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terça-feira, 28 de abril de 2026

Bugsy

Bugsy
Benjamin "Bugsy" Siegel (1906 - 1947) foi um gangster norte-americano diferente. Apesar de seu apelido asqueroso (“inseto”) que aliás odiava, Bugsy adorava roupas finas, de grife, passava muito gel no cabelo e acima de tudo amava cultivar aquela típica pose de ricaço (embora não fosse). Circulando no meio da indústria cinematográfica se tornou amigo de diretores, atores e produtores. Seu sonho era se tornar um astro em Hollywood mas seu passado sujo o impedia de seguir adiante. Bugsy era membro importante da família mafiosa controlada por Meyer Lansky, um chefão especializado em roubos de veículos e jogos ilegais. Ao lado de outro famoso gangster da época, Lucky Luciano, Bugsy foi o responsável pela morte de um poderoso chefão, “Big Boss” Masseria, durante uma guerra entre quadrilhas rivais de Nova Iorque. Pressionado por outras famílias mafiosas resolveu dar um tempo e decidiu ir para o outro lado do país onde, bem no meio do deserto, teve uma idéia brilhante. Aproveitando-se das leis do estado de Nevada que permitiam a prática de jogos de azar, Bugsy imaginou a construção de um grande cassino na pequenina cidade de Las Vegas, um lugar perdido no meio do deserto sem atrativo nenhum. Convencendo Lansky e outros chefões que o investimento naquele lugar seria extremamente lucrativo ele começou a construção do primeiro cassino da cidade, o Flamingo! De fato, tudo o que se vê hoje em Las Vegas, um dos maiores centros de diversão do mundo, nasceu da idéia desse gangster muito imaginativo e empreendedor que sonhou realmente muito alto.

Infelizmente ser o primeiro hotel cassino naquele deserto hostil não era uma tarefa das mais fáceis. Como era algo novo, que ainda precisava ser divulgado adequadamente, o Flamingo em seus primeiros meses não se tornou tão lucrativo quanto seus parceiros mafiosos da costa leste pensavam. E como não atender as expectativas desses criminosos não era definitivamente uma boa idéia, Bugsy acabou pagando caro por sua ousadia. Foi justamente essa história incrível que o diretor Barry Levinson e o ator Warren Beatty conseguiram levar para as telas em 1991. “Bugsy” era um velho sonho de Beatty que achava ter ali um excelente material para a realização de um filme ao velho estilo, como aqueles da década de 1940, cheio de gangsters em roupas finas e mulheres fatais. Produção elegante, com ótima reconstituição histórica, “Bugsy” se destacou por ter o velho charme dos antigos filmes da década de ouro do cinema (cuja época era justamente a retratada no filme). Solteirão convicto há décadas o filme também foi bastante marcante na vida pessoal de Beatty pois foi justamente durante suas filmagens que acabou se apaixonando pela atriz Annette Bening que finalmente levaria ao altar o ator, considerado um dos maiores conquistadores de Hollywood (sua lista de namoradas famosas era mais do que extensa). A crítica gostou bastante do filme, levando “Bugsy” a ser nomeado a oito indicações ao Oscar e a sete do Globo de Ouro. Acabou vencendo apenas duas (todas técnicas, Oscars direção de arte e figurino) perdendo o grande prêmio de melhor filme para “O Silêncio dos Inocentes”. De qualquer modo “Bugsy” é, ainda hoje, um excelente exemplo de cinema refinado e de bom gosto. Se ainda não viu, não deixe de assistir.

Bugsy (Bugsy, Estados Unidos, 1991) Direção: Barry Levinson / Roteiro: James Toback baseado no livro de Dean Jennings / Elenco: Warren Beatty, Annette Bening, Harvey Keitel, Ben Kingsley, Elliott Gould, Joe Mantegna / Sinopse: O filme conta a história real de "Bugsy" Siegel, gangster norte-americano que construiu com o dinheiro da máfia da costa leste o primeiro cassino hotel da história de Las Vegas.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Cães de Aluguel

Título no Brasil: Cães de Aluguel
Título Original: Reservoir Dogs
Ano de Produção: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Live Entertainment
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino, Roger Avary
Elenco: Harvey Keitel, Tim Roth, Michael Madsen, Chris Penn, Steve Buscemi, Quentin Tarantino 

Sinopse: 
Seis criminosos se reúnem para colocar em prática um ousado roubo de diamantes. Para se identificarem usam nomes associados a cores, baseadas em seus temperamentos. Os planos porém não saem como eram imaginados. A polícia consegue entrar no meio do caminho. Agora, irascíveis e violentos, eles fazem um policial de refém em um balcão abandonado. O desafortunado tira logo se torna alvo do sadismo incontrolável de Mr. Blonde (Michael Madsen). A tensão assim vai crescendo e se tornando insustentável, caminhando para um desfecho que logo se tornará um grande banho de sangue.

Comentários:
Esse foi o primeiro filme de repercussão da carreira do diretor Quentin Tarantino. Na época ele era apenas um diretor completamente desconhecido que só havia dirigido dois filmes antes (um deles inacabado justamente por falta de recursos). Tarantino achava que tinha um grande roteiro em mãos, e foi à luta em busca de alguém que acreditasse no filme. Acabou encontrando apoio no ator Harvey Keitel que realmente ficou fascinado com o material, com o texto e com os ótimos diálogos (que se tornariam a marca registrada de Quentin Tarantino em toda a sua carreira). Após decidir que faria a produção, Harvey Keitel saiu em busca de financiamento ao lado de Tarantino e conseguiu levantar pouco mais de um milhão de dólares de orçamento (uma mixaria em termos de Hollywood). Na base da amizade convocou os demais atores, todos amigos dele (inclusive os excelentes Tim Roth e Michael Madsen). Assim que foi lançado o filme chamou a atenção da crítica por ser visceral, cru e muito violento. Isso porém não era o principal pois "Cães de Aluguel" também trazia uma linguagem diferenciada, bem distante do que se fazia na época em termos de filmes policiais. Inicialmente no circuito alternativo e depois no mercado comercial a produção foi ganhando cada vez mais admiradores, consolidando o caminho de Quentin Tarantino rumo ao estrelato e ao sucesso, posição que até hoje ocupa. Revisto hoje em dia, mais de vinte anos depois de sua chegada aos cinemas, "Reservoir Dogs" ainda mantém o impacto por ser uma obra muito original e esteticamente inovadora. Sua violência nunca se mostra gratuita mas estilizada, invocativa. Um Tarantino de estirpe.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Caminhos Perigosos

Título no Brasil: Caminhos Perigosos
Título Original:  Mean Streets
Ano de Lançamento: 1973
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Martin Scorsese, Mardik Martin
Elenco: Robert De Niro, Harvey Keitel, David Proval

Sinopse:
Criminosos de baixa hierarquia do mundo da máfia precisam acertar suas contas, envolvendo dívidas, promessas não cumpridas e certas coisas que tinham ficado pelo meio do caminho, mas que precisavam ser acertadas, mesmo que sob a mira de uma arma de fogo. A lei das ruas bem se assemelha à lei da selva. Filme premiado pelo New York Film Critics Circle Awards. 

Comentários:
Esse filme abriu as portas do cinema americano para um jovem ator chamado Robert De Niro. Ele já conhecia o diretor Martin Scorsese do meio teatral e do cenário artístico de Nova York, então foi mesmo uma chance de ouro dada de um amigo pessoal para o outro. E Robert De Niro não decepcionou. Apelidado por Scorsese de "Bobby Milk" (por ele ser muito branco), De Niro já demonstrava nesse seu primeiro trabalho de relevância que o ator já estava pronto desde os primeiros passos. Ele foi um daqueles casos de talento que já nasceu pronto para a sétima arte. E de resto o filme é realmente muito bom, bem escrito e dirigido. Assim como De Niro, Scorsese já era mestre desde os seus primeiros filmes. Para quem gosta desse tipo de filme, não tem outra maneira de dizer, é um título mesmo obrigatório. 

Pablo Aluísio.