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sábado, 18 de julho de 2026

Império do Sol

Império do Sol
O filme Império do Sol (Empire of the Sun) foi lançado em 11 de dezembro de 1987, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Christian Bale, John Malkovich, Miranda Richardson, Nigel Havers, Joe Pantoliano e Leslie Phillips. Baseado no romance semiautobiográfico de J. G. Ballard, o filme narra a história de Jim Graham, um garoto britânico pertencente a uma família rica que vive em Xangai durante a Segunda Guerra Mundial. Após a invasão japonesa da cidade em 1941, Jim é separado de seus pais e acaba sobrevivendo sozinho até ser enviado para um campo de prisioneiros. Lá, o menino precisa amadurecer rapidamente para enfrentar a fome, a violência e as incertezas da guerra, formando amizades improváveis e descobrindo a dura realidade da sobrevivência. Enquanto observa o conflito transformar completamente o mundo ao seu redor, Jim mantém viva a esperança de reencontrar sua família. Spielberg constrói uma narrativa épica e profundamente emocional sobre a perda da inocência, o impacto da guerra e a extraordinária capacidade humana de resistir às adversidades.

Quando foi lançado, Império do Sol recebeu uma recepção crítica majoritariamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como "uma realização visual impressionante", elogiando a direção de Steven Spielberg e a maturidade com que abordou um tema tão complexo. O Los Angeles Times destacou a extraordinária atuação do jovem Christian Bale, então com apenas treze anos, afirmando que ele carregava o filme com notável naturalidade e intensidade dramática. A revista Variety classificou a produção como "um épico de rara sensibilidade", ressaltando a fotografia, a direção de arte e a recriação histórica da Xangai ocupada pelos japoneses. Alguns críticos observaram que o ritmo contemplativo da narrativa diferia bastante do estilo mais comercial de Spielberg, mas praticamente todos reconheceram a qualidade artística da obra. A fotografia de Allen Daviau, a trilha sonora de John Williams e a direção cuidadosa de Spielberg receberam elogios quase unânimes. O consenso geral foi de que o diretor havia realizado um de seus trabalhos mais ambiciosos e maduros.

Na temporada de premiações, Império do Sol recebeu seis indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Som, embora não tenha conquistado nenhuma estatueta. O filme também recebeu indicações ao Globo de Ouro, incluindo Melhor Filme – Drama e Melhor Diretor para Steven Spielberg. A atuação de Christian Bale foi amplamente celebrada pela crítica, mesmo sem receber indicação ao Oscar, sendo considerada uma das melhores interpretações infantis da história do cinema. Publicações como The New Yorker elogiaram especialmente a capacidade de Spielberg de equilibrar espetáculo visual e emoção humana. Com o passar dos anos, muitos estudiosos passaram a considerar Império do Sol uma das obras mais subestimadas da filmografia do diretor, destacando sua sofisticação narrativa e sua abordagem sensível da guerra.

Do ponto de vista comercial, Império do Sol obteve um desempenho moderado nas bilheterias. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 35 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 67 milhões em todo o mundo. Embora tenha recuperado seu investimento, o filme ficou abaixo das expectativas comerciais normalmente associadas às produções dirigidas por Spielberg. Muitos analistas atribuíram esse resultado ao tom dramático e contemplativo da narrativa, bastante diferente dos grandes sucessos de aventura que marcaram sua carreira na década de 1980. Ainda assim, o público que assistiu ao filme elogiou sua força emocional, a qualidade técnica e, sobretudo, a impressionante atuação de Christian Bale. Com o tempo, as exibições na televisão, o mercado de vídeo doméstico e as edições em DVD e Blu-ray contribuíram para ampliar significativamente sua audiência e consolidar sua reputação.

Atualmente, Império do Sol é considerado um dos filmes mais importantes e emocionalmente profundos da carreira de Steven Spielberg. Muitos críticos o colocam entre suas melhores obras, ao lado de Schindler's List, Saving Private Ryan e The Color Purple. A interpretação de Christian Bale é amplamente reconhecida como uma das maiores atuações de um jovem ator na história do cinema, antecipando a carreira brilhante que ele desenvolveria nas décadas seguintes. A fotografia, a trilha sonora de John Williams e a reconstituição histórica continuam sendo referências de excelência técnica. Além disso, o filme é frequentemente utilizado em estudos sobre representações da Segunda Guerra Mundial e sobre o amadurecimento infantil em situações extremas. Décadas após seu lançamento, Império do Sol permanece uma obra-prima do cinema dramático e um dos trabalhos mais sofisticados de Steven Spielberg.

Império do Sol (Empire of the Sun, Estados Unidos, 1987) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Tom Stoppard, baseado no romance Empire of the Sun, de J. G. Ballard / Elenco: Christian Bale, John Malkovich, Miranda Richardson, Nigel Havers, Joe Pantoliano e Leslie Phillips / Sinopse: Separado da família durante a ocupação japonesa de Xangai na Segunda Guerra Mundial, um garoto britânico luta para sobreviver em um campo de prisioneiros, onde perde a inocência e aprende duras lições sobre guerra, esperança e sobrevivência.

Erick Steve. 

quinta-feira, 17 de abril de 2025

A Jovem Rainha Vitória

Vitória foi uma das monarcas mais importantes da história inglesa. Seu reinado foi um dos mais longos que se tem notícia, indo de 1837 a 1901 e marcou o apogeu do império britânico. O século em que reinou ficou conhecido como "A Era Vitoriana". Tanta importância e esplendor já rendeu muitos filmes, livros e documentários mas agora com esse "A Jovem Rainha Vitória" tentou-se fazer algo diferente. Ao invés de retratar a rainha no auge de sua glória os produtores optaram por mostrar seus primeiros anos, ainda jovem e mocinha, envolvida com amores próprios da idade. Tudo embalado em uma produção digna de uma rainha - lindos cenários, muito luxo e figurinos deslumbrantes. O maior problema do filme parece ser justamente o fato de se focar em um dos períodos menos interessantes da nobre pois não há, para falar a verdade, algo realmente marcante na trama do filme. A Vitória que surge em cena está mais preocupada em arranjar um namorado e ir em bailes de gala do que qualquer outra coisa. Nenhuma intriga palaciana surge em cena e o roteiro passa longe de explorar o clima político de sua época. Além disso Vitória é uma garota do século XIX que parece ter idéias avançadas demais para o contexto histórico em que viveu. 

Os roteiristas ignoraram o fato dela ter sido uma das monarcas mais conservadoras da Inglaterra, o que certamente não se ajusta muito bem com a Vitória "moderninha" que surge em cena. O ponto positivo de "A Jovem Rainha Vitória" é certamente o seu elenco. A britânica Emily Blunt se sai bem. Sua interpretação está no tom correto, embora a corte inglesa fosse mais solene e formal da que vemos no filme. Paul Bettany também está bem, inspirado e marcando boa presença. Seu Lord Melbourne é certamente uma das melhores coisas de "The Young Victoria". Curiosamente para um filme tão britânico escalaram um estrangeiro para a direção, o canadense Jean-Marc Vallée. A escolha desagradou alguns jornalistas ingleses e eles tem certa razão em reclamar, uma vez que provavelmente um cineasta do país poderia ter um olhar mais familiar e próximo com a sua realeza britânica. De qualquer forma o produto final não é ruim. Tem sua dose de erros históricos como explicados aqui, mas como entretenimento até pode funcionar. Não é historicamente correto e macula de certa forma a história real dos fatos. Para os que gostam de produções de luxo, com muito romance e cenas de enamorados adolescentes pode até se tornar uma boa opção. Já para os que querem saber mais sobre a Rainha Vitória recomendamos mesmo uma boa visita à biblioteca mais próxima. Será mais instrutivo e esclarecedor certamente. 

A Jovem Rainha Vitória (The Young Victoria, Inglaterra, Alemanha, 2009) Direção: Jean-Marc Vallée / Roteiro: Julian Fellowes / Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent / Sinopse: O filme narra a adolescência e juventude de Alexandrina Victoria que se tornaria a famosa monarca inglesa Rainha Vitória. Governando durante praticamente todo um século ela reinou em uma época de ouro para o império britânico em seu auge de esplendor e glória.  

Pablo Aluísio.