domingo, 16 de agosto de 2026
Era Uma Vez na América
O Rei da Comédia
Confissões Verdadeiras
sábado, 8 de agosto de 2026
Scarface
Entre esses cubanos que saíram da ilha de Fidel Castro está justamente Tony Montana, o personagem de Pacino. Com ficha criminal ele é praticamente banido pelo governo cubano para ir como refugiado aos EUA. Obviamente uma estratégia dos comunistas para expulsar a escória da sociedade cubana, visando justamente transferir o problema para os "irmãos" ianques. Como todo imigrante que chega na América seu grande sonho é aproveitar as oportunidades que a sociedade capitalista lhe oferece para subir na vida rapidamente. Porém como um cubano sem instrução formal e sem formação profissional tudo o que lhe resta é tentar subir no escalão das organizações criminosas, participando do submundo do tráfico de drogas.
Scarface não envelheceu muito. Seu roteiro é bem escrito e com situações bem armadas. Tem boa produção e conta com a sempre inspirada direção de Brian De Palma, aqui prestes a entrar na melhor fase de sua carreira, que iria se prolongar por toda a década de 80 e que culminaria na obra prima "Os Intocáveis", seguramente um dos melhores filmes sobre a era dos grandes gangsters já realizados. No elenco duas presenças de peso: Al Pacino e Michele Pfeiffer. Ele, ainda está esbanjando juventude, recém saído de uma década brilhante de sucessos nos anos 70 e prestes a afundar na pior fase de sua carreira, com o super fracasso "Revolução" e ela, mais bela do que nunca, esbanjando charme e sofisticação.
Embora seja excessivamente longo, pois a estória poderia muito bem ser contada em duas horas, o filme resistiu bem ao tempo e deixou várias referências aos filmes que viriam. Basta assistir "Cassino", por exemplo, de Scorsese para verificar como "Scarface" fez escola (A personagem de Sharon Stone em Cassino é praticamente a mesma de Pfeiffer em Scarface, só mudando levemente de enfoque). Embora para muitos o final de "Scarface" soe hoje demasiadamente exagerado e kitsch, a mais pura verdade é que tudo aquilo que acontece condiz certamente com a personalidade e a trajetória do personagem de Tony. Quem viveu de excessos só poderia encontrar seu final daquela forma. Em suma, se por acaso você gosta do gênero ao estilo "Os Bons Companheiros", "Cassino" ou até mesmo "Os Intocáveis", "Scarface" é mais do que bem recomendado.
Pablo Aluísio.
Autor em Família
Assim aquele que tentava uma nova vida tinha que aprender também a conviver com os filhos da nova esposa, que geralmente vinha de outro casamento acabado. Uma infinidade de padrastos e madrastas em uma realidade nova dentro da sociedade pois até pouco tempo atrás as pessoas não se divorciavam, preferindo viver em casamento infelizes e destruídos até o fim de suas vidas. Com a aprovação de leis de divórcio em várias partes do mundo (inclusive no Brasil) as pessoas foram atrás de uma nova vida, reconstruindo aquilo que não havia dado certo com outros cônjuges. A proposta seria de realizar um drama com pitadas de humor, no que acertaram em cheio pois o filme até hoje surpreende pelo bom argumento e claro por apresentar mais uma atuação inspirada do mestre Al Pacino, sempre surpreendente.
Autor em Família (Author! Author!, Estados Unidos, 1982) Direção: Arthur Hiller / Roteiro: Israel Horovitz / Elenco: Al Pacino, Dyan Cannon, Tuesday Weld, Bob Dishy, Bob Elliott / Sinopse: As dificuldades de um escritor que também precisa lidar com problemas familiares dos mais diversos. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Al Pacino).
Pablo Aluísio.
domingo, 26 de julho de 2026
Indiana Jones e a Última Cruzada
Isso foi deixado de lado e assim Sean Connery se tornou o professor Henry Jones, pai de Indiana, que agora reencontrava o filho na busca de uma das peças arqueológicas mais cobiçadas da história, o chamado Santo Graal, o cálice usado por Jesus Cristo na última ceia. O artefato estava há muitos séculos desaparecido, sendo a última citação de sua existência escrita como parte da história dos lendários cavaleiros templários, que dominaram Jerusalém durante as cruzadas. Rezava a lenda que aquele que tomasse do cálice ganharia a vida eterna. Como se sabe a mitologia em torno do Graal, das cruzadas e dos cavaleiros templários é extremamente rica o que trouxe um material fantástico para Lucas e os demais roteiristas que de fato fizeram um excelente trabalho. Pontuando tudo ainda havia o complicado relacionamento entre pai e filho (que rendeu ótimas e divertidas cenas). De quebra o filme ainda trazia uma ótima seqüência com o jovem Indiana Jones (interpretado pelo saudoso astro River Phoenix). Revisto hoje em dia o filme não envelheceu, continua tão charmoso como na época de seu lançamento e mostra que aventuras bem escritas resistem muito bem ao tempo, tal como o próprio Santo Graal.
Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, Estados Unidos, 1989) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Jeffrey Boam, George Lucas / Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliott, River Phoenix / Sinopse: Indiana Jones (Harrison Ford) e seu pai Henry Jones (Sean Connery) partem em busca do chamado Santo Graal, o mitológico cálice sagrado que teria sido usado por Jesus Cristo na última ceia.
Pablo Aluísio.
Contos Assombrosos
Título Original: Amazing Stories
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Amblin Entertainment, Universal Television
Direção: Steven Spielberg, Joshua Brand, John Falsey
Roteiro: Joshua Brand, John Falsey
Elenco: Kevin Costner, Charles Durning, Dom DeLuise, Christopher Lloyd
Sinopse:
Fita com três episódios da série "Amazing Stories" entre elas "Pilot" onde Kevin Costner interpretava um piloto da Segunda Guerra Mundial e "Professor B.O. Beanes" onde o ator Christopher Lloyd interpretava um professor sádico que literalmente perdia sua cabeça. Por fim em "The Mummy" um dublê de filmes de terror passava por apuros ao ter que sair rapidamente do set de filmagens para encontrar sua esposa no hospital onde ela estava tendo seu filho. Muita diversão e humor com a marca registrada de Steven Spielberg, em seu auge na carreira.
Comentários:
Vamos voltar um pouquinho aos anos 80? Naquela década não existia internet, nem TV a cabo e nem muito menos o mundo digital que conhecemos hoje em dia. A maioria das séries americanas não passavam na TV aberta brasileira (que era a única que existia). Por isso algumas fitas VHS (lembra delas?) chegavam ao nosso mercado com episódios dessas mesmas séries. Uma delas era especialmente interessante porque era produzida pelo genial Steven Spielberg. Assim por volta de 1986 o selo CIC começou a lançar episódios de "Amazing Stories" com o título de "Contos Assombrosos". Na primeira fita tínhamos 3 deles. No primeiro o astro Kevin Costner interpretava um piloto da força aérea americana que se via numa situação absurda: o trem de pouso de seu avião era destruído pelos inimigos! Sem ter como pousar ele acaba sendo abençoado por uma solução mágica! (só vendo para crer). Outro episódio trazia Christopher Lloyd (o cientista maluco de "De Volta Para O Futuro") em outro conto com muito realismo (nem tanto) fantástico! Eram tempos muito complicados para quem era fã da sétima arte, porém havia também muita alegria em chegar numa locadora e alugar uma série americana que quase ninguém tinha visto. Bons tempos aqueles...
Pablo Aluísio.
sábado, 18 de julho de 2026
Império do Sol
A Cor Púrpura
Indiana Jones e o Templo da Perdição
domingo, 12 de julho de 2026
A Filha Perdida
O grande tema desse roteiro é a discussão entre maternidade e vida profissional. Algumas mulheres sofrem muito para conciliar esses dois aspectos da vida. No caso de Leda ela tem duas filhas e ao mesmo tempo tenta entrar em um mercado de trabalho muito competitivo que é o mundo acadêmico e universitário. Tem que se esforçar muito, estudar muito, mas como fazer isso com duas filhas pequenas? Outro tema em discussão é que muitas mulheres simplesmente não possuem vocação para serem mães. A sociedade muitas vezes impõe isso a elas, como pressão social, gerando mulheres infelizes e frustradas. A personagem interpretada pela atriz Dakota Johnson vem para reforçar que isso atravessa gerações, não apenas no passado, mas no presente também. Ela é uma jovem mãe e não está nada satisfeita com esse papel.
Um filme que gostei, tanto do ponto de vista da proposta do roteiro como também pela bela interpretação de todo o elenco feminino. Aliás duas das atrizes que atuam no filme foram indicadas ao Oscar, algo raro de acontecer. Jessie Buckley, que interpreta a personagem principal em sua época de juventude, foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. Já a velha Leda, interpretada por uma ótima Olivia Colman, rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Nada mal para um filme que discute a mulher, em fases diferentes da vida e os desafios que surgem pela frente.
A Filha Perdida (The Lost Daughter, Estados Unidos, 2021) Direção: Maggie Gyllenhaal / Roteiro: Maggie Gyllenhaal / Elenco: Olivia Colman, Jessie Buckley, Dakota Johnson, Ed Harris, Peter Sarsgaard / Sinopse: A vida de uma mulher, uma professora universitária, em dois momentos distintos de sua vida. Quando jovem e mãe de duas crianças pequenas e na fase da maturidade quando tenta encontrar paz e tranquilidade numa viagem de férias na Grécia. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor atriz (Olivia Colman), melhor atriz coadjuvante (Jessie Buckley) e melhor roteiro adaptado (Maggie Gyllenhaal).
Pablo Aluísio.
Maus Momentos no Hotel Royale
Desconfie de tudo o que verá nas primeiras cenas, principalmente nas identidades daquelas pessoas. Nem tudo é o que aparenta ser. O próprio Hotel Royale não é apenas um cenário, mas praticamente um personagem no meio do enredo. Um daqueles estabelecimentos comerciais que faziam sucesso nos anos 1960, mas que depois entraram em franca decadência, com poucos hóspedes, geralmente viajantes perdidos em busca de uma boa noite de sono e nada mais. Para falar a verdade é quase uma nova versão do "Bates Motel" de Psicose, mas com decoração vintage mais colorida e brega. Enfim, um bom filme que me agradou. De modo em geral gosto desse tipo de enredo que vai se construindo aos poucos, ligando diversos personagens que parecem não ter qualquer ligação entre si. Uma amostra de bom roteiro, muito bem escrito.
Maus Momentos no Hotel Royale (Bad Times at the El Royale, Estados Unidos, 2018) Direção: Drew Goddard / Roteiro: Drew Goddard / Elenco: Jeff Bridges, Jon Hamm, Dakota Johnson, Cynthia Erivo, Chris Hemsworth, Lewis Pullman / Sinopse: Um grupo de desconhecidos chega em um velho hotel decadente da fronteira entre dois estados americanos, cada um deles com um propósito próprio, não muito claro. Qual seria a ligação que existiria entre cada uma daquelas pessoas?
Pablo Aluísio.
domingo, 5 de julho de 2026
Dragão Vermelho
Uma das boas idéias de "Dragão Vermelho" é mostrar eventos que ocorreram cronologicamente antes de "O Silêncio dos Inocentes". Aqui um agente do FBI, William Graham (Edward Norton), procura ajuda com Lecter (Anthony Hopkins) para tentar capturar um novo serial killer chamado Francis Dollarhyde, interpretado com brilhantismo por Ralph Fiennes. Sádico, extremamente desequilibrado e vivendo em um mundo de delírios, Francis leva toda uma cidade a um verdadeiro estado de pânico com seus crimes em série. O diretor Brett Ratner prima muito mais pelo suspense e tensão psicológica entre a dupla central do que pela escatologia pura e simples. Esse aliás é o grande mérito do filme. Ao invés do estilo mais cru, vulgar e grotesco de "Hannibal" o roteiro se apóia muito mais no clima sombrio e soturno no qual vivem esses homicidas do nosso tempo. Desnecessário recomendar o filme para os fãs do personagem. A trilogia original se encerrou aqui, o personagem infelizmente ainda voltou a dar as caras em um nova tentativa de revitalizar Hannibal nos cinemas mas foi uma tentativa frustrada. "Dragão Vermelho", por outro lado, é realmente o melhor já feito sobre o canibal famoso da ficção, fechando com chave de ouro sua melhor fase em Hollywood.
Dragão Vermelho (Red Dragon, Estados Unidos, 2002) Direção: Brett Ratner / Roteiro: Ted Tally / Elenco: Anthony Hopkins, Edward Norton, Ralph Fiennes, Harvey Keitel, Mary-Louise Parker, Emily Watson, Philip Seymour Hoffman / Sinopse: Famoso criminoso é procurado por agente do FBI para ajudar na busca de um serial killer que está à solta, jogando terror e medo na população de uma grande cidade americana.
Pablo Aluísio.
O Bunker
Título Original: The Bunker, Le Bunker
Ano de Produção: 1981
País: Estados Unidos, França
Estúdio: Société Française de Production
Direção: George Schaefer
Roteiro: John Gay, James P. O'Donnell
Elenco: Anthony Hopkins, Richard Jordan, Cliff Gorman
Sinopse:
Nos últimos dias da II Guerra Mundial o ditador nazista Adolf Hitler (Anthony Hopkins) não consegue mais sair de seu bunker pessoal em Berlim. No oeste os americanos avançam cada vez mais e no leste os russos derrotam os últimos focos de resistência alemão. Com as tropas soviéticas prestes a adentrar o limite da cidade símbolo do Terceiro Reich, Hitler toma as suas últimas decisões no poder.
Comentários:
Esse "O Bunker" foi um filme feito em 1981 para a TV contando os últimos momentos de Hitler antes da queda final de seu Terceiro Reich (que em suas palavras deveria durar mil anos!). A ação se passa em Berlim, durante os momentos finais da invasão russa na cidade. A história é a mesma de "A Queda", aquele conhecido filme sobre o fim de Hitler. Sem dúvida o grande atrativo aqui é a presença de Anthony Hopkins, um dos grandes atores da história do cinema, no papel de Hitler. Obviamente que duas produções sobre o mesmo tema acabaria gerando comparações. O Hitler de Hopkins é bem mais sereno, doentio, com tremores e um constante olhar vidrado, sempre perdido, sem direção. Não é tão furioso como o do outro filme. Em certo sentido até conseguimos nos comover com a situação extrema pelo qual ele passa. Afinal não havia mais nenhuma esperança. Era apenas uma questão de tempo e como todos sabemos o ditador preferiu se matar do que cair nas mãos do exército vermelho enfurecido que estava em sua busca. Anthony Hopkins consegue assim humanizar um dos maiores tiranos da história. Maior prova de seu talento não há. Enfim, fica a recomendação desse telefilme pouco visto mas que vale muito a pena conhecer.
Pablo Aluísio.
Quando 8 Sinos Tocam
sábado, 27 de junho de 2026
Touro Indomável
Título Original: Raging Bull
Ano de Produção: 1980
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Martin Scorsese, Joseph Carter
Elenco: Robert De Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci
Sinopse:
Tudo o que deseja Jake La Motta (De Niro) para sua vida é vencer no concorrido mundo do boxe. Sujeito explosivo, de temperamento mercurial, ele quer chegar no auge, com todo o poder, dinheiro e mulheres que conseguir. Após um começo de carreira promissor o boxeador começa a entender que nem tudo parece caminhar como ele havia planejado. Pior para seu irmão, Joey (Joe Pesci) e a garota de seus sonhos, a adolescente Vickie (Cathy Moriarty), que terão que suportar ao seu lado a inevitável queda do vaidoso esportista. Filme indicado a seis prêmios da academia, se tornando vencedor nas categorias de Melhor Ator (Robert De Niro) e Melhor Edição. Vencedor do Globo de Ouro na categoria de Melhor ator (Robert De Niro).
Comentários:
Alguns filmes definem toda a carreira de um grande ator. Olhando sob esse ponto de vista "Raging Bull" define o intérprete Robert De Niro. No auge de sua criatividade e talento dramático ele se uniu a outro gênio, Martin Scorsese, para contar a história de declínio e glória do boxeador Jake LaMotta, desde seus primórdios, quando se deliciou do status, dinheiro e sucesso das vitórias até sua queda final, quando sentiu o amargo gosto da sarjeta. Se não fosse baseado em fatos reais poderíamos até dizer que esse filme havia sido inspirado em alguma tragédia da pena de William Shakespeare, tamanha a sua carga dramática! Com maravilhosa fotografia em preto e branco e com Scorsese em momento inspirado o filme não poderia ser menos do que uma verdadeira obra prima do cinema, sempre reverenciado e incluído naquelas listas do tipo "Os 100 Melhores Filmes de Todos os Tempos". Curiosamente o próprio De Niro pagaria um pouco caro pelo seu amor à arte. Ao emagrecer e engordar tanto para incorporar seu personagem ele chegou até mesmo a ter sérios problemas de saúde na época. Foi um preço justo a se pagar, já que acabou sendo premiado nos dois maiores prêmios do cinema americano, o Oscar e o Globo de Ouro. Em ambos os casos sua premiação foi mais do que merecida, uma unanimidade tanto de público como de crítica! Esse é sem dúvida um momento essencial e obrigatório na vida de todo e qualquer cinéfilo que se preze! Uma aula de direção e interpretação em um filme realmente inesquecível.
Pablo Aluísio.
O Franco Atirador
Título Original: The Deer Hunter
Ano de Produção: 1978
País: Estados Unidos
Estúdio: EMI Films, Universal Pictures
Direção: Michael Cimino
Roteiro: Michael Cimino, Deric Washburn
Elenco: Robert De Niro, Meryl Streep, Christopher Walken, John Cazale, John Savage, George Dzundza
Sinopse:
Um grupo de amigos de uma cidade industrial dos Estados Unidos é enviado para a Guerra do Vietnã. No país asiático são feitos prisioneiros, submetidos a torturas físicas e psicológicas. A guerra cria traumas praticamente impossíveis de superar, afetando a vida de todos eles. Filme vencedor do Oscar nas categorias de melhor filme, melhor direção, melhor ator coadjuvante (Christopher Walken) e melhor som. Também premiado pelo Globo de Ouro na categoria de melhor filme.
Comentários:
Esse filme foi o grande vencedor do Oscar no ano de 1978. Foi premiado em categorias importantes, inclusive melhor filme, melhor direção e melhor ator coadjuvante (Christopher Walken). O roteiro é nitidamente dividido em três grandes atos. No primeiro é mostrado a vida dos jovens amigos antes da guerra. Eles trabalham em uma indústria pesada de sua cidade. A vida é dura, mas há momentos de felicidade, como o casamento de um deles antes de ir para a guerra do Vietnã. No segundo ato temos os personagens visitando o inferno no sudeste asiático. A guerra no Vietnã se mostra um beco sem saída. Eles são capturados pelos inimigos e submetidos a torturas, inclusive um jogo de vida ou morte com roleta russa. Enquanto os americanos puxam o gatilho contra a cabeça, os vietcongues apostam em quem vai sobreviver. O terceiro e último ato mostra o retorno de Michael (Robert De Niro) aos Estados Unidos. Ele é o único que consegue sair são e salvo do Vietnã. Tentando recomeçar sua vida ele tenta iniciar um romance com Linda (Meryl Streep), que trabalha em um supermercado da cidade. O caso entre eles porém nunca consegue decolar. Esse filme traz todas as qualidades e defeitos que marcaram a filmografia de Michael Cimino. Entre suas qualidades estava o domínio de mostrar cenas bem elaboradas, envolvendo um grande número de atores. De seus defeitos podemos perceber o corte excessivo do filme, que resultou numa duração de quase 3 horas. Mesmo assim é um clássico do cinema que merece ser redescoberto, principalmente para quem se interessa pela história do Oscar.
Pablo Aluísio.
sábado, 20 de junho de 2026
New York, New York
Assim com tantos marinheiros de primeira viagem em filmes musicais sobra para Liza Minnelli a complicada tarefa de salvar musicalmente o filme, coisa que faz com raro brilhantismo. Não é de se estranhar já que Liza é um talento nato, que descende de uma linhagem de grandes cantoras. Ela se destaca pois tem talento musical para dar e emprestar ao resto do elenco. Apesar disso o filme não foi bem nem de bilheteria e nem de critica, que não comprou a idéia de Scorsese. Anos depois De Niro reconheceu os problemas do filme afirmando que já sabia que não daria certo pois Scorsese não tinha experiência com esse tipo de produção. Assim “New York, New York” foi sendo gradualmente esquecido até que Frank Sinatra resolveu resgatar a canção tema do filme, a transformando em um de seus maiores sucessos na carreira. Uma canção que virou símbolo da cidade de Nova Iorque sendo sempre lembrada em inúmeros filmes e comerciais até os dias de hoje. Um ícone cultural representativo de uma das maiores metrópoles do mundo.
New York, New York (New York, New York, Estados Unidos, 1977) Direção: Martin Scorsese / Roteiro: Earl Mac Rauch, Mardik Martin / Elenco: Liza Minnelli, Robert De Niro, Lionel Stander / Sinopse: O filme narra as duras lutas de um casal de artistas em Nova Iorque após o fim da segunda guerra mundial.
Pablo Aluísio.
sábado, 13 de junho de 2026
Parceiros da Noite
"Parceiros da Noite" foi produzido com tinhas fortes. Realmente a primeira hora do filme pode ser ofensiva para quem não gosta de ver cenas que mostrem homossexualismo entre homens. Por isso caso esse seja o seu caso é bom ir se preparado para essa terça parte inicial. Devo confessar que achei um pouco carregado nas tintas, criando uma tênue ligação, mesmo que involuntária, entre homossexualismo e criminalidade. Só não vou dizer que foi excessivo porque realmente não sei se o nível de promiscuidade entre os gays de Nova Iorque chegava naqueles extremos. Esse aspecto inclusive incomodou alguns setores GLS na época que protestaram contra a visão que o filme passava dos gays. Pois bem, de qualquer forma, passado essa parte o filme vai melhorando gradativamente e cresce absurdamente em seus vinte minutos finais. Aliás o final "em aberto" é genial. Não vou colocar aqui porque seria ruim para quem ainda não viu o filme, mas tenho certeza que grande parcela do público ficará intrigada. Enfim, deixem o preconceito de lado e não deixem de ver "Parceiros da Noite" pois vale muito a pena. Mais um ótimo momento de Pacino nas telas.
Parceiros da Noite (Cruising, Estados Unidos, 1980) Direção: William Friedkin / Roteiro: William Friedkin, baseado na novela de Gerald Walker / Elenco: Al Pacino, Paul Sorvino, Karen Allen / Sinopse: Steve Burns (Al Pacino) é um policial de Nova Iorque que decide se infiltrar dentro da comunidade gay para investigar uma série de assassinatos envolvendo homossexuais. A imersão nesse submundo acabará causando grandes mudanças em seu modo de pensar e agir.
Pablo Aluísio.
sábado, 6 de junho de 2026
Justiça Para Todos
Justiça Para TodosOutro destaque de "Justiça Para Todos" é a mensagem subliminar que ele transmite. Em um deles Pacino diz a seu velho avô que está sofrendo os problemas da velhice: "Ser honesto e ao mesmo tempo ser advogado é algo bem complicado". Realmente, poucas profissões do mundo transitam tanto entre a moralidade e a imoralidade, a legalidade e a ilegalidade. O profissional do direito vive realmente em um fio da navalha e o filme toca muito bem nisso ao colocar o sócio de Pacino no filme em crise existencial (ele consegue liberar um cliente da cadeia que acaba matando duas crianças poucos dias depois de solto). Quais são os limites, a linha que separa a ética da necessidade de se defender o cliente? Como se sente um advogado ao defender um criminoso capaz de atos bárbaros contra o próximo? É isso, "Justiça Para Todos" é um filme para se pensar sobre o poder judiciário, seus anacronismos e contradições. Uma lição que não se aprende nas faculdades de direito.
Justiça Para Todos (...And Justive For All, Estados Unidos, 1979) Direção: Norman Jewison / Roteiro: Valerie Curtin, Barry Levinson / Elenco: Al Pacino, Jack Warden, John Forsythe / Sinopse: Arthur Kirkland (Al Pacino) é um advogado criminalista que tenta transitar entre sua ética pessoal e a necessidade de defender seus clientes, entre eles um juiz corrupto e acusado de estupro contra uma inocente garota.
Pablo Aluísio
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