sábado, 19 de setembro de 2026

Chuva Negra

Chuva Negra
Nick Conklin (Michael Douglas) é um policial norte-americano que é designado para levar um perigoso criminoso até o Japão e entregar sua custódia às autoridades locais. Chegando lá é enganado e acaba entregando o bandido para seus antigos companheiros de crime. Parte então para tentar corrigir seu erro caçando o fugitivo pelas ruas japonesas. Filmes dos anos 80 usaram e abusaram de gelo seco, néon e trilhas sonoras cheias de sintetizadores. Esse "Chuva Negra" não nega sua origem e nem a época em que foi realizado. O diferencial fica por conta da direção de Ridley Scott. O filme é visualmente muito bonito justamente por causa de seu trabalho. Ridley nasceu como cineasta no mercado publicitário e levou todos os maneirismos desse meio para seus filmes. Cada tomada parece ser um comercial de algum produto à venda. De qualquer maneira também procurou dar o melhor de si, aproveitando ao máximo a beleza natural das locações realizadas no Japão, chegando ao ponto de usar a famosa poluição visual das grandes cidades japonesas em seu favor. O roteiro não é inovador, pelo contrário, repete de certa fórmula que foi muito usada nos policiais daquela década. Michael Douglas ao lado de Andy Garcia conseguem manter o interesse pois carisma é o que não falta à dupla de atores.

A única critica maior que tenho a fazer a "Chuva Negra" é a forma muito estereotipada que os japoneses são mostrados em cena. Todos eles são de uma forma ou outra clichês orientais ambulantes. Até o parceiro de Douglas no Japão, interpretado pelo bom ator Ken Takakura, não consegue fugir a isso. O fato é que na época em que o filme foi lançado Japão e EUA disputavam uma ferrenha guerra comercial. Grandes grupos japoneses estavam adquirindo empresas americanas em um ritmo jamais visto. Até no meio cinematográfico isso vinha ocorrendo com a compra da Columbia Pictures pelo grupo Sony. Isso de certa forma mexeu com os brios dos americanos que resolveram se vingar dos orientais nas telas, geralmente os retratando como caricaturas e não como personagens reais. Apesar disso "Chuva Negra" ainda é um bom filme policial dos anos 1980. Diverte e serve como bom passatempo. Pode conferir sem receios.

Chuva Negra (Black Rain, Estados Unidos, 1989) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Craig Bolotin, Warren Lewis / Elenco: Michael Douglas, Andy Garcia, Ken Takakura / Sinopse: Nick Conklin (Michael Douglas) é um policial norte-americano que é designado para levar um perigoso criminoso até o Japão e entregar sua custódia às autoridades locais. Chegando lá é enganado e acaba entregando o bandido para seus antigos companheiros de crime. Parte então para tentar corrigir seu erro caçando o fugitivo pelas ruas do Japão.

Pablo Aluísio.

A Jóia do Nilo

A Jóia do Nilo
Já que “Tudo Por Uma Esmeralda” se tornou um grande sucesso de bilheteria sua continuação viria mais cedo ou mais tarde, era apenas uma questão de tempo. Afinal de contas em Hollywood nada se desperdiça, até filmes que não dão margem a seqüências acabam ganhando novas produções, tudo obviamente em busca de gordas bilheterias. Michael Douglas não queria voltar ao personagem do aventureiro cínico Jack T. Colton. Em entrevistas na época o ator explicou que fazer o primeiro filme tinha sido muito divertido mas que aquilo certamente não era bem o caminho que ele queria seguir como intérprete sério. De fato Douglas estava obcecado em ganhar um Oscar para ser finalmente reconhecido dentro da indústria não apenas como um astro de sucesso mas também como um profissional respeitado no meio. Era óbvio que ele não chegaria nesse status interpretando personagens como Jack T. Colton, um “Indiana Jones” mais ácido e falastrão.

O estúdio porém não desistiu. As ofertas continuaram a chegar na mesa de Michael Douglas até o ponto em que a proposta, segundo as próprias palavras do ator “se tornou indecente”. O cachê era milionário! Com todo aquele dinheiro sobre a mesa Michael Douglas finalmente disse sim ao projeto. Também ganhou partes na bilheteria, caso o filme se tornasse um novo sucesso. De certa forma esse “A Jóia do Nilo” faz parte daquele tipo de continuação que conhecemos bem, ou seja, é um filme feito para ser igual ao primeiro, com mudanças pontuais aqui e acolá, para ficar tudo menos óbvio demais. Ao invés da estória se passar na América do Sul temos agora o casal de aventureiros na África, em busca novamente de uma jóia maravilhosa e rara, tal como acontecia na primeira aventura.  O fã de “Tudo Por Uma Esmeralda” certamente não teve o que reclamar. As mesmas cenas ao estilo aventura em ambientes hostis estão presentes e o carisma do casal volta a funcionar em cena. Não é um grande filme, de fato é bem inferior ao primeiro, mas pelo menos mantém o clima divertido. E diversão é, em última análise, tudo o que esse filme queria proporcionar ao seu espectador. Missão cumprida então.

A Jóia do Nilo (The Jewel of the Nile, Estados Unidos, 1984) Direção: Lewis Teague / Roteiro: Mark Rosenthal, Lawrence Konner, Diane Thomas / Elenco: Michael Douglas, Kathleen Turner, Danny DeVito / Sinopse: O casal formado pelo aventureiro Jack T. Colton (Michael Douglas) e pela romancista Joan Wilder (Kathleen Turner) volta a viver grandes aventuras, só que dessa vez no norte da África.

Pablo Aluísio.

O Esquadrão da Justiça

Título no Brasil: O Esquadrão da Justiça
Título Original: The Star Chamber
Ano de Produção: 1983
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Peter Hyams
Roteiro: Roderick Taylor, Peter Hyams
Elenco: Michael Douglas, Hal Holbrook, Yaphet Kotto, Sharon Gless, James Sikking, Joe Regalbuto

Sinopse:
O juiz Steven Hardin (Michael Douglas) não acredita mais na lei. Ele fica frustrado por ter que libertar criminosos perigosos, porém deve seguir sempre o que determina a lei. Depois de anos indignado decide formar um grupo para fazer justiça fora dos processos e dos trâmites legais. Ele decide executar por conta própria os piores criminosos que ficaram impunes.

Comentários:
Quando o filme começa o espectador fica chocado ao ver um juiz se tornando justiceiro. E o roteiro parece mesmo chancelar tudo o que acontece na tela, com um juiz mandando matar presos que ele mesmo mandou soltar. Ele quer justiça pelas próprias mãos, sem códigos, sem processos, sem lei nenhuma. Claro, temos aqui uma mensagem puramente fascista. Porém como poderia um progressista como o ator Michael Douglas entrar em um filme com uma mensagem tão perigosa como essa? Calma, o espectador deve ter calma. Lá pela parte final do filme vem a grande mensagem de que sem lei e sem processo não há como fazer justiça. O tal justiçamento dá errado e pessoas inocentes são executadas. Sangue nas mãos, sangue de pessoas que não fizeram nada de errado. O sistema de justiça pelas próprias mãos se mostra falho. Grande filme, grande roteiro, que traz uma mensagem mais atual do que nunca. E pensar que ainda hoje há pessoas que defendem justamente o que esse filme condena. Estão completamente obtusos. Uma mentalidade que não encontra mais espaço em países de primeiro mundo. A civilidade segue por outro caminho, que seguramente não é o da bárbarie e da violência insana.

Pablo Aluísio.

sábado, 12 de setembro de 2026

Caçada Humana

Caçada Humana
Existe críticos que classificam esse filme como um western. Bom, eu não concordaria com esse tipo de visão. Não é um filme passado nos séculos XVIII e XIX e nem conta uma história sobre a colonização do Oeste Selvagem. Na realidade é um filme passado nos anos 60, mostrando a ebulição social que ocorria dentro da sociedade norte-americana naquele período histórico. Marlon Brando está excelente como um xerife de uma pequena cidade do sul. O ator que sempre foi um liberal e um progressista de carteirinha, usou esse papel para de certa forma denunciar o racismo, a corrupção e até mesmo a mentalidade fascista de homens da lei que imperavam naquele momento. Brando usa seu papel para mostrar o tipo mais asqueroso possível. E nesse processo certamente sentiu um grande prazer em denunciar no cinema esse tipo de facínora fardado. 

Jane Fonda era jovem e linda quando realizou esse filme. Realmente ela estava na sua melhor forma, ainda colhendo os frutos de sua juventude. Já era, mesmo naquela idade, uma boa atriz, mas vamos convir que não conseguia fazer frente ao talento de Brando. Quando eles contracenam no filme isso fica bem claro. Brando parece uma força da natureza em sua atuação, já ela parece estar meio assustada e isso não era bem uma característica de sua personagem. Há claramente um desnível de atuação entre eles dois. O resto do elenco é excelente, contando inclusive com jovens atores que iriam virar astros em Hollywood como o próprio Robert Redford! Enfim, esse pode ser considerado um dos bons filmes de Brando naquela fase em que sua carreira estava em baixa em termos de bilheteria. Não fez o sucesso esperado e nem conseguiu dar um alívio para Brando no aspecto puramente comercial, mas é sem dúvida um grande filme de sua carreira. 

Caçada Humana (The Chase, Estados Unidos, 1966) Direção: Arthur Penn / Roteiro: Arthur Penn, Horton Foote / Elenco: Marlon Brando, Jane Fonda, Robert Redford, Angie Dickinson, Robert Duvall, James Fox, Jocelyn Brando / Sinopse: Numa pequena cidade sulista dos Estados Unidos, um xerife violento e brutal caça um fugitivo da justiça. E essa caçada se torna a maior de suas obsessões pessoais. 

Pablo Aluísio. 

Essa Mulher é Proibida

Título no Brasil: Essa Mulher é Proibida
Título Original: This Property Is Condemned
Ano de Lançamento: 1966
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Sydney Pollack
Roteiro: Francis Ford Coppola, Fred Coe e Edith Sommer, baseado em peça de Tennessee Williams
Elenco: Natalie Wood, Robert Redford, Charles Bronson, Kate Reid, Mary Badham e Robert Blake

Sinopse: 
Durante a Grande Depressão, Owen Legate, funcionário de uma companhia ferroviária, chega à pequena cidade de Dodson, no Mississippi, com a missão de fechar parte da ferrovia e dispensar vários trabalhadores. Ele se hospeda na pensão de Hazel Starr e conhece suas duas filhas, Alva e Willie. Alva é uma jovem muito bonita e ambiciosa, acostumada a chamar a atenção dos homens da cidade e sonhando com uma vida melhor longe daquele lugar. Ao conhecer Owen, ela acredita ter encontrado a oportunidade de escapar para uma vida diferente e se apaixona por ele. Owen, porém, tenta manter distância, sabendo que sua presença na cidade está diretamente relacionada ao fim dos empregos e à decadência econômica do local. A situação se complica ainda mais por causa da mãe de Alva, que possui seus próprios interesses e tenta controlar o futuro da filha. O relacionamento entre Alva e Owen acaba provocando conflitos e contribuindo para uma série de acontecimentos trágicos.

Comentários: 
Essa Mulher é Proibida foi um dos primeiros trabalhos importantes de Sydney Pollack no cinema e também marcou a primeira colaboração entre o diretor e Robert Redford, parceria que posteriormente produziria vários filmes conhecidos. A produção adapta livremente uma peça de Tennessee Williams e procura transformar a história teatral em um drama romântico de grandes proporções. Natalie Wood interpreta Alva com uma combinação de fragilidade, sensualidade e ambição, enquanto Robert Redford apresenta Owen como um homem mais reservado, determinado a cumprir sua missão profissional. Charles Bronson e Kate Reid também se destacam, especialmente Kate Reid como a controladora Hazel. A fotografia de James Wong Howe contribui para criar uma atmosfera quente, melancólica e decadente, combinando a paisagem do sul dos Estados Unidos com a sensação de fim de uma época. A química entre Wood e Redford foi bastante elogiada posteriormente, e o filme permanece como um exemplo interessante do cinema dramático americano dos anos 1960.

A recepção crítica na época foi dividida. A Variety considerou o filme bem produzido e bem interpretado, destacando sua capacidade de tratar um tema adulto sem cair no exagero melodramático, enquanto Bosley Crowther, do The New York Times, foi bastante mais severo e criticou a história por considerá-la sentimental e pouco convincente. Atualmente, o filme possui 62% de aprovação entre os críticos no Rotten Tomatoes, mostrando que continua sendo uma obra de avaliação intermediária. Natalie Wood recebeu uma indicação ao Globo de Ouro por sua atuação, e o filme também é lembrado pela presença de nomes que posteriormente alcançariam grande importância no cinema, como Coppola na elaboração do roteiro e Pollack atrás das câmeras. Embora não tenha alcançado o mesmo prestígio de outros filmes de Pollack e Redford, Essa Mulher é Proibida conserva interesse justamente por reunir grandes talentos em uma história marcada por desejo, ambição, decadência e frustração. Hoje, é particularmente valorizado por admiradores de Natalie Wood, Robert Redford e do cinema americano dos anos 1960.

Erick Steve. 

sábado, 5 de setembro de 2026

À Procura do Destino

Título no Brasil: À Procura do Destino
Título Original: Inside Daisy Clover
Ano de Lançamento: 1965
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros. Pictures
Direção: Robert Mulligan
Roteiro: Gavin Lambert
Elenco: Natalie Wood, Christopher Plummer, Robert Redford, Ruth Gordon, Roddy McDowall, Katharine Bard

Sinopse:
Em 1936, Daisy Clover é uma adolescente rebelde que vive com a mãe em condições precárias em uma pequena cidade litorânea. Seu talento como cantora chama a atenção do poderoso produtor cinematográfico Raymond Swan, que a leva para Hollywood e transforma a jovem em uma estrela. Daisy rapidamente se torna uma sensação nacional, mas descobre que o glamour do cinema esconde um mundo de manipulação, exploração e crueldade. Sua vida pessoal também se complica quando se envolve com Wade Lewis, um jovem astro cuja personalidade é tão problemática quanto a própria indústria que os transformou em celebridades. À medida que Daisy perde o controle sobre sua imagem e sua vida, a promessa do sonho hollywoodiano começa a revelar seu lado mais sombrio.

Comentários:
Inside Daisy Clover recebeu uma recepção bastante dividida em seu lançamento e acabou sendo considerado um fracasso tanto de crítica quanto de público. A Variety publicou uma avaliação do filme ainda em dezembro de 1964, enquanto o The New York World-Telegram and The Sun foi bastante crítico, considerando que a sátira de Hollywood não conseguia produzir o efeito cômico pretendido. Décadas depois, a avaliação continuou controversa: a The New Yorker, em textos de Pauline Kael e David Denby, apontou problemas no roteiro, no ritmo e na direção, embora reconhecesse elementos interessantes na produção. A Time Out, por outro lado, observou que aquilo que originalmente parecia excessivamente ambíguo e artificial passou a adquirir certo charme e sutileza com o passar dos anos. Com orçamento estimado em US$ 4,5 milhões, o filme não encontrou seu público nos cinemas e teve desempenho comercial decepcionante. Sua situação foi agravada pelo corte de aproximadamente 21 minutos antes do lançamento, o que, segundo o Turner Classic Movies, contribuiu para que a produção parecesse dividida entre uma sátira de Hollywood e um melodrama. Apesar do fracasso inicial, Inside Daisy Clover recebeu três indicações ao Oscar, incluindo Melhor Atriz Coadjuvante para Ruth Gordon, e Gordon venceu o Globo de Ouro, enquanto Robert Redford recebeu o Globo de Ouro de revelação masculina.

Com o passar das décadas, o filme passou por uma interessante reavaliação. Exibido repetidamente na televisão e posteriormente disponibilizado em vídeo doméstico, acabou conquistando um status cult que não possuía quando chegou aos cinemas. Atualmente, é particularmente valorizado pela interpretação de Natalie Wood, pelo trabalho de Robert Redford em uma fase inicial de sua carreira e pela representação amarga dos mecanismos de fabricação de estrelas da Hollywood clássica. O BFI mantém a obra em seu catálogo, enquanto análises contemporâneas reconhecem que seus excessos e sua estranheza também fazem parte de seu interesse. Hoje, Inside Daisy Clover é visto menos como um grande sucesso de Hollywood e mais como uma obra incomum, sombria e subestimada sobre o preço da fama e a exploração da indústria cinematográfica.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Situação Crítica Porém Jeitosa

Título no Brasil: Situação Crítica Porém Jeitosa
Título Original: Situation Hopeless -- But Not Serious
Ano de Lançamento: 1965
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Gottfried Reinhardt
Roteiro: Silvia Reinhardt, Jan Lustig
Elenco: Alec Guinness, Mike Connors, Robert Redford, Anita Höfer, Mady Rahl, Paul Dahlke

Sinopse:
Durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial, dois aviadores americanos, o Capitão Hank Wilson e o Sargento Lucky Finder, são abatidos sobre a Alemanha e acabam capturados por Wilhelm Frick, um solitário alemão que os mantém presos no porão de sua casa. Frick, porém, não é um típico carcereiro: trata os prisioneiros com relativa gentileza e, sobretudo, aprecia a companhia deles. O problema é que a guerra chega ao fim, mas Frick decide não contar a verdade aos americanos. Assim, Wilson e Finder permanecem confinados durante anos, acreditando que ainda são prisioneiros de guerra. A situação absurda transforma-se gradualmente em uma comédia de humor negro sobre isolamento, manipulação psicológica e as consequências da guerra. O filme foi baseado no romance The Hiding Place, de Robert Shaw.

Comentários:
Situation Hopeless -- But Not Serious é uma produção bastante peculiar dentro do cinema americano de guerra dos anos 1960, combinando comédia absurda, sátira e elementos de drama psicológico. O filme foi dirigido por Gottfried Reinhardt, filho do célebre diretor teatral Max Reinhardt, e contou com Alec Guinness no papel central de Wilhelm Frick. A presença de Guinness confere ao personagem uma mistura de excentricidade, melancolia e ameaça que impede que a história seja simplesmente uma comédia convencional. Robert Redford, ainda no início de sua carreira cinematográfica, interpreta o Capitão Hank Wilson, em uma de suas primeiras participações importantes no cinema. A Variety e outros veículos especializados receberam o filme de maneira relativamente discreta, enquanto a produção permaneceu muito menos conhecida do que outras comédias de guerra da década. Atualmente, a ausência de avaliações críticas agregadas no Rotten Tomatoes demonstra também como o longa permaneceu fora do circuito de reavaliações críticas mais amplo.

Do ponto de vista comercial, o filme não se transformou em um grande sucesso. Registros históricos de bilheteria o colocam apenas na parte inferior do ranking dos lançamentos americanos de 1965, com desempenho bastante modesto em comparação com os principais sucessos daquele ano. O interesse contemporâneo pela obra está menos relacionado à sua carreira comercial e mais ao seu elenco e à natureza incomum de sua história. Situation Hopeless -- But Not Serious também possui importância retrospectiva por representar uma das primeiras aparições cinematográficas de Robert Redford, antes de sua transformação em um dos maiores astros de Hollywood nas décadas seguintes. A crítica e o público atuais tendem a considerá-lo uma produção irregular, mas curiosa, especialmente para admiradores de Alec Guinness e Redford. No IMDb, o filme apresenta atualmente nota de aproximadamente 5,9/10, enquanto avaliações de espectadores destacam justamente seu caráter estranho e satírico. Seu legado permanece, portanto, principalmente como uma pequena e esquecida comédia de guerra dos anos 1960, recuperada ocasionalmente por cinéfilos interessados nos primeiros trabalhos de Robert Redford e na filmografia menos conhecida de Alec Guinness.

Erick Steve.