sábado, 21 de fevereiro de 2026

O Silêncio dos Inocentes

Outro filme ícone sobre serial killers foi esse excelente “O Silêncio dos Inocentes”. Aqui temos um roteiro mais cerebral que investe muito mais no choque de personalidades entre a agente do FBI Clarice Sterling (a sempre ótima Jodie Foster) e o psicopata Hannibal Lecter (Anthony Hopkins, no papel de sua vida). Um dos grandes trunfos do roteiro é o próprio desenvolvimento do personagem Hannibal. Sujeito culto, inteligente, apreciador de boa música e artes, ele aparenta ser uma pessoa de fino trato. Por baixo de sua elegância e sofisticação porém se esconde um predador frio e cruel, capaz de cometer as maiores barbaridades com suas vítimas. Hannibal assim se revela como uma síntese da personalidade de muitos psicopatas e assassinos em série da vida real pois muitos deles são exatamente como o personagem retratado no filme, pessoas acima de qualquer suspeita, educados, elegantes no trato social mas verdadeiras feras insanas quando finalmente conseguem colocar as mãos em suas presas.

Anthony Hopkins já tinha muita bagagem quando foi escalado para dar vida ao psicopata Hannibal. Ator de muito talento já tinha garantido seu espaço na história do cinema com obras realmente marcantes mas foi apenas com esse personagem que ele conseguiu se tornar conhecido do grande público. A partir de “O Silêncio dos Inocentes” se tornou um astro de primeira grandeza, capaz inclusive de estrelar outros blockbusters do cinema americano. Já Jodie Foster já era bem conhecida do público. Na realidade ela cresceu na frente das câmeras, conseguindo fazer a complicada transição de atriz mirim para uma carreira adulta. Talentosa atriz e também cineasta de mão cheia ela quase não entrou no filme pois estava envolvida em tantos projetos paralelos na época que sentiu que essa personagem não traria muito para sua carreira. Apenas por amizade ao diretor Jonathan Demme resolveu aceitar o papel. A chance de contracenar com Hopkins também pesou em sua decisão de participar do filme. Curiosamente, apesar de todo o sucesso de bilheteria de “O Silêncio dos Inocentes”, Jodie nunca mudou de opinião sobre seu trabalho aqui. Em entrevistas esclareceu que achou uma experiência válida mas que não acredita que o filme tenha trazido muito para sua carreira com um todo. De uma forma ou outra fica a recomendação dessa produção que realmente marcou época e segue sendo um dos melhores retratos de criminosos seriais da história do cinema.

O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs, Estados Unidos, 1991) Direção: Jonathan Demme / Roteiro: Ted Tally, baseado no romance escrito por Thomas Harris / Elenco: Jodie Foster, Anthony Hopkins, Lawrence A. Bonney, Kasi Lemmons / Sinopse: Uma agente do FBI tenta contar com a colaboração de um infame psicopata preso para tentar encontrar o rastro de um serial killer à solta na sociedade. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor (Jonathan Demme), Melhor Atriz (Jodie Foster), Melhor Ator (Anthony Hopkins) e Melhor Roteiro Adaptado (Ted Tally).

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Downton Abbey II: Uma Nova Era

Downton Abbey II: Uma Nova Era
Downton Abbey fez uma excelente transição do mundo das séries para o cinema. Esse segundo filme vem justamente para confirmar isso. É um filme muito bom, diria até excelente mesmo. Toda a tradição de qualidade e excelência desse produto e dessa franquia se mantém em alto nível. A história também é particularmente saborosa para quem gosta de cinema. Com problemas financeiros, Robert Grantham aceita receber uma equipe de filmagem em sua casa. Estão filmando um filme em locação e precisam de um belo cenário para as cenas. E a vitoriana mansão cai justamente como uma luva para o diretor do filme. Assim, uma equipe de filmagem vai para sua tradicional casa e começam os trabalhos. E tudo soa muito inspirador e autorreferencial. Um belo exercício de metalinguagem cinematográfica. 

Para quem aprecia história do cinema, há aspectos muito interessantes. O filme está sendo filmado bem na época em que o cinema mudo está morrendo e o cinema falado começa a dominar o mercado. A atriz principal do filme é uma mulher extremamente bonita e glamorosa, mas com péssima dicção. Como ela vai sobreviver nesta transição? O galã, cobiçado por todas as mulheres, esconde um segredo pois na verdade é homossexual. Outro aspecto curioso acontece quando Violet Grantham herda uma bela propriedade no sul da França. Um amor do passado dela que se revela em um testamento. Isso esconde uma história que perturba o seu filho. E coloca em dúvida inclusive sua verdadeira ascendência. Como eu escrevi, Downton Abbey segue excelente. Já se tornou uma marca de elegância e sofisticação. Que venham novos filmes. 

Downton Abbey II: Uma Nova Era (Downton Abbey: A New Era, Estados Unidos, 2022) Direção: Simon Curtis / Roteiro: Julian Fellowes / Elenco: Hugh Bonneville, Maggie Smith, Jim Carter, Elizabeth McGovern, Michelle Dockery / Sinopse: Uma equipe de cinema chega para trabalhar na mansão de Downton Abbey, rompendo com os costumes e o modo de vida da elegante e tradicional aristocracia inglesa. E um velho amor do passado ressuscita em um testamento, para surpresa de todos.

Pablo Aluísio.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Downton Abbey - O Filme

Downton Abbey - O Filme
Eu esperei terminar todas as temporadas da série "Downton Abbey" para finalmente assistir esse longa-metragem que foi produzido especialmente para o cinema. Pensei que no máximo haveria um episódio estendido ou algo do tipo. Porém me surpreendi positivamente. O filme não destoa ou agride a linha cronológica da série e ainda traz uma história muito boa, imperdível mesmo para quem sempre acompanhou a série. Curiosamente quando assistia aos episódios sempre me perguntava qual seria a relação do Conde com a monarquia inglesa. E isso quase sempre era apenas sugerido indiretamente. Pois aqui estão todas as respostas para quem sempre teve as mesmas dúvidas que eu.

A história do filme começa quando é anunciado que o Rei George V e a família real vão passar em Downton Abbey, para um jantar, um baile e uma parada militar. Todos ficam ansiosos pela visita real, afinal o Conde se sente totalmente prestigiado pela presença do Rei, assim como todos os empregados da mansão. É um momento histórico. A primeira a chegar em Downton Abbey é a princesa e seu marido, cuja relação não e muito boa. Depois chegam todos os serviçais da corte, o que causa um atrito entre a staff real e os demais empregados da mansão. Mr. Carson, o veterano mordomo que estava aposentado é chamado de volta, às pressas, para comandar os empregados na visita real. Enfim, gostei de tudo. Um filme excelente que inclusive pode ser assistido até mesmo por quem nunca viu um episódio da série. Filme primoroso, classe A.

Downton Abbey - O Filme (Downton Abbey, Inglaterra, 2019) Direção: Michael Engler / Roteiro: Julian Fellowes / Elenco: Hugh Bonneville. Elizabeth McGovern, Jim Carter, Maggie Smith / Sinopse: O Conde Robert Crawley e sua família são informados que o Rei da Inglaterra George V e sua esposa, a rainha Mary, vão visitar Downton Abbey. Isso acaba criando um clima de ansiedade e excitação em todos, desde os familiares do Conde, até os empregados da tradicional mansão.

Pablo Aluísio.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

RoboCop 3

RoboCop 3
RoboCop 3 (RoboCop 3) foi lançado em 5 de novembro de 1993, dirigido por Fred Dekker e estrelado por Robert John Burke, Nancy Allen, Rip Torn, John Castle e Jill Hennessy. Terceiro capítulo da franquia iniciada em 1987, o filme retorna à Detroit futurista dominada por criminalidade, colapso social e controle corporativo exercido pela poderosa OCP. A narrativa acompanha a continuidade da missão do policial ciborgue responsável por proteger civis em meio a políticas violentas de remoção urbana e militarização das forças de segurança. O ponto de partida dramático surge quando moradores de uma comunidade ameaçada de despejo entram em conflito direto com interesses corporativos, colocando o protagonista diante de escolhas morais que desafiam sua programação. A partir dessa premissa, o longa amplia o escopo político e tecnológico da série, desenvolvendo uma história de resistência, identidade e justiça sem antecipar seus acontecimentos finais.

No momento de seu lançamento, RoboCop 3 recebeu uma reação crítica predominantemente negativa na imprensa americana. O The New York Times observou que o filme suavizava a violência e a sátira que marcaram os capítulos anteriores, resultando em uma abordagem considerada menos impactante. O jornal também apontou que a substituição do ator principal enfraquecia a continuidade emocional da franquia. Já o Los Angeles Times criticou o tom mais voltado ao público juvenil, afirmando que a produção parecia “diluída” em comparação com a intensidade dos filmes anteriores.

A revista Variety descreveu o longa como uma sequência com ambição temática, mas execução irregular, destacando efeitos especiais inconsistentes e narrativa menos coesa. O The New Yorker comentou que a crítica social permanecia presente, porém sem a ironia mordaz característica do primeiro filme. Parte da crítica reconheceu elementos interessantes, como a ênfase em resistência civil e tecnologia avançada, mas o consenso geral foi negativo, considerando o filme um encerramento fraco para a trilogia original.

No aspecto comercial, RoboCop 3 teve desempenho decepcionante nas bilheterias. Produzido com orçamento estimado em cerca de US$ 22 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 10 milhões nos Estados Unidos, com retorno internacional apenas moderado. O resultado representou queda significativa em relação aos capítulos anteriores e contribuiu para o encerramento temporário da série no cinema. Ainda assim, o longa encontrou alguma audiência posterior no mercado de vídeo doméstico e em exibições televisivas, mantendo a presença da marca junto a fãs da ficção científica.

Com o passar do tempo, RoboCop 3 passou a ser visto como um capítulo menor, porém curioso, dentro da franquia. Críticos contemporâneos tendem a valorizar alguns de seus elementos conceituais, como a resistência popular e a tecnologia do jetpack, embora continuem apontando limitações de tom e orçamento. O filme permanece lembrado principalmente como exemplo das dificuldades de manter coerência artística em séries de longa duração. Mesmo assim, conserva interesse histórico dentro do universo RoboCop e da ficção científica dos anos 1990.

RoboCop 3 (RoboCop 3, Estados Unidos, 1993) Direção: Fred Dekker / Roteiro: Fred Dekker e Frank Miller (baseado nos personagens criados por Edward Neumeier e Michael Miner) / Elenco: Robert John Burke, Nancy Allen, Rip Torn, John Castle, Jill Hennessy, CCH Pounder / Sinopse: Em uma Detroit controlada por interesses corporativos, um policial ciborgue alia-se a civis resistentes para enfrentar políticas violentas de remoção urbana e novas ameaças tecnológicas.

Erick Steve. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

RoboCop 2

RoboCop 2
RoboCop 2 (RoboCop 2) foi lançado em 22 de junho de 1990, dirigido por Irvin Kershner e estrelado por Peter Weller, Nancy Allen, Dan O’Herlihy, Tom Noonan e Belinda Bauer. Sequência direta do sucesso de 1987, o filme retorna à Detroit futurista marcada por criminalidade extrema, colapso urbano e domínio corporativo sobre as instituições públicas. A narrativa acompanha a continuidade da atuação do policial ciborgue Alex Murphy, agora enfrentando uma nova ameaça ligada ao tráfico de uma droga devastadora e aos experimentos de uma corporação que busca aperfeiçoar o controle tecnológico sobre a polícia. O ponto de partida dramático acontece quando surge um projeto alternativo de aplicação da tecnologia RoboCop, colocando em risco tanto a cidade quanto a própria identidade do protagonista. A partir dessa premissa, o filme amplia a escala da ação e da sátira social, mantendo o suspense sobre as consequências finais desse confronto entre humanidade e máquina.

No momento de seu lançamento, RoboCop 2 recebeu uma reação crítica mista da imprensa americana. O The New York Times observou que a continuação possuía energia visual e violência intensa, mas carecia da surpresa intelectual e do equilíbrio satírico do filme original. Ainda assim, o jornal reconheceu que havia momentos de humor negro e comentário social característicos do universo criado anteriormente. O Los Angeles Times destacou o aumento da escala de ação e efeitos especiais, embora tenha apontado que o tom parecia mais próximo de um espetáculo convencional de ficção científica do que de uma sátira provocativa.

A revista Variety avaliou o longa como uma sequência comercialmente eficiente, porém menos sofisticada, ressaltando que o roteiro — com participação de Frank Miller — trazia ideias sombrias interessantes, mas execução irregular. O The New Yorker comentou que o excesso de violência gráfica e de subtramas diluía o impacto emocional presente no primeiro filme. Parte da crítica elogiou a performance contínua de Peter Weller e a expansão do universo distópico, enquanto outra parte considerou que o filme priorizava o espetáculo em detrimento da reflexão. O consenso geral foi dividido, reconhecendo qualidades pontuais, mas sem o mesmo entusiasmo crítico do original.

No aspecto comercial, RoboCop 2 apresentou desempenho sólido nas bilheterias, embora inferior ao primeiro longa. Produzido com orçamento estimado em cerca de US$ 35 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 45 milhões nos Estados Unidos e ultrapassou US$ 45 milhões adicionais no mercado internacional, alcançando cerca de US$ 90 milhões mundialmente. Esses números confirmaram a força da marca RoboCop junto ao público e garantiram a continuidade da franquia em diferentes mídias. Apesar de não repetir o impacto cultural do original, o resultado financeiro foi considerado satisfatório para uma sequência de grande orçamento no início dos anos 1990.

Com o passar do tempo, RoboCop 2 passou a ser visto como uma sequência cult irregular, mas relevante dentro da ficção científica distópica. Críticos contemporâneos tendem a valorizar mais seus elementos sombrios, a crítica social ampliada e certas escolhas ousadas de roteiro, mesmo reconhecendo problemas de ritmo e tom. O filme também ganhou interesse entre fãs de quadrinhos e do trabalho de Frank Miller, que trouxe uma visão mais pessimista e violenta para o universo. Hoje, é lembrado como um capítulo imperfeito, porém importante, da trilogia original e como reflexo do endurecimento estético do cinema de ação do período.

RoboCop 2 (RoboCop 2, Estados Unidos, 1990) Direção: Irvin Kershner / Roteiro: Walon Green e Frank Miller (baseado nos personagens criados por Edward Neumeier e Michael Miner) / Elenco: Peter Weller, Nancy Allen, Dan O’Herlihy, Tom Noonan, Belinda Bauer, Gabriel Damon / Sinopse: Enquanto combate o crime em uma Detroit dominada por drogas e corrupção corporativa, um policial ciborgue enfrenta um novo projeto tecnológico que ameaça sua identidade e o futuro da cidade.

Erick Steve. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

RoboCop

RoboCop
RoboCop foi lançado em 17 de julho de 1987, dirigido por Paul Verhoeven e estrelado por Peter Weller, Nancy Allen, Dan O’Herlihy, Ronny Cox e Kurtwood Smith. Ambientado em uma Detroit futurista dominada pelo crime e pela privatização das instituições públicas, o filme acompanha o policial Alex Murphy, brutalmente ferido em serviço e posteriormente transformado em um ciborgue experimental por uma poderosa corporação. O ponto de partida da narrativa surge quando essa nova entidade, programada para combater o crime com eficiência absoluta, começa a recuperar fragmentos de memória e identidade humana. A partir dessa premissa, o longa constrói uma mistura de ficção científica, ação violenta e sátira social, explorando temas como desumanização tecnológica, corrupção corporativa e a fragilidade da consciência individual. 

Na época de seu lançamento, RoboCop recebeu uma reação crítica amplamente positiva, surpreendendo parte da imprensa que esperava apenas mais um filme de ação violento. O The New York Times destacou que o longa era “muito mais inteligente do que sua superfície sangrenta sugere”, elogiando a combinação entre espetáculo e comentário social. O Los Angeles Times ressaltou a direção irônica de Verhoeven, observando que o filme funcionava simultaneamente como entretenimento visceral e sátira mordaz da cultura corporativa e midiática. A performance contida de Peter Weller também foi mencionada como elemento essencial para dar humanidade a um personagem mecanizado.

A revista Variety descreveu o filme como “uma ficção científica brutal, porém surpreendentemente sofisticada”, apontando que o humor negro e a crítica política elevavam a produção acima do padrão do gênero. O The New Yorker observou que a violência estilizada era usada de forma deliberadamente exagerada, quase caricatural, reforçando o tom satírico da obra. Embora alguns críticos tenham considerado o nível de violência excessivo, o consenso geral foi claramente positivo, reconhecendo RoboCop como uma produção ousada que combinava ação comercial com reflexão social incomum para Hollywood nos anos 1980.

No aspecto comercial, RoboCop foi um grande sucesso de bilheteria. Produzido com orçamento estimado em cerca de US$ 13 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 53 milhões nos Estados Unidos e ultrapassou US$ 50 milhões adicionais no mercado internacional, alcançando cerca de US$ 100 milhões mundialmente. O forte desempenho financeiro transformou o personagem em franquia multimídia, gerando continuações, séries televisivas, animações e ampla linha de produtos. O sucesso também consolidou Paul Verhoeven em Hollywood e demonstrou o potencial comercial da ficção científica com tom adulto e satírico.

Com o passar do tempo, RoboCop tornou-se um clássico cult e crítico do cinema de ficção científica. Hoje é frequentemente citado entre os filmes mais importantes do gênero nos anos 1980, admirado por sua mistura singular de violência gráfica, humor ácido e comentário político. A obra é estudada como exemplo de sátira distópica sobre capitalismo, mídia sensacionalista e militarização policial. Mesmo décadas depois, continua influente estética e tematicamente, sendo lembrada como uma das produções mais marcantes da carreira de Verhoeven e uma das representações mais icônicas do policial futurista no cinema.

RoboCop (RoboCop, Estados Unidos, 1987) Direção: Paul Verhoeven / Roteiro: Edward Neumeier e Michael Miner / Elenco: Peter Weller, Nancy Allen, Dan O’Herlihy, Ronny Cox, Kurtwood Smith, Miguel Ferrer / Sinopse: Um policial mortalmente ferido é transformado em um ciborgue de combate ao crime, mas fragmentos de sua antiga humanidade emergem e o colocam em conflito com a corporação que controla sua existência.

Erick Steve. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Superman IV: Em Busca da Paz

Superman IV: Em Busca da Paz
O filme Superman IV: Em Busca da Paz (Superman IV: The Quest for Peace) foi lançado nos Estados Unidos em 24 de julho de 1987, marcando o retorno de Christopher Reeve ao papel de Clark Kent/Superman em um momento delicado da franquia. A direção ficou a cargo de Sidney J. Furie, enquanto o elenco principal inclui Gene Hackman, retomando o papel de Lex Luthor, Margot Kidder como Lois Lane, Jackie Cooper como Perry White e Mariel Hemingway como a nova personagem Lacy Warfield. A história parte de um contexto fortemente influenciado pelas tensões da Guerra Fria, quando Superman decide tomar uma atitude radical diante da ameaça nuclear global. Ao mesmo tempo, Lex Luthor surge com um novo e perigoso plano, criando um inimigo capaz de desafiar o herói de forma inédita. O ponto de partida do enredo aposta em uma mensagem pacifista explícita, colocando Superman como símbolo de esperança em um mundo à beira da autodestruição, sem jamais revelar o desfecho da trama.

Na época de seu lançamento, Superman IV foi recebido de maneira majoritariamente negativa pela crítica americana. O The New York Times descreveu o filme como “bem-intencionado, porém desajeitado”, criticando a execução da mensagem política e a precariedade dos efeitos especiais. O Los Angeles Times apontou que a produção parecia “apressada e tecnicamente inferior”, especialmente quando comparada aos filmes anteriores da série. A revista Variety destacou que, apesar do carisma contínuo de Christopher Reeve, o roteiro carecia de consistência e dramaticidade. Muitos críticos observaram que o tom ingênuo do filme não dialogava mais com o público da década de 1980, que esperava narrativas mais sofisticadas.

A The New Yorker foi ainda mais dura, afirmando que o filme reduzia conflitos complexos a soluções simplistas, enquanto o Washington Post comentou que Superman IV parecia “um eco distante da grandiosidade do original de 1978”. As críticas também recaíram sobre os efeitos visuais, considerados fracos até mesmo para os padrões da época, consequência direta de severos cortes orçamentários durante a produção. O consenso crítico foi amplamente negativo, classificando o filme como o ponto mais baixo da série clássica do Superman. Ainda assim, alguns textos reconheceram o mérito da intenção moral da história, mesmo que mal executada.

Do ponto de vista comercial, Superman IV: Em Busca da Paz teve um desempenho decepcionante. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 17 milhões, significativamente menor que os filmes anteriores, o longa arrecadou apenas cerca de US$ 15 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. No mercado internacional, a arrecadação foi igualmente fraca, resultando em um total mundial em torno de US$ 36 milhões. Esses números representaram um fracasso comercial e financeiro, selando o fim da franquia cinematográfica do Superman naquele período. O desempenho negativo também contribuiu para a falência da Cannon Films, estúdio responsável pela produção.

Atualmente, Superman IV é amplamente lembrado como um exemplo de declínio de uma grande franquia, sendo frequentemente citado entre os piores filmes de super-heróis já produzidos. Críticos contemporâneos reconhecem que o filme sofreu com limitações orçamentárias extremas e interferências criativas, o que comprometeu seriamente seu resultado final. Ainda assim, alguns fãs revisitam a obra com certo olhar nostálgico, destacando o compromisso pessoal de Christopher Reeve com a mensagem pacifista do filme. Hoje, Superman IV é visto mais como uma curiosidade histórica do que como uma obra representativa do potencial do personagem.

Superman IV: Em Busca da Paz (Superman IV: The Quest for Peace, Estados Unidos/Reino Unido, 1987) Direção: Sidney J. Furie / Roteiro: Lawrence Konner e Mark Rosenthal (história baseada em argumento de Christopher Reeve) / Elenco: Christopher Reeve, Gene Hackman, Margot Kidder, Jackie Cooper, Mariel Hemingway, Jon Cryer / Sinopse: Diante da ameaça nuclear global, Superman decide agir para eliminar armas de destruição em massa, enquanto um antigo inimigo cria uma nova força capaz de colocar em risco o equilíbrio do mundo e o próprio ideal de paz.

Erick Steve. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Superman III

Superman III
O filme Superman III foi lançado nos Estados Unidos em 17 de junho de 1983, com direção novamente atribuída a Richard Lester, consolidando a mudança de tom iniciada no segundo capítulo da franquia. O elenco principal traz o retorno de Christopher Reeve como Clark Kent/Superman, acompanhado por Richard Pryor, grande novidade do filme, Annette O’Toole como Lana Lang, Robert Vaughn no papel do empresário Ross Webster, além de Margot Kidder e Jackie Cooper, estes com participação mais reduzida. A história parte do cotidiano de Clark ao retornar à cidade natal de Smallville, enquanto um magnata corporativo decide explorar avanços tecnológicos para dominar mercados e desafiar a ordem mundial. Paralelamente, Superman passa a enfrentar uma ameaça inédita ligada à manipulação de sua própria natureza, o que o coloca diante de um conflito interno perturbador. O ponto de partida do filme aposta fortemente no humor e na sátira tecnológica da época.

No momento de seu lançamento, Superman III encontrou uma recepção crítica amplamente mista, com muitos veículos destacando a mudança acentuada de tom em relação aos filmes anteriores. O The New York Times observou que o longa “abandona parte da nobreza do herói em favor de uma comédia exagerada”, ainda que reconhecesse o esforço de Christopher Reeve em manter a credibilidade do personagem. O Los Angeles Times comentou que o filme parecia mais interessado em explorar gags visuais do que em aprofundar o mito do Superman. Já a revista Variety descreveu a produção como “irregular, alternando momentos inspirados com humor excessivamente bobo”. A presença de Richard Pryor foi amplamente destacada, sendo vista como um atrativo comercial, mas também como um elemento que desequilibrou o tom da narrativa.

A The New Yorker foi mais crítica, afirmando que o filme “transforma um herói mítico em parte de uma comédia pastelão”, enquanto o Washington Post apontou que o excesso de humor diluía a sensação de ameaça. Ainda assim, alguns críticos elogiaram sequências específicas, sobretudo aquelas que exploram o lado sombrio do protagonista, vistas como conceitualmente interessantes. No balanço geral, a crítica da época classificou Superman III como inferior aos dois primeiros filmes, reconhecendo seus méritos pontuais, mas destacando a perda de grandiosidade e coesão. A opinião predominante foi de decepção moderada, embora o filme não tenha sido um fracasso crítico absoluto.

Do ponto de vista comercial, Superman III apresentou um desempenho sólido, ainda que abaixo das expectativas geradas pelos capítulos anteriores. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 39 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 80 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos. No mercado internacional, o longa somou cerca de US$ 59 milhões, resultando em uma arrecadação mundial próxima de US$ 140 milhões. Embora lucrativo, o resultado foi considerado decepcionante quando comparado ao sucesso estrondoso de Superman (1978) e Superman II (1981). Esse desempenho contribuiu para a percepção de desgaste da franquia e para mudanças criativas que seriam tentadas no filme seguinte.

Atualmente, Superman III é visto de forma mais indulgente, embora continue sendo considerado um dos capítulos mais fracos da série clássica. Muitos críticos contemporâneos reconhecem o filme como um produto de sua época, refletindo a popularidade da comédia física e da sátira tecnológica no início dos anos 1980. A atuação de Christopher Reeve, especialmente nas cenas em que interpreta versões conflitantes do herói, passou a ser mais valorizada ao longo do tempo. Ainda assim, o tom excessivamente leve e o foco disperso impedem que o filme seja reavaliado como um clássico. Hoje, Superman III ocupa um lugar curioso na história do cinema de super-heróis, lembrado mais por suas escolhas ousadas — e controversas — do que por seu impacto duradouro.

Superman III (Superman III, Estados Unidos/Reino Unido, 1983) Direção: Richard Lester / Roteiro: David Newman e Leslie Newman / Elenco: Christopher Reeve, Richard Pryor, Annette O’Toole, Robert Vaughn, Margot Kidder, Jackie Cooper / Sinopse: Enquanto um ambicioso empresário tenta usar tecnologia avançada para controlar o mundo dos negócios, Superman enfrenta uma crise inesperada que o obriga a lidar com forças externas e conflitos internos capazes de ameaçar sua própria essência heroica.

Erick Steve. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Superman II

Superman II
O filme Superman II teve seu lançamento oficial nos Estados Unidos em 19 de junho de 1981, após uma produção conturbada iniciada ainda no final da década de 1970, sendo creditado na direção a Richard Lester, embora grande parte do material tenha sido filmada originalmente por Richard Donner. O elenco principal retorna do sucesso anterior, liderado por Christopher Reeve no papel de Clark Kent/Superman, acompanhado por Margot Kidder como Lois Lane, Gene Hackman como Lex Luthor e Ned Beatty como Otis, além da introdução de novos antagonistas vividos por Terence Stamp, Sarah Douglas e Jack O’Halloran. A história parte diretamente dos eventos do primeiro filme, apresentando Superman diante de um dilema pessoal profundo quando decide abrir mão de seus poderes para viver um amor humano ao lado de Lois. Paralelamente, três criminosos kryptonianos são libertados da Zona Fantasma e chegam à Terra, trazendo uma ameaça de proporções inéditas. O ponto de partida do enredo equilibra romance, humor e perigo global, aprofundando os conflitos internos do herói e ampliando o universo estabelecido anteriormente, sem jamais antecipar o desfecho da narrativa.

Na época de seu lançamento, Superman II foi recebido com atenção especial pela crítica americana, que observava atentamente se a continuação estaria à altura do filme de 1978. O The New York Times destacou o carisma de Christopher Reeve, afirmando que “Reeve continua sendo o maior trunfo da série, capaz de tornar crível até os momentos mais fantasiosos”. Já o Los Angeles Times elogiou o tom mais leve e bem-humorado da produção, ressaltando que o filme “assume com mais confiança sua natureza de entretenimento escapista”. A revista Variety observou que o equilíbrio entre ação e comédia tornava a experiência mais acessível ao grande público, ainda que apontasse certas irregularidades narrativas. Muitos críticos destacaram o trio de vilões kryptonianos como uma adição eficaz, especialmente a presença ameaçadora de Terence Stamp como General Zod, que trouxe um contraste sério ao tom mais descontraído do filme.

Em contrapartida, parte da crítica apresentou ressalvas claras quanto às mudanças de direção e estilo. A The New Yorker comentou que o filme parecia “dividido entre duas visões criativas”, reflexo direto da troca de diretores durante a produção. Alguns textos críticos apontaram que o roteiro perdia coesão em determinados momentos, alternando entre drama romântico e farsa cômica de maneira abrupta. O Washington Post observou que, embora divertido, o filme não possuía a mesma sensação de novidade e grandiosidade do original. Ainda assim, a avaliação geral na época foi positiva a moderadamente favorável, com consenso de que Superman II funcionava bem como espetáculo popular, mesmo carregando as marcas evidentes de um processo de produção problemático. O público e a crítica, em sua maioria, reconheceram o filme como uma continuação sólida, ainda que imperfeita.

Do ponto de vista comercial, Superman II foi um sucesso significativo. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 54 milhões, valor elevado para a época devido às filmagens simultâneas com o primeiro filme, a produção conseguiu um retorno expressivo. Nos Estados Unidos, a bilheteria ultrapassou US$ 108 milhões, consolidando-se como um dos filmes mais lucrativos de 1981. No mercado internacional, o desempenho também foi robusto, elevando a arrecadação global para algo em torno de US$ 190 milhões. Esses números confirmaram a força do personagem Superman como franquia cinematográfica e garantiram a continuidade da série. Apesar dos custos altos e dos conflitos nos bastidores, o estúdio considerou o resultado financeiro altamente satisfatório, reforçando o apelo mundial do herói criado pela DC Comics.

Com o passar das décadas, a reputação de Superman II cresceu e se transformou. Atualmente, o filme é frequentemente lembrado como uma das melhores sequências de super-heróis já produzidas, especialmente dentro do contexto do cinema anterior à era dos efeitos digitais avançados. Muitos fãs e críticos destacam o arco emocional de Clark Kent como um dos mais interessantes já apresentados em adaptações do personagem. O lançamento posterior da chamada “Richard Donner Cut”, em 2006, reacendeu debates críticos e acadêmicos, levando parte do público a reavaliar o filme sob uma nova perspectiva. Hoje, Superman II é visto como uma obra essencial para compreender a evolução do gênero, valorizada tanto por seu entretenimento quanto por seus conflitos humanos e simbólicos.

Superman II (Superman II, Estados Unidos/Reino Unido, 1981) Direção: Richard Lester / Roteiro: Mario Puzo e David Newman (baseado nos personagens criados por Jerry Siegel e Joe Shuster) / Elenco: Christopher Reeve, Margot Kidder, Gene Hackman, Terence Stamp, Sarah Douglas, Ned Beatty / Sinopse: Após questionar seu papel como protetor da humanidade, Superman enfrenta uma ameaça vinda de seu próprio planeta natal enquanto tenta conciliar sentimentos humanos com responsabilidades sobre-humanas, colocando o destino da Terra em risco diante de inimigos poderosos e implacáveis.

Erick Steve. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

Superman

Superman
Na iminência da destruição de seu planeta Kripton, Jor-El (Marlon Brando) decide enviar seu filho recém nascido para um planeta distante chamado Terra nos confins do universo. Assim começa a aventura de Superman, um dos super-heróis mais populares e influentes da cultura pop. Para aquele que é considerado o primeiro grande personagem do universo de quadrinhos a Warner resolveu caprichar na realização desse filme. A publicidade de Superman garantia que o espectador iria acreditar que o homem poderia voar. Depois do lançamento ninguém mais tinha dúvidas sobre isso. Superman é até hoje uma das melhores adaptações já feitas de quadrinhos para o cinema. A produção classe A acerta em praticamente todos os aspectos: elenco, direção, efeitos especiais e roteiro. Poucas vezes na história do cinema se viu um filme em que tantos elementos se encaixavam tão perfeitamente. Os efeitos especiais certamente envelheceram pois foram feitos em uma época em que não havia ainda efeitos digitais. Mesmo assim visto atualmente temos que admitir que se tornaram bem charmosos, além de dar um status cult para a produção em si. As cenas em que Superman voa pela primeira vez, por exemplo, não perderam impacto mesmo nos dias de hoje. 

Além de visualmente deslumbrante Superman ainda contava com uma trilha sonora imortal que até hoje emociona. A música tema composta por John Williams ainda soa poderosa e evocativa, mesmo após tantos anos. O elenco de Superman é formidável a começar pela escolha de Christopher Reeve para interpretar o personagem título. Eu costumo dizer que não basta ter apenas a estampa, o porte físico de Superman para se sair bem nesse papel. Tem que ser bom ator e a razão é simples: para interpretar Clark Kent o ator tem que ser versátil. Por isso tantos fracassaram. Nessa questão Christopher Reeve foi brilhante pois atuou maravilhosamente bem tanto na pele do super-herói quanto na pele de seu alter ego, o jornalista tímido e atrapalhado Clark Kent. Outro destaque sempre lembrado desse filme é a presença do mito Marlon Brando. Fazendo o papel do pai de Superman ele rouba a parte inicial do filme. Curiosamente Brando quase não embarca nessa aventura pelo cachê absurdo que cobrou. Após analisar bem o estúdio entendeu que ter Marlon Brando no elenco não tinha preço pois ele certamente traria muito prestígio para o filme como um todo. Foi contratado e mais uma vez arrasou em cena. Como se não bastasse a presença desses dois maravilhosos profissionais o filme ainda contava com um elenco de apoio simplesmente incrível: Gene Hackman e o veterano Glenn Ford (na pele do pai terrestre de Kent). Em breve teremos mais uma adaptação do personagem para as telas, novamente pelos estúdios Warner e novamente contando com uma produção milionária. Será que vai conseguir superar esse filme definitivo sobre o homem de aço? Eu duvido muito. Algumas produções são simplesmente definitivas como essa. Nota 10 com louvor. 

Superman - O Filme (Superman, Estados Unidos, 1978) Direção: Richard Donner / Roteiro: Mario Puzo, David Newman, Leslie Newman, Robert Benton baseados no personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster / Elenco: Christopher Reeve, Marlon Brando, Gene Hackman, Glenn Ford, Margot Kidder, Susannah York, Terence Stamp / Sinopse: "Superman" de 1978 conta as origens do personagem tão popular do universo de quadrinhos. Nascido em Kripton adquire super poderes em nosso planeta. Um ícone da cultura pop em excelente produção dos estúdios Warner. 

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Superman
Superman – O Filme estreou mundialmente em dezembro de 1978, dirigido por Richard Donner e estrelado por Christopher Reeve, marcando a primeira grande adaptação moderna de um super-herói dos quadrinhos para o cinema com ambição épica. Produzido por Alexander e Ilya Salkind, o longa foi concebido como um espetáculo de prestígio, com orçamento elevado, efeitos especiais inovadores e um elenco de peso, incluindo Marlon Brando como Jor-El e Gene Hackman como Lex Luthor. O slogan promocional — “You’ll believe a man can fly” — sintetizava a aposta do estúdio em convencer o público de que um herói dos quadrinhos podia ser levado a sério no cinema.

A bilheteria foi extraordinária. Com um custo estimado em cerca de US$ 55 milhões, Superman arrecadou mais de US$ 300 milhões mundialmente, tornando-se um dos maiores sucessos comerciais de 1978 e um dos filmes mais lucrativos da década. Nos Estados Unidos, permaneceu semanas entre os líderes de arrecadação, atraindo tanto jovens quanto adultos, algo incomum para um filme baseado em HQs naquele período. O sucesso consolidou o personagem como ícone cinematográfico e abriu caminho para uma nova era de blockbusters de super-heróis.

A reação da crítica foi amplamente positiva, algo decisivo para a longevidade do filme. O The New York Times afirmou que o longa era “leve, espirituoso e surpreendentemente elegante”, destacando o equilíbrio entre humor, ação e emoção. Já a revista Time escreveu que Superman era “um triunfo do cinema popular, feito com inteligência e respeito pelo mito original”, elogiando especialmente a direção de Donner por tratar o personagem com seriedade sem cair no tom solene excessivo.

Christopher Reeve foi o elemento mais celebrado nas resenhas. O Washington Post destacou que o ator “conseguiu tornar Superman grandioso e Clark Kent encantadoramente humano”, algo considerado essencial para o sucesso do filme. A trilha sonora de John Williams também recebeu elogios quase unânimes, sendo descrita pela Variety como “heroica, memorável e instantaneamente associada ao personagem”, reforçando o impacto emocional da narrativa.

Com o passar do tempo, Superman – O Filme passou a ser visto como um marco histórico do cinema comercial, responsável por estabelecer o modelo de grandes produções de super-heróis tratadas como eventos cinematográficos legítimos. Em 1978, muitos críticos já apontavam que o filme “elevava o gênero a um novo patamar”, percepção confirmada pelas décadas seguintes. Hoje, o longa é lembrado não apenas como um sucesso de bilheteria, mas como a obra que ensinou Hollywood a levar super-heróis a sério — sem perder o senso de encanto e esperança.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O Talentoso Ripley

Título no Brasil: O Talentoso Ripley
Título Original: The Talented Mr. Ripley
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Miramax, Paramount Pictures
Direção: Anthony Minghella
Roteiro: Anthony Minghella
Elenco: Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Jude Law, Cate Blanchett, Philip Seymour Hoffman, Jack Davenport
  
Sinopse:
Tom Ripley (Matt Damon) não é um sujeito comum. Ele tem o dom natural para copiar o modo de ser das pessoas, além de as manipular com maestria. Ao viajar para a Europa ele acaba se aproximando do casal formado por Dickie Greenleaf (Jude Law) e Marge Sherwood (Gwyneth Paltrow). No começo ele parece ser apenas uma pessoa agradável e amigável, mas logo surgem suspeitas sobre as suas reais intenções.

Comentários:
Boa adaptação do romance escrito por Patricia Highsmith. O enredo é tecido sobre as sutilezas do comportamento humano, mostrando que nem sempre uma amizade pode ser criada apenas por sentimentos nobres e verdadeiros. Um aspecto curioso é que o filme, apesar de ser americano, procurou copiar o melhor do estilo do cinema europeu. Por isso, para muitos, o filme tem um ritmo um pouco arrastado, quase parando. Essa crítica é porém injusta. Como a trama é baseada em nuances comportamentais, era mesmo de se esperar que existisse um certo tempo para desenvolver todas elas. Melhor para o elenco que assim teve a oportunidade de dar o melhor de si em termos de atuação. Embora todo o trio protagonista esteja muito bem (até o limitado Matt Damon se sobressai), eu gostaria de dar o devido crédito para o grande (em todos os aspectos) Philip Seymour Hoffman. Ele não tem um grande papel dentro da trama, isso é verdade, mas acaba roubando o show em todos os momentos em que surge na tela. Sua morte, causada por uma overdose acidental, deixou um vácuo muito grande dentro da indústria americana de cinema. Por fim, a título de informação, é importante salientar que "The Talented Mr. Ripley" virou uma espécie de queridinho da crítica americana em seu lançamento, o que proporcionou ao filme ser indicado a cinco categorias no Oscar, incluindo Melhor Ator (Jude Law), Melhor Roteiro Adaptado (para o próprio diretor Anthony Minghella que também escreveu o texto do roteiro) e Melhor Direção de Arte (para a dupla formada por Roy Walker e Bruno Cesari, em um reconhecimento mais do que merecido). Então é isso, um filme americano com todo o jeitão do elegante cinema europeu, em uma espécie de estudo da alma humana em frangalhos. Incisivo, mordaz e cruel nas medidas certas.

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: O Talentoso Ripley
O thriller psicológico O Talentoso Ripley estreou nos cinemas em dezembro de 1999, dirigido por Anthony Minghella e baseado no romance homônimo de Patricia Highsmith. Ambientado entre Nova York e a Itália do pós-guerra, o filme acompanha Tom Ripley, um jovem ambicioso e socialmente deslocado que se infiltra na vida de um herdeiro americano, dando início a uma espiral de obsessão, impostura e violência. Desde o lançamento, a produção chamou atenção pelo contraste entre a beleza ensolarada dos cenários italianos e a escuridão moral de sua narrativa.

Em termos de bilheteria, o filme obteve um bom desempenho comercial. Produzido pela Paramount Pictures, O Talentoso Ripley arrecadou cifras sólidas nos Estados Unidos e no mercado internacional, beneficiando-se do interesse do público por thrillers sofisticados e pelo apelo de seu elenco estrelado, que incluía Matt Damon, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Cate Blanchett e Philip Seymour Hoffman.

A reação da crítica em 1999 foi amplamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “um thriller elegante, perturbador e moralmente inquietante”, destacando a forma como Minghella transformava uma história de crime em um estudo psicológico refinado. A revista Time comentou que a obra era “sedutora, cruel e cuidadosamente construída”, elogiando o ritmo deliberado e a atmosfera de tensão constante.

As atuações receberam destaque especial na imprensa. Matt Damon foi amplamente elogiado por sua interpretação de Tom Ripley, descrita por críticos como “assustadoramente contida e cheia de ambiguidade moral”, marcando uma virada em sua imagem pública após papéis mais heroicos. Jude Law foi celebrado por seu carisma magnético, com jornais afirmando que ele encarnava “o tipo de privilégio e charme que desperta admiração e ressentimento ao mesmo tempo”. Cate Blanchett e Philip Seymour Hoffman também foram apontados como presenças decisivas para a densidade dramática do filme.

Na temporada de prêmios, O Talentoso Ripley recebeu cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante para Jude Law, consolidando seu prestígio crítico. Já em 1999, muitos comentaristas observavam que o filme se destacava por evitar explicações fáceis ou julgamentos morais simplistas. Hoje, a obra é considerada um clássico moderno do suspense psicológico, lembrada por sua sofisticação estética, atuações marcantes e por oferecer um retrato perturbador do desejo de pertencimento e da construção da identidade.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A Conversação

A Conversação
Depois da consagração do filme "O Poderoso Chefão", o diretor Francis Ford Coppola poderia ter dirigido qualquer filme que quisesse em Hollywood. Seu nome e prestigio estavam em alta. Só que ao invés de embarcar em outra saga épica, ele resolveu escolher um roteiro que ele havia escrito alguns anos antes. Se tratava de "The Conversation", uma história sobre um especialista em captar sons que entrava em uma roleta russa na sua vida profissional e pessoal. O personagem principal do filme se chama Harry Caul (Gene Hackman). Ele é um mestre em gravar conversas alheias sem autorização. O tipo de sujeito que faz o jogo sujo para qualquer um que pague por seus serviços. Geralmente é contratado por criminosos ou então maridos desconfiados que precisam de alguma prova da traição de suas esposas supostamente infiéis. Quando o filme começa ele está novamente em campo, gravando a conversa de um casal que passeia numa praça de Nova Iorque.

Seu cliente é um rico executivo que deseja confirmar se a jovem esposa tem mesmo um amante. Caul arma todo um esquema para gravar o casal e descobre que eles podem ser mortos se tudo for revelado. A partir daí as coisas começam a se complicar. Ele hesita em entregar o que gravou. Tem crises éticas, religiosas e existenciais sobre isso. Com isso sua vida vai entrando em parafuso, com ele cada vez mais paranoico, suspeitando de que virou um alvo de pessoas poderosas que querem se vingar de algo que fez.

Francis Ford Coppola, como grande diretor que sempre foi, tenta equilibrar o filme entre o drama existencial e o suspense. O protagonista é um sujeito com vida pessoal vazia, sem ligação com ninguém, que vive apenas para o trabalho e quando esse lhe traz uma aflição emocional pelo que faz, a sua vida sai dos trilhos. É um filme muito bom, que consegue ser bem sucedido nos dois gêneros apontados pelo cineasta. Tanto funciona bem como drama, como também no desenvolvimento do suspense envolvendo todas as situações. Um Coppola menos conhecido nos dias atuais, porém não menos interessante.

A Conversação (The Conversation, Estados Unidos, 1974) Direção: Francis Ford Coppola / Roteiro: Francis Ford Coppola / Elenco: Gene Hackman, Harrison Ford, Robert Duvall, John Cazale, Allen Garfield / Sinopse: Harry Caul (Gene Hackman) é um especialista em som, que é contratado por um executivo que quer provas da infidelidade da jovem esposa, só que as coisas não saem exatamente como planejado. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original (Francis Ford Coppola) e Melhor Som (Walter Murch, Art Rochester). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Direção (Francis Ford Coppola), Melhor Ator (Gene Hackman) e Melhor Direção ( Francis Ford Coppola).

Pablo Aluísio. 

Em Cartaz: A Conversação
O suspense psicológico A Conversação estreou nos cinemas em abril de 1974, escrito e dirigido por Francis Ford Coppola e estrelado por Gene Hackman. Lançado logo após o enorme sucesso de O Poderoso Chefão, o filme surpreendeu por seu tom contido e introspectivo, acompanhando um especialista em vigilância eletrônica consumido pela paranoia e pela culpa. Desde o início, a obra foi percebida como um retrato inquietante da solidão e da invasão de privacidade em uma era marcada por escândalos políticos e desconfiança institucional.

Em termos de bilheteria, A Conversação teve um bom desempenho, especialmente considerando sua narrativa minimalista e ritmo deliberadamente lento. Produzido pela Paramount Pictures, o filme atraiu um público adulto e urbano, interessado em cinema autoral. Embora não tenha alcançado cifras de grandes blockbusters da época, manteve-se em cartaz por semanas e consolidou-se como um sucesso crítico-comercial consistente.

A reação da crítica em 1974 foi amplamente entusiástica. O The New York Times descreveu o filme como “um estudo magistral da paranoia moderna”, destacando a precisão do roteiro e a atmosfera sufocante construída por Coppola. A revista Time afirmou que se tratava de “um suspense silencioso e profundamente perturbador”, elogiando a forma como o filme transformava detalhes sonoros e visuais em instrumentos de tensão psicológica.

A atuação de Gene Hackman foi o ponto mais celebrado pela imprensa. Críticos da época afirmaram que ele entregava uma performance “contida, dolorosa e extraordinariamente humana”, distante de seus papéis mais explosivos. Jornais ressaltaram que Hackman conseguia expressar medo, culpa e obsessão quase sem diálogos, tornando o personagem um dos retratos mais complexos da década no cinema americano.

O prestígio do filme se confirmou ao vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1974 e ao receber indicações importantes ao Oscar. Já em seu ano de lançamento, muitos críticos apontavam que A Conversação seria lembrado como um dos filmes mais pessoais de Coppola e um marco do cinema paranoico dos anos 1970. Hoje, a obra é considerada um clássico absoluto, frequentemente citada como uma das análises mais penetrantes já feitas sobre vigilância, culpa e alienação na sociedade contemporânea.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Encurralado

Título no Brasil: Encurralado
Título Original: Duel
Ano de Produção: 1971
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Richard Matheson, Richard Matheson
Elenco: Dennis Weaver, Jacqueline Scott, Eddie Firestone, Lou Frizzell, Gene Dynarski, Lucille Benson

Sinopse:
Um técnico de computação, em viagem pelas estradas, passa a ser perseguido, sem qualquer razão, por um motorista de um velho caminhão. A obsessão torna a viagem um verdadeiro jogo de vida ou morte. Filme premiado no Emmy Awards na categoria de melhor edição de som. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor filme especialmente produzido para a televisão.

Comentários:
Esse pode ser considerado o primeiro filme da carreira de Steven Spielberg. Antes ele já havia dirigido alguns curtas e alguns episódios para séries de TV (como "Columbo"), mas nunca havia assumido o posto de direção em um filme de longa-metragem. Feito para a TV, foi quase como um teste da Universal em relação ao jovem cineasta, recém contratado. O resultado ficou muito melhor do que era esperado. Com elementos básicos em mãos, uma história simples, Spielberg conseguiu realizar um excelente thriller de estrada, um road movie de suspense, explorando cada situação ao máximo. Tão boa foi a receptividade que em alguns países o filme foi exibido nos cinemas, cono no Canadá, Europa e Brasil. E pensar que aquele jovem diretor iniciante iria se tornar nas décadas seguintes o diretor mais popular da indústria cinematográfica. E tudo começou aqui, nesse modesto, mas muito bom telefilme dos anos 1970.

Pablo Aluísio.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Perfil: Michael Douglas


Perfil: Michael Douglas
Michael Douglas é um dos atores e produtores mais influentes do cinema norte-americano das últimas décadas, conhecido por interpretar personagens complexos, muitas vezes marcados por ambiguidade moral e conflitos internos. Nascido em 25 de setembro de 1944, em New Brunswick, Nova Jersey, ele é filho do lendário ator Kirk Douglas, mas construiu uma carreira própria, distinta e respeitada, evitando viver apenas à sombra do sobrenome famoso.

Sua projeção inicial ocorreu na televisão, com a série As Ruas de São Francisco (1972–1976), que lhe garantiu grande popularidade. No cinema, Douglas destacou-se a partir dos anos 1980, período em que se tornou um dos principais rostos de Hollywood. Filmes como Síndrome da China (1979), Atração Fatal (1987) e Wall Street – Poder e Cobiça (1987) consolidaram sua imagem de ator associado a thrillers psicológicos e dramas contemporâneos, frequentemente abordando temas como poder, ambição e corrupção.

Em Wall Street, Michael Douglas interpretou Gordon Gekko, um dos personagens mais icônicos do cinema moderno, papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator. A frase “a ganância é boa”, dita pelo personagem, tornou-se símbolo do espírito econômico dos anos 1980 e ajudou a fixar Douglas como o intérprete ideal de figuras carismáticas e moralmente questionáveis, capazes de fascinar e inquietar o público ao mesmo tempo.

Além de atuar, Douglas teve papel fundamental como produtor. Foi nessa função que conquistou seu primeiro Oscar, por Um Estranho no Ninho (1975), filme vencedor do prêmio de Melhor Filme. Ao longo da carreira, produziu obras relevantes e comerciais, demonstrando visão estratégica e sensibilidade para projetos de forte impacto cultural e artístico.

Nas décadas seguintes, Michael Douglas manteve-se ativo e relevante, participando de produções variadas como Instinto Selvagem (1992), Um Dia de Fúria (1993) e, mais recentemente, da franquia Homem-Formiga, integrando-se ao cinema de super-heróis. Sua trajetória sólida, marcada por escolhas inteligentes e personagens memoráveis, assegura-lhe um lugar de destaque na história do cinema americano.

A Síndrome da China

Título no Brasil: A Síndrome da China
Título Original: The China Syndrome
Ano de Produção: 1979
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: James Bridges
Roteiro: Mike Gray, T.S. Cook
Elenco: Jane Fonda, Jack Lemmon, Michael Douglas

Sinopse:
Durante uma reportagem investigativa a jornalista Kimberly Wells (Jane Fonda) e seu cinegrafista descobrem uma série de falhas de segurança numa usina nuclear. Jack Godell (Jack Lemmon), um engenheiro da usina, decide colaborar com eles para mostrar os riscos que todos correm por causa dos inúmeros problemas na usina. Filme indicado ao Oscar nas categorias Melhor Ator Coadjuvante (Jack Lemmon), Melhor Atriz Coadjuvante (Jane Fonda), Melhor Roteiro e Melhor Direção de Arte. Vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Ator (Jack Lemmon) e Melhor Atriz (Jane Fonda).

Comentários:
Hoje em dia a carreira de Michael Douglas está resumida em comediazinhas bobas que tentam fazer graça de sua idade. Pois bem, o tempo cobra seu preço. Em nada lembra o jovem ator engajado politicamente do começo de sua carreira, não apenas como intérprete mas também como produtor. Nos anos 1970 ele ainda estava tentando sair da sombra de seu pai, o grande Kirk Douglas, e procurava por um caminho próprio. Para sua sorte caiu em suas mãos o script de "The China Syndrome", um texto que denunciava os perigos da energia nuclear e a falta de cuidado que existia dentro das inúmeras usinas nucleares espalhadas pelo território americano. Ele achou ótimo aquele texto e resolveu ele próprio produzir o filme. Por uma ironia do destino poucas semanas antes da produção ser lançada nos cinemas ocorreu um desastre real numa usina americana, o que trouxe uma publicidade extra para a película que logo se transformaria em um sucesso de público e crítica. Além de Douglas ainda temos a presença de dois nomes de expressão na história do cinema no elenco, Jane Fonda (a liberal que sempre procurava por temas intrigantes no campo político) e Jack Lemmon (que surge em um papel atípico, bem longe de suas comédias sofisticadas). Assim deixamos a dica dessa produção que causou grande impacto em seu lançamento mas que hoje em dia anda pouco lembrada, infelizmente.

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: A Síndrome da China
O thriller A Síndrome da China estreou nos cinemas em março de 1979, dirigido por James Bridges e estrelado por Jane Fonda, Jack Lemmon e Michael Douglas. O filme aborda os riscos da energia nuclear ao acompanhar uma repórter de televisão e um cinegrafista que testemunham um possível acidente em uma usina nuclear e descobrem uma tentativa de encobrimento corporativo. Seu lançamento ganhou contornos extraordinários quando, apenas doze dias depois da estreia, ocorreu o acidente real da usina de Three Mile Island, na Pensilvânia, o que aumentou drasticamente o impacto e a repercussão do filme junto ao público.

Em termos de bilheteria, A Síndrome da China foi um grande sucesso comercial. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 6 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 51 milhões apenas nos Estados Unidos, tornando-se um dos thrillers mais lucrativos do ano. A coincidência com o acidente nuclear real transformou o longa em um fenômeno cultural momentâneo, atraindo espectadores interessados tanto no suspense quanto no debate social e político levantado pela obra.

A reação da crítica em 1979 foi amplamente positiva, com muitos jornalistas elogiando o equilíbrio entre entretenimento e comentário social. O The New York Times escreveu que o filme era “um thriller inteligente e alarmante, que transforma uma questão técnica em drama humano de primeira linha”, destacando a habilidade do roteiro em tornar compreensíveis temas científicos complexos. Já a revista Time descreveu a obra como “tensa, perturbadora e inquietantemente plausível”, ressaltando seu impacto emocional.

As atuações também foram bastante celebradas. Jack Lemmon recebeu elogios quase unânimes por sua interpretação do engenheiro atormentado pela ética profissional, com o Los Angeles Times afirmando que o ator oferecia “uma atuação poderosa, carregada de humanidade e urgência moral”. Jane Fonda foi elogiada por retratar uma jornalista ambiciosa que amadurece ao longo da narrativa, enquanto Michael Douglas foi destacado como um antagonista “frio e convincentemente corporativo”, segundo comentários publicados na Variety.

Com o passar dos anos, A Síndrome da China consolidou-se como um dos thrillers políticos mais importantes do cinema americano dos anos 1970. As críticas publicadas em 1979 já indicavam que o filme ultrapassava o simples suspense, funcionando como um alerta sobre responsabilidade corporativa, ética jornalística e riscos tecnológicos. Hoje, a obra é frequentemente lembrada como um exemplo clássico de cinema engajado, cuja relevância histórica foi amplificada pela extraordinária coincidência entre ficção e realidade no momento de seu lançamento.

Filmografia Michael Douglas


Filmografia Michael Douglas:
Coma 
Síndrome da China
A Maratona de Michael
Esta é a Minha Chance
O Esquadrão de Justiça
Tudo por uma Esmeralda
A Jóia do Nilo
Chorus Line
Billy Ocean
Atração Fatal
Wall Street
Chuva Negra
A Guerra dos Roses
Uma Luz na Escuridão
Instinto Selvagem
Um Dia de Fúria
Assédio Sexual
Meu Querido Presidente
A Sombra e a Escuridão
Vidas em Jogo
Um Crime Perfeito
Garotos Incríveis
Traffic
Que Mulher é Essa
Refém do Silêncio
Acontece nas Melhores Famílias
Até que os Parentes nos Separem
Sentinela
Dois é bom, Três é Demais
O Rei da Califórnia
Minhas Adoráveis Ex-Namoradas
Acima de Qualquer Suspeita
O Solteirão
Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
A Toda Prova
Minha Vida com Liberace
Última Viagem a Vegas
Um Amor de Vizinha
Fora de Alcance
Homem-Formiga
Conspiração Terrorista
Homem-Formiga e a Vespa
Mundo Animal
Vingadores: Ultimato
Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania
Correnteza de Amor

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Sem Destino

Sem Destino
A década de 1960 foi muito efervescente do ponto de vista cultural. O movimento hippie estava no ar e os jovens pensavam que tudo se resolveria através da singela filosofia da “Paz e Amor”. Infelizmente os fatos provaram que não era bem assim. Bom se todos aqueles movimentos se mostraram inócuos na vida real pelo menos na arte os anos 60 legaram para a posteridade ótimos discos, peças de teatro e filmes. Um dos mais celebrados foi justamente esse “Sem Destino”. O projeto nasceu de uma proposta de trabalho de Peter Fonda e Dennis Hopper que procuravam viabilizar a realização de filmes com baixo orçamento mas muitas idéias novas na cabeça. Peter, filho do ícone Henry Fonda, queria se afastar dos grandes estúdios e seus executivos, que não conseguiam mais entender a nova geração que estava aí. Ele racionalizou e entendeu que no máximo precisaria das grandes companhias cinematográficas apenas na fase de distribuição, já que na questão de produção e filmagem poderia bancar tudo praticamente sozinho. Hopper,  um notório “maluco beleza” daqueles anos, entendia que tudo o que precisava para realizar um bom filme era captar os novos tempos que pairavam dentro da sociedade americana naquele momento. Se afastar o máximo possível da mera ficção com o objetivo de retratar a realidade do cotidiano das pessoas ao redor.

E foi com esse espírito independente que nasceu seu maior filme, “Sem Destino”. Peter Fonda se uniu aos amigos Jack Nicholson (antes de virar um grande astro de Hollywood) e Dennis Hopper (símbolo da contracultura e do cinema de vanguarda) para literalmente cair na estrada, sem lenço e nem documento. Juntos a uma pequena equipe de filmagens saíram pelas highways americanas filmando tudo o que de interessante encontravam pela frente. Como a produção deveria ter custo mínimo o roteiro foi sendo escrito no calor dos acontecimentos, conforme as filmagens avançavam. Havia certamente uma linha narrativa muito tênue a seguir escrita pelo roteirista Terry Southern, mas o resto da estória foi sendo criado in loco por Fonda e Hopper durante as gravações. Uma das maiores ironias do elenco era certamente a presença de Jack Nicholson, um notório malucão dos anos 60, aqui interpretando um personagem careta! Assim que chegou nas telas o resultado comercial se revelou espetacular. “Sem Destino” custou a bagatela de meros 400 mil dólares e rendeu mais de 70 milhões de bilheteria, se tornando um dos filmes mais lucrativos da história. Peter Fonda se tornou um homem rico praticamente da noite para o dia, pois havia trocado seu cachê por um percentual nos lucros. “Sem Destino” no final das contas se revelou um ótimo produto do sistema capitalista americano que criticava, quem diria...

Sem Destino (Easy Rider, Estados Unidos, 1969) Direção: Dennis Hopper / Roteiro: Peter Fonda, Dennis Hopper, Terry Southern / Elenco: Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson / Sinopse: Dois motoqueiros vagam pelas estradas americanas em busca de aventuras. Em seu caminho conhecem os mais diferentes tipos de pessoas, desde caretas até hippies tentando viver o sonho da filosofia “Paz e Amor”. Premiado no Festival de Cannes com o prêmio de melhor filme de diretor estreante (Dennis Hopper). Indicado a Palma de Ouro. Indicado aos Oscars de melhor ator coadjuvante (Jack Nicholson) e melhor roteiro original.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Sem Destino
O filme Sem Destino estreou em julho de 1969, dirigido por Dennis Hopper e estrelado por Peter Fonda, Dennis Hopper e Jack Nicholson. Produzido em meio ao auge da contracultura americana, o longa acompanhava dois motociclistas que cruzam os Estados Unidos em busca de liberdade, confrontando o conservadorismo, a intolerância e as contradições do sonho americano. Seu lançamento representou uma ruptura com o cinema clássico de Hollywood, tanto na forma quanto no conteúdo, tornando-se um símbolo imediato de uma geração em conflito com valores tradicionais.

Do ponto de vista comercial, Sem Destino foi um fenômeno inesperado de bilheteria. Com um orçamento extremamente baixo — cerca de US$ 400 mil — o filme arrecadou mais de US$ 60 milhões mundialmente, transformando-se em um dos maiores sucessos independentes da história do cinema até então. O desempenho surpreendente mostrou aos estúdios que havia um público jovem interessado em narrativas mais ousadas, ajudando a abrir caminho para a chamada Nova Hollywood dos anos 1970.

A reação da crítica em 1969 foi amplamente positiva, embora nem sempre consensual. O The New York Times descreveu o filme como “um retrato cru e perturbador da América contemporânea”, destacando sua capacidade de captar o espírito de uma juventude desencantada. Já a revista Time afirmou que Sem Destino era “um filme que parece improvisado, mas que atinge em cheio as ansiedades de sua época”, ressaltando seu impacto cultural imediato.

Entre os elogios mais enfáticos estava a atuação de Jack Nicholson, em um papel secundário que se tornaria decisivo para sua carreira. O Los Angeles Times escreveu que Nicholson oferecia “uma performance eletrizante, que rouba o filme e dá voz à paranoia e ao medo latente da América profunda”. Ao mesmo tempo, alguns críticos mais conservadores acusaram o longa de ser “desleixado” ou “antipatriótico”, revelando como o filme dividiu opiniões no clima político tenso do final dos anos 1960.

Com o passar das décadas, Sem Destino consolidou-se como um marco do cinema americano, não apenas por seu sucesso financeiro, mas por sua influência estética e temática. As frases publicadas nos jornais de 1969 já indicavam que o filme não era apenas um sucesso passageiro, mas um retrato incômodo de um país em transformação. Hoje, ele é lembrado como uma obra-chave que redefiniu o que o cinema hollywoodiano poderia ser, dando voz a uma geração e mudando definitivamente a relação entre estúdios, cineastas e público jovem.