daqueles que considera responsáveis por seu sofrimento. A narrativa mistura romance, tragédia e obsessão, acompanhando os efeitos destrutivos do amor não correspondido e da vingança ao longo de gerações.

Comentários:
A nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes chamou grande atenção antes mesmo de seu lançamento por reunir a diretora Emerald Fennell — vencedora do Oscar pelo roteiro de Promising Young Woman — com um elenco liderado por Margot Robbie e Jacob Elordi. Veículos como The Guardian e Variety destacaram a expectativa em torno da abordagem da diretora, conhecida por seu estilo visual marcante e por reinterpretar histórias clássicas sob uma perspectiva moderna e provocativa. Entre o público, a produção gerou enorme curiosidade, especialmente entre admiradores do romance original e fãs dos protagonistas. A obra literária de Emily Brontë já havia sido adaptada várias vezes para o cinema, incluindo a célebre versão de Wuthering Heights (1939), mas esta nova versão promete enfatizar o aspecto mais sombrio e psicológico da história. Hoje, mesmo sendo uma produção recente, o filme já é visto como uma das adaptações literárias mais aguardadas da década de 2020, e pode renovar o interesse do público contemporâneo por um dos romances mais famosos da literatura inglesa

Erick Steve. 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Jardins de Pedra

Jardins de Pedra   
Depois do fim da Guerra do Vietnã os americanos procuraram exorcizar os traumas desse que foi seguramente o conflito mais desastroso de sua história recente. Assim o cinema acabou cumprindo de certa maneira essa função, usando a obra cinematográfica como terapia coletiva do desastre daquela nação. Muitos filmes foram realizados tendo como tema central o Vietnã, principalmente na década de 1980, período em que as melhores produções sobre o assunto foram realizadas. Em "Jardins de Pedra" o aclamado diretor Francis Ford Coppola procurou mudar o ponto de vista, o foco sobre o tema. Ao invés de mostrar o drama dos militares americanos no meio das selvas do sudeste asiático ele optou por mostrar o outro lado da guerra, a dos corpos de jovens americanos sendo enviados de volta para casa, para serem sepultados em cemitérios militares, com toda a pompa e cerimônia a que tinham direito. Esse é o enfoque desse roteiro que sempre considerei um dos mais criativos e reveladores sobre o conflito que ceifou muitas vidas, todas elas em vão, lamento dizer. Coppola, com muita sensibilidade, captou muito bem esse aspecto pouco visto e pouco lembrado de uma matança em grande escala como aquela.

Assim desfilam pela tela todos os dramas das famílias, dos entes queridos e também dos encarregados desses enterros. Afinal  imagine ter que trabalhar eternamente em luto, enterrando dezenas de seus companheiros de armas todos os dias, sem trégua ou descanso. É um excelente filme, mas não ousaria dizer que é uma obra fácil, para todos os gostos. Talvez por isso tenha fracassado comercialmente em seu lançamento. Para o público americano já era complicado lidar com a derrota americana no Vietnã, agora entenda como era bem pior ter que assistir o enterro dos seus soldados. É de fato um filme para um tipo de espectador mais refinado, específico. Sua grande lição é a de que em uma guerra estatísticas não podem ser encaradas como mera matemática, mas sim com humanidade, pois todos aqueles números representam na verdade pessoas que perderam suas vidas em combate.  

Jardins de Pedra (Gardens of Stone, Estados Unidos, 1987) Direção: Francis Ford Coppola / Roteiro: Nicholas Proffitt, Ronald Bass / Elenco: James Caan, Anjelica Huston, James Earl Jones, Dean Stockwell, Mary Stuart Masterson / Sinopse: O filme "Jardins de Pedra" conta a dura realidade de um grupo de militares norte-americanos durante a guerra do Vietnã. Eles tinham a função de enterrar os colegas mortos no campo de batalha.

Pablo Aluísio.