sábado, 10 de outubro de 2026

Nove Semanas e Meia de Amor

Nove Semanas e Meia de Amor
Nove Semanas e Meia de Amor (Nine 1/2 Weeks), lançado em 1986, é um drama romântico erótico dirigido por Adrian Lyne, cineasta britânico que já havia alcançado grande sucesso com Flashdance (1983) e que posteriormente se tornaria conhecido por filmes como Atração Fatal (1987) e Proposta Indecente (1993). Estrelado por Mickey Rourke e Kim Basinger, o longa tornou-se uma das produções mais comentadas de sua época por apresentar uma relação amorosa marcada por sensualidade, jogos psicológicos e disputas de poder. O roteiro foi escrito por Patricia Knop, Zalman King e Sarah Kernochan, inspirado no livro autobiográfico publicado sob o pseudônimo Elizabeth McNeill, baseado na experiência de Ingeborg Day. Kim Basinger interpreta Elizabeth McGraw, uma assistente de galeria de arte em Nova York que, depois de um divórcio, procura reorganizar sua vida emocional. Mickey Rourke vive John Gray, um misterioso e bem-sucedido profissional do mercado financeiro que conhece Elizabeth por acaso e passa a seduzi-la. O elenco também conta com Margaret Whitton, David Margulies, Christine Baranski e Karen Young. O relacionamento começa como uma aventura excitante, mas gradualmente se transforma em uma experiência psicológica intensa, na qual John propõe situações cada vez mais ousadas e procura controlar diferentes aspectos da vida de Elizabeth. A protagonista, inicialmente atraída pela novidade e pela segurança aparente do companheiro, começa a perceber que a intimidade entre os dois está sendo construída em condições que nem sempre consegue compreender ou controlar. A direção de Lyne aposta em iluminação cuidadosamente trabalhada, ambientes elegantes, música pop e sequências sensuais que privilegiam imagens, gestos e silêncios. As filmagens ocorreram principalmente em Nova York, e a produção enfrentou dificuldades antes de chegar às telas, passando por mudanças de estúdio, sucessivas versões do roteiro e cortes consideráveis. Embora tenha sido concluído antes de sua estreia, o filme só chegou aos cinemas americanos em 21 de fevereiro de 1986, depois de um processo de edição que alterou significativamente a intensidade de algumas passagens.

A recepção crítica nos Estados Unidos foi predominantemente negativa ou dividida, especialmente porque muitos críticos consideraram que o filme prometia explorar uma relação psicológica complexa, mas não desenvolvia suficientemente os personagens. Vincent Canby, do The New York Times, observou que os protagonistas pareciam integrar-se à decoração com tamanha intensidade que acabavam adquirindo a aparência de produtos cuidadosamente fotografados, uma crítica à estética sofisticada e ao tratamento superficial dos sentimentos. A revista Variety foi ainda mais severa, argumentando que faltava algo verdadeiramente interessante entre os protagonistas, como diálogos convincentes ou uma evolução dramática capaz de sustentar a duração do filme. O Los Angeles Times, em crítica assinada por Sheila Benson, reconheceu que a história poderia ter produzido um retrato perturbador da perda da identidade dentro de uma paixão absorvente, mas considerou que a versão cinematográfica não desenvolvia suficientemente as fragilidades emocionais da personagem de Basinger. A crítica observou que, sem uma compreensão mais profunda das necessidades e vulnerabilidades de Elizabeth, a relação corria o risco de parecer apenas uma sucessão estilizada de experiências sexuais e humilhações. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, foi uma das vozes mais favoráveis: concedeu três estrelas e meia de quatro e elogiou a química entre Rourke e Basinger, considerando convincente, complexa e sensual a tensão entre os dois. Para Ebert, o filme era mais reflexivo do que sua reputação provocadora poderia sugerir, pois mostrava como a atração física podia se misturar a sentimentos contraditórios e a uma relação de poder. Essa diferença de interpretação explica por que a obra recebeu avaliações tão distintas. Enquanto alguns críticos enxergaram uma experiência visualmente atraente, mas dramaticamente vazia, outros perceberam um estudo desconfortável sobre sedução, dependência emocional e perda gradual da autonomia. A atuação de Rourke foi frequentemente elogiada por seu magnetismo e sua presença enigmática, enquanto Basinger recebeu avaliações mais variadas, em parte porque o roteiro lhe oferecia poucas oportunidades para expressar diretamente os conflitos internos da personagem. O debate crítico acabou se concentrando na distância entre a ousadia anunciada pela publicidade e a profundidade psicológica efetivamente alcançada pelo filme.

Na Europa, o longa despertou curiosidade pela combinação de erotismo, fotografia sofisticada e uma abordagem relativamente incomum das relações íntimas no cinema comercial americano. Entretanto, a recepção britânica e europeia também foi marcada por reservas quanto ao desenvolvimento dramático e à maneira como o filme representava a submissão e o controle dentro de um relacionamento. A classificação britânica registra conteúdo sexual forte, e o lançamento europeu tornou-se parte da discussão sobre os limites da representação erótica no cinema comercial da década de 1980. Um dos aspectos mais comentados foi a diferença entre a versão exibida nos Estados Unidos e as versões internacionais, pois o distribuidor americano considerou o material excessivamente explícito e promoveu cortes. Essa decisão contribuiu para a percepção de que a produção havia sido suavizada, enfraquecendo algumas das implicações psicológicas presentes na história original. O The Globe and Mail, do Canadá, observou que havia algo contraditório na tentativa de provocar o espectador com situações sexuais e, ao mesmo tempo, tranquilizar o público mais conservador, concluindo que o resultado parecia menos ousado do que sua reputação sugeria. 

A crítica britânica e outras avaliações internacionais também deram atenção à direção de Adrian Lyne, cuja preferência por imagens elegantes, movimentos lentos de câmera e composições cuidadosamente planejadas acabaria influenciando muitos dramas eróticos posteriores. A produção não conquistou grandes prêmios cinematográficos em seu lançamento, e sua importância inicial esteve mais associada à polêmica e à repercussão cultural do que ao reconhecimento por academias ou festivais. Ainda assim, a controvérsia ajudou a consolidar a imagem de Lyne como um realizador interessado em personagens que atravessam fronteiras morais e emocionais dentro de ambientes contemporâneos luxuosos. A obra também se tornou uma referência recorrente em discussões sobre a representação da sexualidade no cinema dos anos 1980, especialmente quando comparada a produções mais explícitas ou psicologicamente intensas. A diferença entre o livro e o filme continuou sendo apontada por críticos que consideravam a narrativa cinematográfica menos íntima e menos reveladora do que o relato que a inspirou. Desse modo, a recepção europeia não transformou imediatamente Nove Semanas e Meia de Amor em um clássico crítico, mas contribuiu para a permanência de sua reputação como uma obra controversa, visualmente marcante e representativa de uma fase específica do cinema erótico comercial.

Do ponto de vista comercial, a trajetória do filme foi bastante diferente dependendo do mercado considerado. O orçamento de produção é estimado entre US$ 17 milhões e US$ 18 milhões, uma quantia expressiva para um drama romântico erótico sem grandes sequências de ação ou efeitos especiais. Nos Estados Unidos e no Canadá, a arrecadação ficou em aproximadamente US$ 6,7 milhões, um resultado decepcionante diante do investimento realizado. O lançamento americano começou em um número relativamente limitado de salas, e a recepção crítica desfavorável não ajudou a transformar a curiosidade inicial em um grande sucesso doméstico. A história internacional, porém, foi mais favorável. O filme encontrou um público significativo em vários mercados estrangeiros, sobretudo na Europa, e algumas fontes históricas de referência registram uma arrecadação mundial estimada próxima de US$ 100 milhões, embora esse número seja difícil de reconciliar com os registros mais conservadores disponíveis para a bilheteria americana e com a ausência de uma prestação de contas internacional uniforme. O contraste entre o desempenho doméstico e a popularidade internacional tornou-se uma das características mais curiosas da trajetória da produção. A trilha sonora também contribuiu para a circulação cultural do filme, reunindo músicas associadas à atmosfera sensual e melancólica da narrativa. A sequência em que Elizabeth dança ao som de “You Can Leave Your Hat On”, na interpretação de Joe Cocker, tornou-se uma das imagens mais lembradas da obra e ajudou a fixar sua identidade na memória popular. O filme também encontrou uma segunda vida no mercado de vídeo doméstico, onde espectadores podiam assistir às versões disponíveis fora das restrições das salas de cinema americanas. Esse percurso contribuiu para ampliar a audiência muito além daquela registrada no lançamento original. A combinação entre a curiosidade provocada pela temática, o apelo das estrelas e a divulgação centrada nas cenas sensuais fez com que o título continuasse circulando por décadas. Embora os números financeiros exatos devam ser interpretados com cautela, é evidente que a repercussão internacional e o mercado doméstico de vídeo foram fundamentais para transformar uma estreia americana comercialmente decepcionante em uma produção de considerável longevidade cultural.

Com o passar do tempo, Nove Semanas e Meia de Amor adquiriu o status de filme cult, principalmente por sua estética, pela trilha sonora e pela química entre os protagonistas. A obra passou a ser lembrada como um dos dramas eróticos mais emblemáticos dos anos 1980, período em que o cinema comercial explorava com crescente frequência temas como desejo, infidelidade, obsessão e relações afetivas desequilibradas. Sua influência pode ser percebida na maneira como produções posteriores combinaram erotismo, suspense psicológico e ambientes visualmente sofisticados. Adrian Lyne desenvolveria essa abordagem de maneira ainda mais popular em Atração Fatal, lançado no ano seguinte, que transformou uma relação extraconjugal em um thriller sobre desejo, culpa e consequências. O longa de 1986, entretanto, é menos um suspense convencional do que uma narrativa sobre a transformação gradual de uma relação amorosa em uma experiência de domínio e dependência. A figura de John Gray permanece ambígua: ele é sedutor e carismático, mas também manipulador, e sua incapacidade de estabelecer uma intimidade equilibrada torna o relacionamento cada vez mais destrutivo. Elizabeth, por sua vez, representa uma mulher que inicialmente aceita experimentar novas formas de intimidade, mas acaba confrontada com o custo emocional de permitir que outra pessoa determine os limites da relação. Essa dimensão explica por que o filme continua sendo debatido, mesmo por espectadores que consideram seu roteiro irregular. No Rotten Tomatoes, a avaliação contemporânea registra cerca de 58% de aprovação da crítica e 55% do público, refletindo uma recepção ainda dividida, embora o consenso reconheça o poder de suas cenas sensuais e considere mais convencional o drama que as acompanha. O filme também ajudou a consolidar a imagem de Mickey Rourke como um astro de presença física e comportamento imprevisível, enquanto Kim Basinger reforçou sua posição como uma das atrizes mais associadas ao cinema americano da década. Sua reputação atual depende menos de um consenso crítico absoluto do que da combinação de estilo visual, música, controvérsia e memória cultural. Nove Semanas e Meia de Amor permanece, assim, como um retrato imperfeito, mas influente, da maneira como Hollywood explorou o erotismo e as relações de poder nos anos 1980.

Nove Semanas e Meia de Amor (Nine 1/2 Weeks, Estados Unidos, 1986) Direção: Adrian Lyne / Roteiro: Patricia Knop, Zalman King e Sarah Kernochan, baseado no livro autobiográfico publicado sob o pseudônimo Elizabeth McNeill / Elenco: Mickey Rourke, Kim Basinger, Margaret Whitton, David Margulies, Christine Baranski e Karen Young / Sinopse: Elizabeth McGraw, uma assistente de galeria de arte recém-divorciada, envolve-se com John Gray, um enigmático profissional do mercado financeiro. O que começa como uma paixão intensa transforma-se gradualmente em uma relação marcada por experiências sexuais cada vez mais ousadas, manipulação emocional e disputas de controle. À medida que Elizabeth percebe que a intimidade entre os dois está comprometendo sua autonomia, ela precisa decidir se ainda deseja permanecer naquele relacionamento.

Erick Steve.

sábado, 3 de outubro de 2026

O Ano do Dragão

Título no Brasil: O Ano do Dragão
Título Original: Year of the Dragon
Ano de Lançamento: 1985
País: Estados Unidos
Estúdio: De Laurentiis Entertainment Group
Direção: Michael Cimino
Roteiro: Oliver Stone, Michael Cimino
Elenco: Mickey Rourke, John Lone, Ariane Koizumi, Leonard Termo, Raymond J. Barry, Victor Wong

Sinopse:
O experiente e controverso capitão da polícia Stanley White (Mickey Rourke) é designado para combater o crime organizado chinês em Chinatown, Nova York. Obcecado em destruir a violenta Tríade conhecida como White Tigers, White entra em uma guerra pessoal contra o jovem e ambicioso líder mafioso Joey Tai. À medida que a violência cresce, o confronto se torna cada vez mais intenso, expondo preconceitos, conflitos culturais e os limites morais da lei.

Comentários: 
Entrei nessa jornada de rever antigos filmes dos anos 80 e 90. Estou confrontando a minha memória cinéfila do passado com uma avaliação atual, baseada no que vejo nos dias atuais. Dessa vez foi a hora de rever "O Ano do Dragão". Assisti  pela primeira vez lá mesmo, nos anos 80, e apesar de gostar, nunca foi dos meus preferidos. Agora, nessa revisão, o filme me pareceu bem melhor! É uma obra cinematográfica que resistiu muito bem ao tempo, fruto do talento de Michael Cimino, que sempre foi um grande diretor de cinema, com uma atuação visceral de Mickey Rourke (em seu auge!). Concordo que o filme tem um subtexto complicado, mostrando esse policial que deseja limpar Chinatown, mesmo que para isso seja preciso passar por cima da lei. É interessante ver como o personagem, que é um veterano da guerra do Vietnã, não consegue aguentar toda a politicagem que existe dentro da polícia e da prefeitura de Nova Iorque, como se os figurões não quisessem mudar nada naquele bairro dominado pelo crime! E tudo isso acontece no meio de uma guerra de criminosos, com os bandidos mais jovens tentando ocupar o espaço ainda ocupado pelos velhos dinossauros. Um filme muito bem fotografado, até bonito de se ver, mas com uma beleza diferente. É a beleza de Chinatown, um lugar cheio de história, mas também com o crime organizado enraizado em suas ruas e vielas. 

Pablo Aluísio. 

O Ano do Dragão

O Ano do Dragão
"O Ano do Dragão" foi um dos grandes sucessos de Mickey Rourke no mercado de vídeo que naquele momento estava invadindo todos os lares aqui no Brasil e lá fora. A fita, um policial movimentado e com ares de filmes de ação, caiu bem em cheio no gosto popular. A produção foi dirigida pelo cineasta Michael Cimino que já havia trabalhado com Mickey Rourke em um dos maiores fracassos de sua carreira: o caro e mal sucedido "O Portal do Paraíso". O roteiro é de Oliver Stone, naquele momento apenas um roteirista de sucesso que iria em breve estourar com o grande êxito de público e crítica "Platoon" que mostrava as vísceras da Guerra do Vietnã. Curiosamente o policial interpretado por Rourke aqui também é veterano do Vietnã e odeia asiáticos em geral. 

Numa das cenas mais famosas ele desdenha de um oriental que tenta lhe explicar a importância da cultura milenar do oriente. Em um diálogo tipicamente xenófobo ele responde: "Vocês podem ter milhares de anos mas os Estados Unidos só tem duzentos e aqui as coisas são feitas assim!" Mickey Rourke surge em cena com os cabelos pintados de branco e seu personagem se chama Stanley White (branco) - seria mais uma reafirmação implícita do poder da raça branca sobre a amarela proposta discretamente por Oliver Stone em seu texto? Quem sabe o que se passava afinal na cabeça dele, só podemos mesmo deduzir sobre todas essa mensagens subliminares presentes no roteiro. "O Ano do Dragão" trouxe um sopro de fôlego renovado na carreira de Michael Cimino pois foi comercialmente bem sucedido. Logo após ele tentou novamente emplacar um sucesso com "O Siciliano" com Christopher Lambert mas as coisas não deram certo e o filme foi novamente um fracasso, contribuindo para encerrar a carreira do diretor.  

O Ano do Dragão (Year of The Dragon, Estados Unidos, 1986) Direção: Michael Cimino / Roteiro: Oliver Stone baseado no livro de Robert Daley / Elenco: Mickey Rourke, John Lone, Raymond J. Barry, Caroline Kava / Sinopse: Stanley White (Mickey Rourke) é um policial que investiga uma série de crimes dentro de uma comunidade chinesa em Nova Iorque.  

Pablo Aluísio.

Nos Calcanhares da Máfia

Nos Calcanhares da Máfia
Depois de décadas resolvi rever esse filme "Nos Calcanhares da Máfia". Minha lembrança era a de um bom filme, algo que se confirmou nessa revisão. Aqui temos um jovem Mickey Rourke, no melhor de sua fase no cinema. Ele interpreta esse gerente de restaurante no Greenwich Village, bairro de Nova Iorque. Ele é um cara honesto, decente, bem conceituado no bairro, mas que tem seus problemas. Apesar da pouca idade já é divorciado e tem pensão para pagar ao filho pequeno. A grana é curta, mas ele tenta levar a vida em frente. Só que comete um erro, arranjando um emprego de garçom para seu primo mais jovem, um sujeito adulto, mas com jeito de "crianção". 

Interpretado por Eric Roberts, esse sujeito sem noção começa a roubar no restaurante. O resultado é que os dois primos vão para o olho da rua. Pior do que isso. Ele resolve colocar em prática o roubo de um cofre e enfia seu primo honesto (Rourke) na cilada. Tudo até corre mais ou menos bem, a não ser por um detalhe mais do que crucial. O cofre pertence a um chefe da máfia de Little Italy. Então eles estão mais do que enrascados! Agora estão com a cabeça colocada à prêmio pela máfia de Nova Iorque! 

Algumas coisas me chamaram a atenção nessa reprise. Mickey Rourke já estava um pouco mais livre na sua interpretação. Sem essa de tentar se parecer com o jovem Marlon Brando dos anos 50. Isso trouxe uma naturalidade e uma espontaneidade para sua interpretação que não vemos em outras películas do ainda promissor Rourke. Já Eric Roberts exagerou um pouco na dose em sua interpretação. OK, ele basicamente interpreta um personagem idiota, então era algo meio previsível, mas não precisava ser tão absurdamente irritante. Toda vez que surge em cena, estraga tudo. Inclusive há um claro contraste entre o tom mais equilibrado de Mickey Rourke com os devaneios de seu parceiro em cena. Outro ator no lugar de Roberts faria bem melhor, tenho certeza disso. 

No saldo geral gostei bastante. É um daqueles filmes que não envelheceram mal, muito pelo contrário. A história flui muito bem, o ritmo é bom e agradável. Até o elenco secundário chama a atenção, como uma bela e jovem Daryl Hannah interpretando a namorada de Rourke, passando pelo chefão mafioso asqueroso em bom momento de Burt Young (da série Rocky). Pois é, mesmo os filmes ditos medianos dos anos 80, eram bem melhores do que os que vemos atualmente sendo lançados. Assim vamos continuar revendo boas películas do passado como no caso desse filme. 

Nos Calcanhares da Máfia (The Pope of Greenwich Village, Estados Unidos, 1984) Direção: Stuart Rosenberg / Roteiro: Vincent Patrick / Elenco: Mickey Rourke, Eric Roberts, Daryl Hannah, Burt Young, Geraldine Page / Sinopse: Dois primos são despedidos do restaurante onde trabalham e resolvem entrar numa jogada arriscada. Eles vão roubar um cofre que está desprotegido em um lugar remoto do bairro. Só não sabem que o dinheiro que está ali pertence á máfia de Nova Iorque. 

Pablo Aluísio.

Nos Calcanhares da Máfia

Título no Brasil: Nos Calcanhares da Máfia
Título Original: The Pope of Greenwich Village
Ano de Produção: 1984
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Stuart Rosenberg
Roteiro: Vincent Patrick
Elenco: Eric Roberts, Mickey Rourke, Daryl Hannah, Geraldine Page

Sinopse:
Charlie (Mickey Rourke) e seu primo problemático Paulie (Eric Roberts) decidem roubar 150 mil dólares para apostar em um cavalo, cujo resultado antecipado caiu nos ouvidos de Paulie. O problema é que o dinheiro pertence ao chefão da máfia local e isso certamente trará muitos problemas para todos os envolvidos no crime. Filme indicado ao Oscar na categoria Melhor Atriz Coadjuvante (Geraldine Page).

Comentários:
Mickey Rourke fez muitos filmes interessantes no começo de sua carreira. Um dos mais relevantes (e que anda bastante esquecido nos dias de hoje) é esse "The Pope of Greenwich Village". Hoje a película é uma das mais raras no mercado, até porque até onde vai minha memória o filme não foi sequer lançado em VHS no Brasil. Em termos estéticos o filme lembra bastante o visual das produções policiais dos anos 70. O realismo é focado em cada momento e o clima de sordidez que impera nos bairros mais populares de Nova Iorque explode na tela. Embora o filme tenha sido estrelado por Eric Roberts (irmão de Julia Roberts, um ator cuja carreira infelizmente não aconteceu), o destaque vai mesmo para Mickey Rourke. No auge de seu estilo cool de ser, com cabelo desgrenhado e barba por fazer, ele era a aposta da crítica para ocupar um lugar que um dia fora de Brando e James Dean. Era o próprio ator rebelde daqueles anos. Pena que tanta rebeldia acabou prejudicando sua própria carreira, pois Rourke recusaria nos anos seguintes ótimos filmes e se envolveria em brigas com produtores e escândalos na vida pessoal. Tudo foi minando sua subida rumo ao panteão dos deuses de Hollywood. De uma forma ou outra filmes como esse capturaram para a posterioridade seus melhores momentos dentro da sétima arte. Por essas e outras razões "Nos Calcanhares da Máfia" merece certamente ser redescoberto nos dias de hoje.

Pablo Aluísio.

sábado, 26 de setembro de 2026

Chuva Negra

Título no Brasil: Chuva Negra
Título Original: Black Rain
Ano de Lançamento: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Craig Bolotin, Warren Lewis
Elenco: Michael Douglas, Andy Garcia, Ken Takakura, Kate Capshaw, Yusaku Matsuda, John Spencer

Sinopse:
Dois detetives de Nova York escoltam um perigoso mafioso japonês até Osaka, mas ele consegue escapar ao chegar ao Japão. Perdidos em uma cultura que desconhecem, os policiais precisam trabalhar com a polícia local para recapturá-lo, enfrentando a violenta e hierarquizada yakuza. O choque cultural, a brutalidade do submundo criminal japonês e os códigos de honra orientais transformam a missão em uma corrida mortal.

Comentários: 
Resolvi rever, após muitos anos, esse filme policial dirigido por Ridley Scott. A minha lembrança era a de um filme com um visual muito bem caprichado, além das motos envenenadas que parecem estar por todo o enredo. Não me decepcionei. O filme envelheceu bem, apesar de alguns detalhes o tornarem um pouco datado, como a trilha sonora cheia de sintetizadores, algo tão típico dos anos 80. Só que isso não é uma falha, mas sim uma assinatura cinematográfica daquela década. Curiosamente apesar de ter visto pela última vez há uns bons 30 anos, ainda me lembrava de certas cenas marcantes, como a decapitação do personagem de Andy Garcia. Pode ter certeza que foi um choque na época e ainda hoje causa surpresa no espectador. Outra coisa que se deve valorizar nesse filme é um certo realismo na construção dos personagens. O tira interpretado por Michael Douglas é de fato um corrupto das ruas, um cara que rouba dinheiro de traficantes se eles derem mole. Assim caiu por terra aquele velho clichê dos roteiros onde o protagonista sempre era um inocente injustamente acusado de um crime. Enfim, bom filme policial. Ridley Scott sempre foi um mestre mesmo!

Pablo Aluísio. 

A Guerra dos Roses

Título no Brasil: A Guerra dos Roses
Título Original: The War of the Roses
Ano de Produção: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Danny DeVito
Roteiro: Warren Adler, Michael Leeson
Elenco: Michael Douglas, Kathleen Turner, Danny DeVito, Marianne Sägebrecht, Sean Astin, Heather Fairfield

Sinopse:
Oliver Rose (Michael Douglas) é casado com Barbara Rose (Kathleen Turner). Após muitos anos de casamento a vida em comum começa a se tornar insuportável. E aí que surge o advogado Gavin D'Amato (Danny DeVito) pronto para se colocar no meio da guerra que surge entre o casal.

Comentários:
Danny DeVito dirigiu e atuou nesse filme e chamou para participar seu amigo de longa data Michael Douglas. Era uma comédia no fundo, indo para um lado mais de humor negro, mas que funcionou muito bem. Na realidade o roteiro é um longo "estudo" sobre os motivos e as razões que podem levar ao fim de um casamento. O marasmo, o tédio, o dia a dia massacrante que destrói todo tipo de paixão e amor que um dia havia existido no relacionamento do casal. O curioso é que o roteiro tem também espaço para momentos bem pastelão como pratos voando, socos, gente caindo pela escada. A trilha sonora apela para o vintage, para o clássico, com destaque para a música "Only You" do grupo The Platters, só que aqui sendo usada não em seu efeito romântico, mas como uma ironia do que poderia ser um grande amor, mas que termina em desastre completo. Filme indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Atriz (Kathleen Turner) e Melhor Ator (Michael Douglas).

Pablo Aluísio.

sábado, 19 de setembro de 2026

Chuva Negra

Chuva Negra
Nick Conklin (Michael Douglas) é um policial norte-americano que é designado para levar um perigoso criminoso até o Japão e entregar sua custódia às autoridades locais. Chegando lá é enganado e acaba entregando o bandido para seus antigos companheiros de crime. Parte então para tentar corrigir seu erro caçando o fugitivo pelas ruas japonesas. Filmes dos anos 80 usaram e abusaram de gelo seco, néon e trilhas sonoras cheias de sintetizadores. Esse "Chuva Negra" não nega sua origem e nem a época em que foi realizado. O diferencial fica por conta da direção de Ridley Scott. O filme é visualmente muito bonito justamente por causa de seu trabalho. Ridley nasceu como cineasta no mercado publicitário e levou todos os maneirismos desse meio para seus filmes. Cada tomada parece ser um comercial de algum produto à venda. De qualquer maneira também procurou dar o melhor de si, aproveitando ao máximo a beleza natural das locações realizadas no Japão, chegando ao ponto de usar a famosa poluição visual das grandes cidades japonesas em seu favor. O roteiro não é inovador, pelo contrário, repete de certa fórmula que foi muito usada nos policiais daquela década. Michael Douglas ao lado de Andy Garcia conseguem manter o interesse pois carisma é o que não falta à dupla de atores.

A única critica maior que tenho a fazer a "Chuva Negra" é a forma muito estereotipada que os japoneses são mostrados em cena. Todos eles são de uma forma ou outra clichês orientais ambulantes. Até o parceiro de Douglas no Japão, interpretado pelo bom ator Ken Takakura, não consegue fugir a isso. O fato é que na época em que o filme foi lançado Japão e EUA disputavam uma ferrenha guerra comercial. Grandes grupos japoneses estavam adquirindo empresas americanas em um ritmo jamais visto. Até no meio cinematográfico isso vinha ocorrendo com a compra da Columbia Pictures pelo grupo Sony. Isso de certa forma mexeu com os brios dos americanos que resolveram se vingar dos orientais nas telas, geralmente os retratando como caricaturas e não como personagens reais. Apesar disso "Chuva Negra" ainda é um bom filme policial dos anos 1980. Diverte e serve como bom passatempo. Pode conferir sem receios.

Chuva Negra (Black Rain, Estados Unidos, 1989) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Craig Bolotin, Warren Lewis / Elenco: Michael Douglas, Andy Garcia, Ken Takakura / Sinopse: Nick Conklin (Michael Douglas) é um policial norte-americano que é designado para levar um perigoso criminoso até o Japão e entregar sua custódia às autoridades locais. Chegando lá é enganado e acaba entregando o bandido para seus antigos companheiros de crime. Parte então para tentar corrigir seu erro caçando o fugitivo pelas ruas do Japão.

Pablo Aluísio.

A Jóia do Nilo

A Jóia do Nilo
Já que “Tudo Por Uma Esmeralda” se tornou um grande sucesso de bilheteria sua continuação viria mais cedo ou mais tarde, era apenas uma questão de tempo. Afinal de contas em Hollywood nada se desperdiça, até filmes que não dão margem a seqüências acabam ganhando novas produções, tudo obviamente em busca de gordas bilheterias. Michael Douglas não queria voltar ao personagem do aventureiro cínico Jack T. Colton. Em entrevistas na época o ator explicou que fazer o primeiro filme tinha sido muito divertido mas que aquilo certamente não era bem o caminho que ele queria seguir como intérprete sério. De fato Douglas estava obcecado em ganhar um Oscar para ser finalmente reconhecido dentro da indústria não apenas como um astro de sucesso mas também como um profissional respeitado no meio. Era óbvio que ele não chegaria nesse status interpretando personagens como Jack T. Colton, um “Indiana Jones” mais ácido e falastrão.

O estúdio porém não desistiu. As ofertas continuaram a chegar na mesa de Michael Douglas até o ponto em que a proposta, segundo as próprias palavras do ator “se tornou indecente”. O cachê era milionário! Com todo aquele dinheiro sobre a mesa Michael Douglas finalmente disse sim ao projeto. Também ganhou partes na bilheteria, caso o filme se tornasse um novo sucesso. De certa forma esse “A Jóia do Nilo” faz parte daquele tipo de continuação que conhecemos bem, ou seja, é um filme feito para ser igual ao primeiro, com mudanças pontuais aqui e acolá, para ficar tudo menos óbvio demais. Ao invés da estória se passar na América do Sul temos agora o casal de aventureiros na África, em busca novamente de uma jóia maravilhosa e rara, tal como acontecia na primeira aventura.  O fã de “Tudo Por Uma Esmeralda” certamente não teve o que reclamar. As mesmas cenas ao estilo aventura em ambientes hostis estão presentes e o carisma do casal volta a funcionar em cena. Não é um grande filme, de fato é bem inferior ao primeiro, mas pelo menos mantém o clima divertido. E diversão é, em última análise, tudo o que esse filme queria proporcionar ao seu espectador. Missão cumprida então.

A Jóia do Nilo (The Jewel of the Nile, Estados Unidos, 1984) Direção: Lewis Teague / Roteiro: Mark Rosenthal, Lawrence Konner, Diane Thomas / Elenco: Michael Douglas, Kathleen Turner, Danny DeVito / Sinopse: O casal formado pelo aventureiro Jack T. Colton (Michael Douglas) e pela romancista Joan Wilder (Kathleen Turner) volta a viver grandes aventuras, só que dessa vez no norte da África.

Pablo Aluísio.

O Esquadrão da Justiça

Título no Brasil: O Esquadrão da Justiça
Título Original: The Star Chamber
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Peter Hyams
Roteiro: Roderick Taylor, Peter Hyams
Elenco: Michael Douglas, Hal Holbrook, Yaphet Kotto, Sharon Gless, James Sikking, Joe Regalbuto

Sinopse:
O juiz Steven Hardin (Michael Douglas) não acredita mais na lei. Ele fica frustrado por ter que libertar criminosos perigosos, porém deve seguir sempre o que determina a lei. Depois de anos indignado decide formar um grupo para fazer justiça fora dos processos e dos trâmites legais. Ele decide executar por conta própria os piores criminosos que ficaram impunes.

Comentários:
Quando o filme começa o espectador fica chocado ao ver um juiz se tornando justiceiro. E o roteiro parece mesmo chancelar tudo o que acontece na tela, com um juiz mandando matar presos que ele mesmo mandou soltar. Ele quer justiça pelas próprias mãos, sem códigos, sem processos, sem lei nenhuma. Claro, temos aqui uma mensagem puramente fascista. Porém como poderia um progressista como o ator Michael Douglas entrar em um filme com uma mensagem tão perigosa como essa? Calma, o espectador deve ter calma. Lá pela parte final do filme vem a grande mensagem de que sem lei e sem processo não há como fazer justiça. O tal justiçamento dá errado e pessoas inocentes são executadas. Sangue nas mãos, sangue de pessoas que não fizeram nada de errado. O sistema de justiça pelas próprias mãos se mostra falho. Grande filme, grande roteiro, que traz uma mensagem mais atual do que nunca. E pensar que ainda hoje há pessoas que defendem justamente o que esse filme condena. Estão completamente obtusos. Uma mentalidade que não encontra mais espaço em países de primeiro mundo. A civilidade segue por outro caminho, que seguramente não é o da bárbarie e da violência insana.

Pablo Aluísio.