sábado, 18 de julho de 2026

Império do Sol

Império do Sol
O filme Império do Sol (Empire of the Sun) foi lançado em 11 de dezembro de 1987, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Christian Bale, John Malkovich, Miranda Richardson, Nigel Havers, Joe Pantoliano e Leslie Phillips. Baseado no romance semiautobiográfico de J. G. Ballard, o filme narra a história de Jim Graham, um garoto britânico pertencente a uma família rica que vive em Xangai durante a Segunda Guerra Mundial. Após a invasão japonesa da cidade em 1941, Jim é separado de seus pais e acaba sobrevivendo sozinho até ser enviado para um campo de prisioneiros. Lá, o menino precisa amadurecer rapidamente para enfrentar a fome, a violência e as incertezas da guerra, formando amizades improváveis e descobrindo a dura realidade da sobrevivência. Enquanto observa o conflito transformar completamente o mundo ao seu redor, Jim mantém viva a esperança de reencontrar sua família. Spielberg constrói uma narrativa épica e profundamente emocional sobre a perda da inocência, o impacto da guerra e a extraordinária capacidade humana de resistir às adversidades.

Quando foi lançado, Império do Sol recebeu uma recepção crítica majoritariamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como "uma realização visual impressionante", elogiando a direção de Steven Spielberg e a maturidade com que abordou um tema tão complexo. O Los Angeles Times destacou a extraordinária atuação do jovem Christian Bale, então com apenas treze anos, afirmando que ele carregava o filme com notável naturalidade e intensidade dramática. A revista Variety classificou a produção como "um épico de rara sensibilidade", ressaltando a fotografia, a direção de arte e a recriação histórica da Xangai ocupada pelos japoneses. Alguns críticos observaram que o ritmo contemplativo da narrativa diferia bastante do estilo mais comercial de Spielberg, mas praticamente todos reconheceram a qualidade artística da obra. A fotografia de Allen Daviau, a trilha sonora de John Williams e a direção cuidadosa de Spielberg receberam elogios quase unânimes. O consenso geral foi de que o diretor havia realizado um de seus trabalhos mais ambiciosos e maduros.

Na temporada de premiações, Império do Sol recebeu seis indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Som, embora não tenha conquistado nenhuma estatueta. O filme também recebeu indicações ao Globo de Ouro, incluindo Melhor Filme – Drama e Melhor Diretor para Steven Spielberg. A atuação de Christian Bale foi amplamente celebrada pela crítica, mesmo sem receber indicação ao Oscar, sendo considerada uma das melhores interpretações infantis da história do cinema. Publicações como The New Yorker elogiaram especialmente a capacidade de Spielberg de equilibrar espetáculo visual e emoção humana. Com o passar dos anos, muitos estudiosos passaram a considerar Império do Sol uma das obras mais subestimadas da filmografia do diretor, destacando sua sofisticação narrativa e sua abordagem sensível da guerra.

Do ponto de vista comercial, Império do Sol obteve um desempenho moderado nas bilheterias. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 35 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 67 milhões em todo o mundo. Embora tenha recuperado seu investimento, o filme ficou abaixo das expectativas comerciais normalmente associadas às produções dirigidas por Spielberg. Muitos analistas atribuíram esse resultado ao tom dramático e contemplativo da narrativa, bastante diferente dos grandes sucessos de aventura que marcaram sua carreira na década de 1980. Ainda assim, o público que assistiu ao filme elogiou sua força emocional, a qualidade técnica e, sobretudo, a impressionante atuação de Christian Bale. Com o tempo, as exibições na televisão, o mercado de vídeo doméstico e as edições em DVD e Blu-ray contribuíram para ampliar significativamente sua audiência e consolidar sua reputação.

Atualmente, Império do Sol é considerado um dos filmes mais importantes e emocionalmente profundos da carreira de Steven Spielberg. Muitos críticos o colocam entre suas melhores obras, ao lado de Schindler's List, Saving Private Ryan e The Color Purple. A interpretação de Christian Bale é amplamente reconhecida como uma das maiores atuações de um jovem ator na história do cinema, antecipando a carreira brilhante que ele desenvolveria nas décadas seguintes. A fotografia, a trilha sonora de John Williams e a reconstituição histórica continuam sendo referências de excelência técnica. Além disso, o filme é frequentemente utilizado em estudos sobre representações da Segunda Guerra Mundial e sobre o amadurecimento infantil em situações extremas. Décadas após seu lançamento, Império do Sol permanece uma obra-prima do cinema dramático e um dos trabalhos mais sofisticados de Steven Spielberg.

Império do Sol (Empire of the Sun, Estados Unidos, 1987) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Tom Stoppard, baseado no romance Empire of the Sun, de J. G. Ballard / Elenco: Christian Bale, John Malkovich, Miranda Richardson, Nigel Havers, Joe Pantoliano e Leslie Phillips / Sinopse: Separado da família durante a ocupação japonesa de Xangai na Segunda Guerra Mundial, um garoto britânico luta para sobreviver em um campo de prisioneiros, onde perde a inocência e aprende duras lições sobre guerra, esperança e sobrevivência.

Erick Steve. 

A Cor Púrpura

A Cor Púrpura 
O filme A Cor Púrpura (The Color Purple) foi lançado em 18 de dezembro de 1985, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Whoopi Goldberg, Danny Glover, Margaret Avery, Oprah Winfrey, Willard E. Pugh e Akosua Busia. Baseado no romance homônimo vencedor do Prêmio Pulitzer, escrito por Alice Walker, o filme acompanha a vida de Celie, uma jovem afro-americana que cresce no sul dos Estados Unidos durante a primeira metade do século XX. Submetida a anos de abusos físicos e emocionais, ela é separada da irmã Nettie e forçada a viver em um casamento marcado pela violência. Ao longo das décadas, Celie encontra apoio e amizade em mulheres como Shug Avery e Sofia, que a ajudam a descobrir sua própria força, dignidade e independência. A narrativa aborda temas como racismo, machismo, violência doméstica, espiritualidade e superação, compondo um retrato profundamente humano da busca por liberdade e autoestima. O filme representou um marco importante na carreira de Steven Spielberg, que pela primeira vez dirigiu um drama de grande carga emocional sem elementos de aventura ou fantasia.

Quando foi lançado, A Cor Púrpura recebeu uma recepção crítica amplamente positiva, embora também tenha despertado algumas controvérsias. O The New York Times elogiou a sensibilidade de Steven Spielberg ao adaptar um romance considerado complexo e afirmou que o diretor havia realizado "um drama profundamente emocionante e visualmente elegante". O Los Angeles Times destacou a força das interpretações, especialmente a estreia de Whoopi Goldberg no cinema, considerada uma revelação extraordinária. A revista Variety classificou o longa como "uma produção poderosa e emocionalmente devastadora", elogiando a fotografia, a trilha sonora de Quincy Jones e o elenco feminino. Já alguns críticos, entre eles vozes ligadas à comunidade afro-americana, argumentaram que Spielberg suavizou aspectos mais duros do romance de Alice Walker e reduziu algumas de suas dimensões políticas. Ainda assim, o consenso geral foi altamente favorável, reconhecendo o filme como uma das produções mais importantes de 1985.

O reconhecimento artístico foi expressivo. A Cor Púrpura recebeu 11 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz para Whoopi Goldberg, Melhor Atriz Coadjuvante para Margaret Avery e Oprah Winfrey, além de indicações para Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Trilha Sonora e Maquiagem. Entretanto, o filme entrou para a história por não vencer nenhuma das categorias, estabelecendo, na época, o recorde de maior número de indicações sem conquistar uma estatueta. A produção também recebeu diversas indicações ao Globo de Ouro, onde Whoopi Goldberg venceu o prêmio de Melhor Atriz em Drama, consolidando-se como uma das grandes revelações do cinema americano. Publicações como The New Yorker elogiaram especialmente a direção de Spielberg e a intensidade emocional das atuações. Com o passar dos anos, muitos críticos passaram a considerar a ausência de vitórias no Oscar uma das maiores injustiças da história da premiação.

Do ponto de vista comercial, A Cor Púrpura foi um grande sucesso. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 15 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 98 milhões nas bilheterias mundiais, sendo cerca de US$ 94 milhões provenientes do mercado norte-americano. O excelente desempenho demonstrou que dramas de temática social também podiam alcançar grande público. A recepção dos espectadores foi extremamente calorosa, impulsionada pelo forte boca a boca e pelas interpretações marcantes do elenco. O filme permaneceu durante meses em cartaz e tornou-se um sucesso duradouro em VHS, DVD, Blu-ray e televisão. A atuação de Whoopi Goldberg lançou sua carreira cinematográfica, enquanto Oprah Winfrey conquistou reconhecimento internacional como atriz antes de consolidar definitivamente seu império na televisão. O êxito comercial confirmou a capacidade de Spielberg de obter sucesso também fora do cinema de aventura.

Atualmente, A Cor Púrpura é considerado um dos maiores dramas produzidos por Hollywood na década de 1980 e uma das obras mais importantes da filmografia de Steven Spielberg. A interpretação de Whoopi Goldberg é frequentemente lembrada como uma das melhores estreias da história do cinema, enquanto Oprah Winfrey e Margaret Avery também permanecem amplamente elogiadas. O filme continua sendo estudado por sua relevância histórica e social, bem como por sua influência na representação da experiência das mulheres negras no cinema americano. Em 2005, a obra inspirou uma bem-sucedida adaptação para a Broadway, que posteriormente deu origem a uma nova versão cinematográfica em 2023. Quase quatro décadas após sua estreia, A Cor Púrpura permanece uma obra profundamente comovente, cuja mensagem de resistência, esperança e dignidade continua extremamente atual.

A Cor Púrpura (The Color Purple, Estados Unidos, 1985) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Menno Meyjes, baseado no romance The Color Purple, de Alice Walker / Elenco: Whoopi Goldberg, Danny Glover, Margaret Avery, Oprah Winfrey, Willard E. Pugh e Akosua Busia / Sinopse: Uma mulher negra enfrenta décadas de abuso, discriminação e separação familiar no sul dos Estados Unidos, encontrando força na amizade, no amor e na redescoberta de sua própria identidade até conquistar sua liberdade e dignidade.

Erick Steve. 

Indiana Jones e o Templo da Perdição

Indiana Jones e o Templo da Perdição
O filme Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom) foi lançado em 23 de maio de 1984, dirigido por Steven Spielberg e produzido por George Lucas. O elenco principal é formado por Harrison Ford, Kate Capshaw, Ke Huy Quan, Amrish Puri, Roshan Seth e Philip Stone. Embora tenha sido o segundo filme lançado da franquia, sua história se passa cronologicamente antes de Os Caçadores da Arca Perdida, em 1935. Após escapar de criminosos em Xangai, Indiana Jones, a cantora Willie Scott e o jovem Short Round caem de avião na Índia e chegam a uma aldeia assolada pela fome e pelo desaparecimento de suas crianças. Os moradores acreditam que uma pedra sagrada foi roubada, e Indy aceita a missão de recuperá-la. A investigação o conduz ao sinistro Palácio Pankot, onde uma seita secreta liderada pelo sacerdote Mola Ram realiza sacrifícios humanos e escraviza crianças para explorar minas subterrâneas. O filme combina aventura, ação, fantasia e elementos de terror, apresentando algumas das sequências mais intensas de toda a série.

Quando foi lançado, Indiana Jones e o Templo da Perdição recebeu uma recepção crítica positiva, mas mais dividida do que a de seu antecessor. O The New York Times elogiou o ritmo frenético e a inventividade das cenas de ação, afirmando que Steven Spielberg demonstrava novamente um domínio excepcional da linguagem cinematográfica. O Los Angeles Times destacou o espetáculo visual e a criatividade das sequências de aventura, especialmente a perseguição nos carrinhos de mina e a ponte suspensa. A revista Variety classificou o filme como "um espetáculo de ação extraordinário", ressaltando os efeitos especiais, a direção e o carisma de Harrison Ford. Entretanto, parte da crítica considerou o longa excessivamente sombrio e violento, principalmente em comparação com o tom mais leve de Os Caçadores da Arca Perdida. Também houve críticas à representação da cultura indiana, que muitos consideraram estereotipada. Apesar dessas ressalvas, a atuação de Harrison Ford foi novamente amplamente elogiada, assim como o humor proporcionado por Ke Huy Quan no papel de Short Round.

Na temporada de premiações, Indiana Jones e o Templo da Perdição conquistou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, reconhecimento pelo impressionante trabalho realizado pela Industrial Light & Magic. O filme também recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Trilha Sonora Original, composta por John Williams. Além disso, venceu o BAFTA de Melhores Efeitos Visuais Especiais. Embora não tenha alcançado o mesmo nível de aclamação crítica de seu predecessor, muitos especialistas reconheceram a ousadia de Spielberg ao explorar uma atmosfera mais sombria e elementos de horror dentro de uma aventura destinada ao grande público. O impacto do filme também teve consequências importantes para a indústria cinematográfica: devido às reclamações de pais sobre seu conteúdo violento, Steven Spielberg apoiou a criação da classificação PG-13 pela Motion Picture Association, introduzida poucos meses depois. Assim, o longa exerceu influência não apenas artística, mas também na regulamentação da classificação indicativa dos filmes nos Estados Unidos.

Do ponto de vista comercial, Indiana Jones e o Templo da Perdição foi um enorme sucesso. Produzido com um orçamento de aproximadamente US$ 28 milhões, arrecadou cerca de US$ 333 milhões nas bilheterias mundiais, tornando-se um dos maiores sucessos de 1984. Nos Estados Unidos, o filme faturou aproximadamente US$ 179 milhões, enquanto o mercado internacional respondeu por cerca de US$ 154 milhões. O público compareceu em massa aos cinemas, atraído pela popularidade de Harrison Ford e pelo enorme sucesso do primeiro filme da série. As espetaculares cenas de ação, os efeitos visuais inovadores e o ritmo acelerado conquistaram os espectadores, mesmo entre aqueles que consideravam a história mais sombria. Posteriormente, o filme tornou-se um enorme sucesso em VHS, DVD, Blu-ray e plataformas digitais, consolidando-se como um dos títulos mais populares da franquia.

Atualmente, Indiana Jones e o Templo da Perdição é visto de maneira muito mais favorável do que em seu lançamento. Muitos críticos modernos o consideram uma das aventuras mais ousadas dirigidas por Steven Spielberg, elogiando sua energia, criatividade visual e a disposição de explorar um tom mais sombrio. Sequências como a fuga inicial em Xangai, o jantar no Palácio Pankot, os sacrifícios conduzidos por Mola Ram, a perseguição nos carrinhos de mina e o confronto final na ponte suspensa tornaram-se clássicos do cinema de aventura. Embora as críticas à representação da cultura indiana continuem sendo debatidas, a maioria dos estudiosos reconhece a importância do filme para a evolução da franquia Indiana Jones. Quatro décadas após sua estreia, Indiana Jones e o Templo da Perdição permanece como um dos maiores filmes de aventura já produzidos e uma das obras mais memoráveis da parceria entre Steven Spielberg, George Lucas e Harrison Ford.

Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, Estados Unidos, 1984) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Willard Huyck e Gloria Katz, baseado em uma história de George Lucas / Elenco: Harrison Ford, Kate Capshaw, Ke Huy Quan, Amrish Puri, Roshan Seth e Philip Stone / Sinopse: Antes de enfrentar os nazistas em busca da Arca da Aliança, Indiana Jones viaja à Índia, onde precisa impedir uma seita fanática que escraviza crianças e realiza rituais macabros para dominar um poderoso artefato sagrado.

Erick Steve. 

domingo, 12 de julho de 2026

A Filha Perdida

A Filha Perdida
Mais um filme da lista do Oscar 2022. O filme conta dois momentos da vida da professora universitária Leda, um no passado, outro no presente. Quando tinha apenas vinte e poucos anos o seu sonho era entrar no mundo acadêmico, se tornar professora em uma boa universidade no norte dos Estados Unidos. Ela segue estudando e escrevendo artigos e fica muito feliz quando recebe uma oferta de emprego. Só que ela tem marido, duas filhas e tudo fica mais complicado. No passado a protagonista é interpretada pela atriz Jessie Buckley. Já no tempo presente encontramos Leda como uma mulher madura que vai até a Grécia passar um mês de férias. Divorciada, sozinha, ela só quer um tempo para escrever alguns artigos e esfriar a cabeça. Só que viajar para outro país de férias sozinha também traz seus riscos.

O grande tema desse roteiro é a discussão entre maternidade e vida profissional. Algumas mulheres sofrem muito para conciliar esses dois aspectos da vida. No caso de Leda ela tem duas filhas e ao mesmo tempo tenta entrar em um mercado de trabalho muito competitivo que é o mundo acadêmico e universitário. Tem que se esforçar muito, estudar muito, mas como fazer isso com duas filhas pequenas? Outro tema em discussão é que muitas mulheres simplesmente não possuem vocação para serem mães. A sociedade muitas vezes impõe isso a elas, como pressão social, gerando mulheres infelizes e frustradas. A personagem interpretada pela atriz Dakota Johnson vem para reforçar que isso atravessa gerações, não apenas no passado, mas no presente também. Ela é uma jovem mãe e não está nada satisfeita com esse papel.

Um filme que gostei, tanto do ponto de vista da proposta do roteiro como também pela bela interpretação de todo o elenco feminino. Aliás duas das atrizes que atuam no filme foram indicadas ao Oscar, algo raro de acontecer. Jessie Buckley, que interpreta a personagem principal em sua época de juventude, foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. Já a velha Leda, interpretada por uma ótima Olivia Colman, rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Nada mal para um filme que discute a mulher, em fases diferentes da vida e os desafios que surgem pela frente.

A Filha Perdida (The Lost Daughter, Estados Unidos, 2021) Direção: Maggie Gyllenhaal / Roteiro: Maggie Gyllenhaal / Elenco: Olivia Colman, Jessie Buckley, Dakota Johnson, Ed Harris, Peter Sarsgaard / Sinopse: A vida de uma mulher, uma professora universitária, em dois momentos distintos de sua vida. Quando jovem e mãe de duas crianças pequenas e na fase da maturidade quando tenta encontrar paz e tranquilidade numa viagem de férias na Grécia.  Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor atriz (Olivia Colman), melhor atriz coadjuvante (Jessie Buckley) e melhor roteiro adaptado (Maggie Gyllenhaal).

Pablo Aluísio.

Maus Momentos no Hotel Royale

Maus Momentos no Hotel Royale
Esse diretor Drew Goddard já tinha chamado minha atenção em "O Segredo da Cabana", filme que tentava desconstruir o gênero terror. Agora ele retorna com esse filme que tem uma trama bem elaborada. Tudo começa quando um homem desconhecido aluga um quarto em um hotel na fronteira de Nevada e Califórnia. Ele pega a chave e imediatamente começa a tirar a madeira do piso, tentando abrir um buraco no chão para colocar uma maleta. Não demora muito e uma segunda pessoa surge e o mata ali mesmo, sem maiores explicações. O tempo passa e dez anos depois, no mesmo hotel Royale, chega um grupo estranho de novos hóspedes. Jeff Bridges interpreta um suposto padre, que se hospeda ali para passar a noite. Na mesma hora em que entra no velho hotel encontra um vendedor de eletrodomésticos para donas de casa, aqui na pele do bom ator Jon Hamm de "Mad Men". Completando o quadro de novos visitantes estão uma cantora negra fracassada e uma mulher com cara de poucos amigos, na interpretação de Dakota Johnson.

Desconfie de tudo o que verá nas primeiras cenas, principalmente nas identidades daquelas pessoas. Nem tudo é o que aparenta ser. O próprio Hotel Royale não é apenas um cenário, mas praticamente um personagem no meio do enredo. Um daqueles estabelecimentos comerciais que faziam sucesso nos anos 1960, mas que depois entraram em franca decadência, com poucos hóspedes, geralmente viajantes perdidos em busca de uma boa noite de sono e nada mais. Para falar a verdade é quase uma nova versão do "Bates Motel" de Psicose, mas com decoração vintage mais colorida e brega. Enfim, um bom filme que me agradou. De modo em geral gosto desse tipo de enredo que vai se construindo aos poucos, ligando diversos personagens que parecem não ter qualquer ligação entre si. Uma amostra de bom roteiro, muito bem escrito.

Maus Momentos no Hotel Royale (Bad Times at the El Royale, Estados Unidos, 2018) Direção: Drew Goddard / Roteiro: Drew Goddard / Elenco: Jeff Bridges, Jon Hamm, Dakota Johnson, Cynthia Erivo, Chris Hemsworth, Lewis Pullman / Sinopse: Um grupo de desconhecidos chega em um velho hotel decadente da fronteira entre dois estados americanos, cada um deles com um propósito próprio, não muito claro. Qual seria a ligação que existiria entre cada uma daquelas pessoas?

Pablo Aluísio.

domingo, 5 de julho de 2026

Dragão Vermelho

Dragão Vermelho 
Hannibal Lecter já entrou no rol dos grandes personagens do cinema americano. O psicopata frio e calculista mas de alto QI já virou marca registrada. Surgiu para o grande público em "O Silêncio dos Inocentes" um filme que começou sua carreira de forma até despretensiosa mas que foi subindo degraus até ser aclamado pela Academia com um festival de prêmios. Após essa consagração o personagem retornou no péssimo "Hannibal", uma produção muito ruim e equivocada, baseado em um livro igualmente muito ruim, que parecia ter enterrado de vez o personagem para a sétima arte. Ainda bem que não desistiram dele pois esse "Dragão Vermelho" é em minha opinião a melhor transposição de Lecter para as telas. Baseado no livro de Thomas Harris esse é certamente o retrato mais fiel do serial killer. Embora seja um personagem de ficção Hannibal é na realidade uma fusão dos perfis de muitos psicopatas do mundo real. Tal como Norman Bates de "Psicose" o criminoso feito por Hopkins é na realidade um mosaico que reúne características de vários monstros assassinos que realmente existiram, tudo concentrado em um só personagem. Nesse "Dragão Vermelho" tudo é mais bem situado, explicado e caracterizado. Some-se a isso a boa trama e eis um filme realmente impecável sob qualquer ponto de vista. 

Uma das boas idéias de "Dragão Vermelho" é mostrar eventos que ocorreram cronologicamente antes de "O Silêncio dos Inocentes". Aqui um agente do FBI, William Graham (Edward Norton), procura ajuda com Lecter (Anthony Hopkins) para tentar capturar um novo serial killer chamado Francis Dollarhyde, interpretado com brilhantismo  por Ralph Fiennes. Sádico, extremamente desequilibrado e vivendo em um mundo de delírios, Francis leva toda uma cidade a um verdadeiro estado de pânico com seus crimes em série. O diretor Brett Ratner prima muito mais pelo suspense e tensão psicológica entre a dupla central do que pela escatologia pura e simples. Esse aliás é o grande mérito do filme. Ao invés do estilo mais cru, vulgar e grotesco de "Hannibal" o roteiro se apóia muito mais no clima sombrio e soturno no qual vivem esses homicidas do nosso tempo. Desnecessário recomendar o filme para os fãs do personagem. A trilogia original se encerrou aqui, o personagem infelizmente ainda voltou a dar as caras em um nova tentativa de revitalizar Hannibal nos cinemas mas foi uma tentativa frustrada. "Dragão Vermelho", por outro lado, é realmente o melhor já feito sobre o canibal famoso da ficção, fechando com chave de ouro sua melhor fase em Hollywood.

Dragão Vermelho (Red Dragon, Estados Unidos, 2002) Direção: Brett Ratner / Roteiro: Ted Tally / Elenco: Anthony Hopkins, Edward Norton, Ralph Fiennes, Harvey Keitel, Mary-Louise Parker, Emily Watson, Philip Seymour Hoffman / Sinopse: Famoso criminoso é procurado por agente do FBI para ajudar na busca de um serial killer que está à solta, jogando terror e medo na população de uma grande cidade americana.

Pablo Aluísio. 

O Bunker

Título no Brasil: O Bunker
Título Original: The Bunker, Le Bunker
Ano de Produção: 1981
País: Estados Unidos, França
Estúdio: Société Française de Production
Direção: George Schaefer
Roteiro: John Gay, James P. O'Donnell
Elenco: Anthony Hopkins, Richard Jordan, Cliff Gorman

Sinopse: 
Nos últimos dias da II Guerra Mundial o ditador nazista Adolf Hitler (Anthony Hopkins) não consegue mais sair de seu bunker pessoal em Berlim. No oeste os americanos avançam cada vez mais e no leste os russos derrotam os últimos focos de resistência alemão. Com as tropas soviéticas prestes a adentrar o limite da cidade símbolo do Terceiro Reich, Hitler toma as suas últimas decisões no poder.

Comentários:
Esse "O Bunker" foi um filme feito em 1981 para a TV contando os últimos momentos de Hitler antes da queda final de seu Terceiro Reich (que em suas palavras deveria durar mil anos!). A ação se passa em Berlim, durante os momentos finais da invasão russa na cidade. A história é a mesma de "A Queda", aquele conhecido filme sobre o fim de Hitler. Sem dúvida o grande atrativo aqui é a presença de Anthony Hopkins, um dos grandes atores da história do cinema, no papel de Hitler. Obviamente que duas produções sobre o mesmo tema acabaria gerando comparações. O Hitler de Hopkins é bem mais sereno, doentio, com tremores e um constante olhar vidrado, sempre perdido, sem direção. Não é tão furioso como o do outro filme. Em certo sentido até conseguimos nos comover com a situação extrema pelo qual ele passa. Afinal não havia mais nenhuma esperança. Era apenas uma questão de tempo e como todos sabemos o ditador preferiu se matar do que cair nas mãos do exército vermelho enfurecido que estava em sua busca. Anthony Hopkins consegue assim humanizar um dos maiores tiranos da história. Maior prova de seu talento não há. Enfim, fica a recomendação desse telefilme pouco visto mas que vale muito a pena conhecer.

Pablo Aluísio.