domingo, 23 de agosto de 2026

Chinatown

Título no Brasil: Chinatown
Título Original: Chinatown
Ano de Produção: 1974
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Robert Towne
Elenco: Jack Nicholson, Faye Dunaway, John Huston, Perry Lopez, John Hillerman, Darrell Zwerling

Sinopse:

Década de 1940. O detetive particular J.J. Gittes (Jack Nicholson) é contratado para resolver mais um caso de rotina em sua profissão, mas que na verdade esconde uma imensa rede de crimes, mortes e corrupção entre as altas esferas do poder. Filme premiado com o Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original (Robert Towne).

Comentários:
Recentemente um grupo de renomados críticos de cinema dos Estados Unidos elegeu esse filme como o segundo melhor dos anos 70, ficando atrás apenas de "O Poderoso Chefão". De fato é um clássico do cinema, um dos melhores trabalhos da carreira de Jack Nicholson, aqui sendo dirigido pelo mestre Roman Polanski. O interessante é que a ideia do diretor era apenas homenagear os antigos filmes de detetives dos anos 40. Aqueles com roteiros intrigados, mulheres fatais e protagonistas que eram acima de tudo anti-heróis. O cinema noir foi uma grande fonte de inspiração para Polanski. Assim temos um filme dos anos 70 com todo o estilo dos velhos filmes de Humphrey Bogart. O roteirista Robert Towne foi muito feliz nesse aspecto porque esses filmes sempre tinham um ponto de partida banal que aos poucos ia se tornando cada vez mais complexos até que o personagem principal (geralmente um detetive particular decadente) se via envolvido numa teia enorme de crimes e corrupção, envolvendo até mesmo altas figuras da política. Jack Nicholson está perfeito como J.J. Gittes. Poderia ser um papel para Bogart, mas com o bom e velho Jack tudo fica muito bem caracterizado. Enfim, se ainda não assistiu a essa joia cinematográfica não vá mais perder seu tempo. Corra atrás que é um filme essencial e obrigatório para cinéfilos em geral. Uma verdadeira obra prima cinematográfica.

Pablo Aluísio.

A Última Missão

Título no Brasil: A Última Missão
Título Original: The Last Detail
Ano de Produção: 1973
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Hal Ashby
Roteiro: Robert Towne, Darryl Ponicsan
Elenco: Jack Nicholson, Randy Quaid, Otis Young, Clifton James, Carol Kane, Michael Moriarty

Sinopse:
Dois marujos da Marinha são obrigados a trazer um jovem infrator para a prisão, mas decidem mostrar-lhe uma última boa oportunidade ao longo do caminho. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor ator (Jack Nicholson), melhor ator coadjuvante (Randy Quaid) e melhor roteiro adaptado (Robert Towne).

Comentários:
Apesar de ter sido indicado em três categorias ao Oscar, esse filme segue sendo pouco conhecido, até mesmo pelos fãs do trabalho de Jack Nicholson. Foi um de seus primeiros sucessos na carreira, em um ponto de sua vida que ele ainda não era um dos grandes nomes de Hollywood. O filme tem uma linha de bom humor, mas não pode ser considerado uma comédia. Essa premissa de jovens marujos e irresponsáveis desfrutando de uma Nova Iorque deslumbrante já havia sido usada pelo cinema antes. A maior referência vem de um velho filme com Frank Sinatra e Gene Kelly chamado "Um Dia em Nova Iorque". Só que esse clássico era um musical, cheio de canções e danças e esse filme dos anos 70 com Jack Nicholson era puro deboche e cinismo. Tempos diferentes, épocas diversas, exigindo mesmo novas abordagens. De qualquer maneira esse "A Última Missão" não deixa de ser mais uma amostra do grande talento do bom e velho Jack Nicholson.

Pablo Aluísio.

Jack Nicholson - Filmografia Selecionada


Jack Nicholson - Filmografia Selecionada:
Sem Destino
Cada um Vive como Quer
Ãnsia de Amar
A Última Missão
Chinatown
Profissão: Repórter
Um Estranho no Ninho
Duelo de Gigantes
O Último Magnata
Com a Corda no Pescoço
O Iluminado
O Destino Bate à Sua Porta
Reds
Fronteira da Violência
Laços de Ternura
A Honra do Poderoso Prizzi
A Difícil Arte de Amar
As Bruxas de Eastwick
Nos Bastidores da Notícia
Ironweed
Batman
A Chave do Enigma
O Cão de Guarda
Questão de Honra
Hoffa
Lobo
Acerto Final
Sangue e Vinho
O Entardecer de uma Estrela
Marte Ataca!
Melhor é Impossível
A Promessa
As Confissões de Schmidt
Tratamento de Choque
Alguém Tem que Ceder
Os Infiltrados
Antes de Partir
Eu Ainda Estou Aqui
Como Você Sabe

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

domingo, 16 de agosto de 2026

Era Uma Vez na América

Título no Brasil: Era Uma Vez na América
Título Original: Once Upon a Time in America
Ano de Lançamento: 1984
País: Estados Unidos e Itália
Direção: Sergio Leone
Roteiro: Sergio Leone, Leonardo Benvenuti, Piero De Bernardi, Enrico Medioli, Franco Arcalli e Franco Ferrini, baseado no romance The Hoods, de Harry Grey
Produção: The Ladd Company, Embassy International Pictures e Rafran Cinematografica
Elenco: Robert De Niro, James Woods, Elizabeth McGovern, Joe Pesci, Tuesday Weld, Treat Williams, James Russo, Burt Young e William Forsythe.

Sinopse:
Era Uma Vez na América acompanha David "Noodles" Aaronson, um jovem judeu que cresce no Lower East Side de Nova York durante o início do século XX e entra progressivamente no mundo do crime organizado. Ao lado de Max Bercovicz e de outros amigos de infância, Noodles constrói uma pequena quadrilha que começa praticando furtos e contrabando antes de se transformar em uma poderosa organização criminosa. A narrativa percorre diferentes períodos da vida do protagonista, mostrando sua juventude, a época da Lei Seca e seu retorno a Nova York décadas mais tarde. A amizade entre Noodles e Max constitui o centro emocional da história: enquanto Noodles é mais cauteloso e marcado por sentimentos de culpa, Max demonstra uma ambição cada vez maior e deseja transformar o grupo em uma organização criminosa de alcance nacional. Paralelamente, Noodles mantém uma relação complexa com Deborah, uma jovem que conhece desde a infância e por quem desenvolve uma paixão que atravessa décadas. O filme mistura memória, violência, amor, amizade, traição e nostalgia, construindo um retrato épico da ascensão e queda de uma geração de gângsteres americanos.

Comentários:
Quando chegou aos cinemas em 1984, Era Uma Vez na América foi apresentado como o grande projeto de despedida de Sergio Leone, diretor que havia revolucionado o western com sua chamada "Trilogia dos Dólares" e posteriormente realizado Era Uma Vez no Oeste. A crítica americana ficou profundamente dividida, em grande parte porque a versão lançada nos Estados Unidos foi drasticamente reduzida em relação à concepção original de Leone. O The New York Times, em crítica de Vincent Canby, reconheceu a impressionante escala visual do filme e o talento de Robert De Niro, mas considerou a narrativa excessivamente longa e difícil de acompanhar. A revista Variety foi mais favorável, elogiando a fotografia, os cenários e a ambição cinematográfica de Leone, embora também apontasse problemas de ritmo. O Los Angeles Times destacou a atmosfera de sonho e memória presente na narrativa e chamou atenção para a extraordinária recriação da Nova York das primeiras décadas do século XX. Robert De Niro recebeu elogios por interpretar Noodles em diferentes fases de sua vida, enquanto James Woods foi considerado um contraponto perfeito como Max. A trilha sonora de Ennio Morricone também foi amplamente celebrada, sendo considerada fundamental para criar a atmosfera melancólica do filme. Apesar da divisão crítica, muitos jornalistas reconheceram que estavam diante de uma obra extraordinariamente ambiciosa, muito diferente dos tradicionais filmes de gângster produzidos por Hollywood.

Com o passar dos anos, a reputação de Era Uma Vez na América cresceu de maneira extraordinária. A versão restaurada e mais próxima da montagem pretendida por Sergio Leone permitiu que críticos e espectadores reavaliassem profundamente o filme. Hoje, publicações como The New Yorker, Empire e Sight & Sound frequentemente o incluem entre os grandes épicos cinematográficos do século XX. A narrativa passou a ser admirada justamente por sua estrutura fragmentada, que mistura passado, presente, memória e fantasia para representar a maneira como Noodles recorda sua própria vida. O filme também ganhou força como uma reflexão sobre a passagem do tempo: os personagens envelhecem, os bairros mudam, os antigos amigos desaparecem e o mundo que construíram deixa de existir. Robert De Niro é atualmente considerado um dos grandes destaques de sua carreira, especialmente pela capacidade de transmitir o peso psicológico de Noodles sem recorrer a excessos. A direção de Leone, a fotografia de Tonino Delli Colli e a música de Morricone são igualmente reconhecidas como elementos essenciais de sua grandeza. Embora tenha sido recebido com incompreensão e tenha fracassado comercialmente em seu lançamento americano, Era Uma Vez na América transformou-se posteriormente em um clássico absoluto do cinema mundial. Hoje é frequentemente colocado ao lado de O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros entre os maiores filmes de gângster já realizados, sendo considerado o monumental testamento cinematográfico de Sergio Leone.

Erick Steve. 

O Rei da Comédia

Título no Brasil: O Rei da Comédia
Título Original: The King of Comedy
Ano de Lançamento: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: 20th Century Fox
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Paul D. Zimmerman
Elenco: Robert De Niro, Jerry Lewis, Sandra Bernhard, Diahnne Abbott, Shelley Hack, Ed Herlihy, Chuck Low e Tony Randall.

Sinopse:
Rupert Pupkin é um aspirante a comediante que vive obcecado pela ideia de alcançar o sucesso na televisão. Convencido de que possui um talento extraordinário, Rupert acredita que basta conseguir uma oportunidade para se transformar em uma grande estrela. Seu principal objetivo é participar do popular programa apresentado pelo famoso comediante Jerry Langford, interpretado por Jerry Lewis. Depois de conseguir um breve encontro com seu ídolo, Rupert interpreta a cordialidade de Langford como uma promessa de que será convidado para o programa. Quando percebe que isso não acontecerá espontaneamente, passa a perseguir o apresentador de maneira cada vez mais insistente. Com a ajuda de Masha, uma admiradora igualmente obsessiva de Langford, Rupert acaba planejando o sequestro do apresentador para obrigá-lo a lhe conceder alguns minutos de televisão. A partir daí, o filme mergulha na mente perturbada de um homem incapaz de distinguir fantasia de realidade, transformando sua obsessão pela fama em uma sátira sombria sobre celebridade, televisão e o desejo desesperado de ser reconhecido.

Comentários:
Quando O Rei da Comédia chegou aos cinemas em 1982, a reação da crítica americana foi bastante dividida. O The New York Times, em crítica de Vincent Canby, reconheceu a inteligência da produção e o talento de Martin Scorsese, mas observou que o filme deliberadamente colocava o espectador em uma posição desconfortável diante de Rupert Pupkin. A revista Variety destacou a interpretação de Robert De Niro e considerou o personagem uma das criações mais perturbadoras do ator, justamente porque Rupert não se comporta como um vilão tradicional. A revista Time também chamou atenção para a sátira da cultura da celebridade e para a maneira como Scorsese desmontava a fantasia do "sonho americano" de sucesso. O filme, entretanto, não agradou a todos. Alguns críticos consideraram Rupert excessivamente desagradável e a narrativa fria demais, especialmente quando comparada aos dramas mais violentos e emocionalmente intensos que Scorsese havia dirigido anteriormente. A participação de Jerry Lewis foi considerada um dos grandes acertos, pois o lendário comediante interpreta uma versão ficcional de si mesmo que funciona simultaneamente como celebridade admirada e vítima da obsessão de Rupert. Sandra Bernhard, em sua estreia cinematográfica, também chamou atenção como Masha, uma personagem cuja obsessão por Langford espelha e amplia a própria loucura do protagonista.

Apesar da recepção inicialmente irregular e de seu desempenho comercial modesto, O Rei da Comédia passou por uma extraordinária reavaliação crítica ao longo das décadas. Atualmente, é frequentemente considerado um dos filmes mais subestimados de Martin Scorsese e uma das interpretações mais corajosas da carreira de Robert De Niro. Críticos posteriores passaram a perceber que a história de Rupert Pupkin antecipava fenômenos que se tornariam ainda mais comuns na cultura contemporânea: pessoas dispostas a fazer qualquer coisa para conquistar fama, transformar a própria vida em espetáculo e confundir atenção pública com reconhecimento pessoal. A revista Entertainment Weekly e outras publicações americanas passaram a destacar a impressionante atualidade da sátira, especialmente depois da explosão dos reality shows e das redes sociais. O Los Angeles Times também observou em retrospectivas que o filme ganhou força justamente porque a cultura da celebridade se tornou ainda mais agressiva desde 1982. A atuação de De Niro é hoje considerada fundamental para compreender o personagem: Rupert não acredita ser um fracassado; ele acredita sinceramente que já é uma estrela e que o mundo simplesmente ainda não percebeu isso. Essa característica torna o filme simultaneamente engraçado, perturbador e profundamente triste. Hoje, O Rei da Comédia é reconhecido como um clássico do cinema americano dos anos 1980 e como uma das obras mais visionárias de Scorsese sobre fama, televisão, narcisismo e a necessidade humana de ser visto.

Erick Steve. 

Confissões Verdadeiras

Título no Brasil: Confissões Verdadeiras
Título Original: True Confessions
Ano de Lançamento: 1981
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Ulu Grosbard
Roteiro: John Gregory Dunne e Joan Didion, baseado no romance de John Gregory Dunne
Elenco: Robert De Niro, Robert Duvall, Rose Gregorio, Cyril Cusack, Ed Flanders, Burgess Meredith, Kenneth McMillan e Jeanette Nolan.

Sinopse:
Ambientado em Los Angeles no final dos anos 1940, True Confessions acompanha dois irmãos que escolheram caminhos completamente diferentes na vida. Desmond Spellacy, interpretado por Robert De Niro, é um ambicioso monsenhor da Igreja Católica que exerce enorme influência sobre a comunidade e mantém relações próximas com políticos e empresários. Seu irmão, Tom Spellacy, vivido por Robert Duvall, é um detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles, conhecido por sua personalidade austera e seu senso de justiça. A história começa com a investigação do assassinato brutal de uma jovem prostituta, cujo corpo é encontrado em circunstâncias extremamente violentas. À medida que Tom aprofunda suas investigações, percebe que o crime pode estar relacionado a interesses políticos, corrupção policial e às atividades de pessoas ligadas à Igreja. Paralelamente, Desmond tenta proteger a reputação da arquidiocese e seus próprios projetos de expansão. O caso acaba colocando os irmãos em lados diferentes de uma sociedade marcada por corrupção, ambição e hipocrisia.

Comentários:
True Confessions recebeu uma reação bastante respeitosa da crítica americana quando chegou aos cinemas em setembro de 1981, principalmente por causa das atuações de Robert De Niro e Robert Duvall. O The New York Times, em crítica de Vincent Canby, destacou a atmosfera sombria do filme e a complexidade da relação entre os dois irmãos, embora tenha considerado o roteiro excessivamente carregado de personagens e subtramas. A revista Variety foi mais entusiasmada com o trabalho do elenco, apontando De Niro e Duvall como o principal motivo para acompanhar a produção. A atuação de Duvall foi especialmente elogiada por transmitir a frustração e o cansaço de um policial que percebe que a justiça não funciona de maneira igual para todos. De Niro, por sua vez, apresentou uma interpretação deliberadamente contida, evitando transformar o monsenhor Desmond em um vilão convencional. A revista Time também chamou atenção para a maneira como o filme retrata a Igreja, a polícia e as elites econômicas de Los Angeles, observando que a narrativa funciona melhor como estudo de caráter do que como simples investigação policial. A direção de Ulu Grosbard recebeu elogios pela atmosfera realista e pela recusa em transformar o material em um thriller convencional.

O aspecto mais valorizado atualmente em True Confessions é justamente a relação entre os dois protagonistas. O filme não apresenta Tom e Desmond simplesmente como representantes da polícia e da Igreja, mas como irmãos que desenvolveram códigos morais completamente diferentes. Tom acredita que deve descobrir a verdade, enquanto Desmond acredita que determinadas verdades precisam ser escondidas para preservar instituições maiores. Essa tensão confere ao filme uma atmosfera melancólica e adulta, bastante característica de determinados dramas americanos do início dos anos 1980. O Los Angeles Times destacou a recriação da Los Angeles do pós-guerra e a fotografia de Owen Roizman, que utiliza ambientes escuros e uma paleta visual sombria para reforçar o sentimento de decadência moral. Com o passar dos anos, o filme passou a ser considerado uma obra subestimada das filmografias de De Niro e Duvall. Embora não possua a mesma popularidade de Taxi Driver, Touro Indomável, O Poderoso Chefão ou Apocalypse Now, é frequentemente lembrado por estudiosos do cinema americano como um excelente exemplo do drama policial adulto produzido em Hollywood naquele período. A força das duas interpretações principais e o retrato de uma Los Angeles dominada por interesses políticos, religiosos e econômicos fazem de True Confessions uma produção particularmente interessante para quem aprecia filmes policiais mais lentos, sombrios e voltados para personagens complexos.

Erick Steve. 

sábado, 8 de agosto de 2026

Scarface

Scarface
Al Pacino é um dos grandes atores do século. Disso tenho certeza poucas pessoas ainda tem dúvidas. Recentemente assisti um filme dele que me deixou bastante desapontado. Intitulado 88 minutos, o filme é um completo equívoco. Roteiro fraco, situações clichês e o pior: um Pacino atuando no piloto automático. Muito longe dos seus dias de glória quando apresentava atuações tão brilhantes que salvavam até mesmo filmes medianos ou com certos problemas de script e argumento. Um desses filmes que foram salvos completamente pelo talento de Pacino foi o (agora) clássico "Scarface", dirigido por Brian De Palma. Uma refilmagem atualizada de "Scarface, a Vergonha de uma Nação", filmado na década de 30 e que acabou sendo o grande precursor dos chamados filmes de Gangsters. Nessa nova versão o então roteirista Oliver Stone mudou completamente o foco do filme, tirando o cenário de uma Chicago empoeirada dos anos de ouro de Capone para uma Flórida ensolarada, atual e cheia de imigrantes provenientes de Cuba.

Entre esses cubanos que saíram da ilha de Fidel Castro está justamente Tony Montana, o personagem de Pacino. Com ficha criminal ele é praticamente banido pelo governo cubano para ir como refugiado aos EUA. Obviamente uma estratégia dos comunistas para expulsar a escória da sociedade cubana, visando justamente transferir o problema para os "irmãos" ianques. Como todo imigrante que chega na América seu grande sonho é aproveitar as oportunidades que a sociedade capitalista lhe oferece para subir na vida rapidamente. Porém como um cubano sem instrução formal e sem formação profissional tudo o que lhe resta é tentar subir no escalão das organizações criminosas, participando do submundo do tráfico de drogas.

Scarface não envelheceu muito. Seu roteiro é bem escrito e com situações bem armadas. Tem boa produção e conta com a sempre inspirada direção de Brian De Palma, aqui prestes a entrar na melhor fase de sua carreira, que iria se prolongar por toda a década de 80 e que culminaria na obra prima "Os Intocáveis", seguramente um dos melhores filmes sobre a era dos grandes gangsters já realizados. No elenco duas presenças de peso: Al Pacino e Michele Pfeiffer. Ele, ainda está esbanjando juventude, recém saído de uma década brilhante de sucessos nos anos 70 e prestes a afundar na pior fase de sua carreira, com o super fracasso "Revolução" e ela, mais bela do que nunca, esbanjando charme e sofisticação.

Embora seja excessivamente longo, pois a estória poderia muito bem ser contada em duas horas, o filme resistiu bem ao tempo e deixou várias referências aos filmes que viriam. Basta assistir "Cassino", por exemplo, de Scorsese para verificar como "Scarface" fez escola (A personagem de Sharon Stone em Cassino é praticamente a mesma de Pfeiffer em Scarface, só mudando levemente de enfoque). Embora para muitos o final de "Scarface" soe hoje demasiadamente exagerado e kitsch, a mais pura verdade é que tudo aquilo que acontece condiz certamente com a personalidade e a trajetória do personagem de Tony. Quem viveu de excessos só poderia encontrar seu final daquela forma. Em suma, se por acaso você gosta do gênero ao estilo "Os Bons Companheiros", "Cassino" ou até mesmo "Os Intocáveis", "Scarface" é mais do que bem recomendado.

Pablo Aluísio.