domingo, 16 de agosto de 2026

Confissões Verdadeiras

Título no Brasil: Confissões Verdadeiras
Título Original: True Confessions
Ano de Lançamento: 1981
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Ulu Grosbard
Roteiro: John Gregory Dunne e Joan Didion, baseado no romance de John Gregory Dunne
Elenco: Robert De Niro, Robert Duvall, Rose Gregorio, Cyril Cusack, Ed Flanders, Burgess Meredith, Kenneth McMillan e Jeanette Nolan.

Sinopse:
Ambientado em Los Angeles no final dos anos 1940, True Confessions acompanha dois irmãos que escolheram caminhos completamente diferentes na vida. Desmond Spellacy, interpretado por Robert De Niro, é um ambicioso monsenhor da Igreja Católica que exerce enorme influência sobre a comunidade e mantém relações próximas com políticos e empresários. Seu irmão, Tom Spellacy, vivido por Robert Duvall, é um detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles, conhecido por sua personalidade austera e seu senso de justiça. A história começa com a investigação do assassinato brutal de uma jovem prostituta, cujo corpo é encontrado em circunstâncias extremamente violentas. À medida que Tom aprofunda suas investigações, percebe que o crime pode estar relacionado a interesses políticos, corrupção policial e às atividades de pessoas ligadas à Igreja. Paralelamente, Desmond tenta proteger a reputação da arquidiocese e seus próprios projetos de expansão. O caso acaba colocando os irmãos em lados diferentes de uma sociedade marcada por corrupção, ambição e hipocrisia.

Comentários:
True Confessions recebeu uma reação bastante respeitosa da crítica americana quando chegou aos cinemas em setembro de 1981, principalmente por causa das atuações de Robert De Niro e Robert Duvall. O The New York Times, em crítica de Vincent Canby, destacou a atmosfera sombria do filme e a complexidade da relação entre os dois irmãos, embora tenha considerado o roteiro excessivamente carregado de personagens e subtramas. A revista Variety foi mais entusiasmada com o trabalho do elenco, apontando De Niro e Duvall como o principal motivo para acompanhar a produção. A atuação de Duvall foi especialmente elogiada por transmitir a frustração e o cansaço de um policial que percebe que a justiça não funciona de maneira igual para todos. De Niro, por sua vez, apresentou uma interpretação deliberadamente contida, evitando transformar o monsenhor Desmond em um vilão convencional. A revista Time também chamou atenção para a maneira como o filme retrata a Igreja, a polícia e as elites econômicas de Los Angeles, observando que a narrativa funciona melhor como estudo de caráter do que como simples investigação policial. A direção de Ulu Grosbard recebeu elogios pela atmosfera realista e pela recusa em transformar o material em um thriller convencional.

O aspecto mais valorizado atualmente em True Confessions é justamente a relação entre os dois protagonistas. O filme não apresenta Tom e Desmond simplesmente como representantes da polícia e da Igreja, mas como irmãos que desenvolveram códigos morais completamente diferentes. Tom acredita que deve descobrir a verdade, enquanto Desmond acredita que determinadas verdades precisam ser escondidas para preservar instituições maiores. Essa tensão confere ao filme uma atmosfera melancólica e adulta, bastante característica de determinados dramas americanos do início dos anos 1980. O Los Angeles Times destacou a recriação da Los Angeles do pós-guerra e a fotografia de Owen Roizman, que utiliza ambientes escuros e uma paleta visual sombria para reforçar o sentimento de decadência moral. Com o passar dos anos, o filme passou a ser considerado uma obra subestimada das filmografias de De Niro e Duvall. Embora não possua a mesma popularidade de Taxi Driver, Touro Indomável, O Poderoso Chefão ou Apocalypse Now, é frequentemente lembrado por estudiosos do cinema americano como um excelente exemplo do drama policial adulto produzido em Hollywood naquele período. A força das duas interpretações principais e o retrato de uma Los Angeles dominada por interesses políticos, religiosos e econômicos fazem de True Confessions uma produção particularmente interessante para quem aprecia filmes policiais mais lentos, sombrios e voltados para personagens complexos.

Erick Steve. 

sábado, 8 de agosto de 2026

Scarface

Scarface
Al Pacino é um dos grandes atores do século. Disso tenho certeza poucas pessoas ainda tem dúvidas. Recentemente assisti um filme dele que me deixou bastante desapontado. Intitulado 88 minutos, o filme é um completo equívoco. Roteiro fraco, situações clichês e o pior: um Pacino atuando no piloto automático. Muito longe dos seus dias de glória quando apresentava atuações tão brilhantes que salvavam até mesmo filmes medianos ou com certos problemas de script e argumento. Um desses filmes que foram salvos completamente pelo talento de Pacino foi o (agora) clássico "Scarface", dirigido por Brian De Palma. Uma refilmagem atualizada de "Scarface, a Vergonha de uma Nação", filmado na década de 30 e que acabou sendo o grande precursor dos chamados filmes de Gangsters. Nessa nova versão o então roteirista Oliver Stone mudou completamente o foco do filme, tirando o cenário de uma Chicago empoeirada dos anos de ouro de Capone para uma Flórida ensolarada, atual e cheia de imigrantes provenientes de Cuba.

Entre esses cubanos que saíram da ilha de Fidel Castro está justamente Tony Montana, o personagem de Pacino. Com ficha criminal ele é praticamente banido pelo governo cubano para ir como refugiado aos EUA. Obviamente uma estratégia dos comunistas para expulsar a escória da sociedade cubana, visando justamente transferir o problema para os "irmãos" ianques. Como todo imigrante que chega na América seu grande sonho é aproveitar as oportunidades que a sociedade capitalista lhe oferece para subir na vida rapidamente. Porém como um cubano sem instrução formal e sem formação profissional tudo o que lhe resta é tentar subir no escalão das organizações criminosas, participando do submundo do tráfico de drogas.

Scarface não envelheceu muito. Seu roteiro é bem escrito e com situações bem armadas. Tem boa produção e conta com a sempre inspirada direção de Brian De Palma, aqui prestes a entrar na melhor fase de sua carreira, que iria se prolongar por toda a década de 80 e que culminaria na obra prima "Os Intocáveis", seguramente um dos melhores filmes sobre a era dos grandes gangsters já realizados. No elenco duas presenças de peso: Al Pacino e Michele Pfeiffer. Ele, ainda está esbanjando juventude, recém saído de uma década brilhante de sucessos nos anos 70 e prestes a afundar na pior fase de sua carreira, com o super fracasso "Revolução" e ela, mais bela do que nunca, esbanjando charme e sofisticação.

Embora seja excessivamente longo, pois a estória poderia muito bem ser contada em duas horas, o filme resistiu bem ao tempo e deixou várias referências aos filmes que viriam. Basta assistir "Cassino", por exemplo, de Scorsese para verificar como "Scarface" fez escola (A personagem de Sharon Stone em Cassino é praticamente a mesma de Pfeiffer em Scarface, só mudando levemente de enfoque). Embora para muitos o final de "Scarface" soe hoje demasiadamente exagerado e kitsch, a mais pura verdade é que tudo aquilo que acontece condiz certamente com a personalidade e a trajetória do personagem de Tony. Quem viveu de excessos só poderia encontrar seu final daquela forma. Em suma, se por acaso você gosta do gênero ao estilo "Os Bons Companheiros", "Cassino" ou até mesmo "Os Intocáveis", "Scarface" é mais do que bem recomendado.

Pablo Aluísio.

Autor em Família

Autor em Família
Al Pacino já estava consagrado em razão das obras primas que havia estrelado na década de 1970 quando resolveu embarcar nesse pequeno projeto. O renomado cineasta Arthur Hiller convidou Pacino para participar dessa adaptação de uma peça teatral para o cinema. Praticamente uma narrativa autobiográfica escrita pelo autor Israel Horovitz, o roteiro explorava os anseios, as lutas e angústias de um escritor de peças de teatro que precisa conciliar uma vida familiar praticamente caótica com o seu trabalho. Um dos aspectos mais interessantes é que o filme desenvolvia muito bem a questão da nova estrutura familiar que estava surgindo no começo da década de 1980. Com o aumento de divórcios surgiam famílias mescladas, com filhos de casamentos anteriores, todos convivendo juntos em uma mesma estrutura familiar.

Assim aquele que tentava uma nova vida tinha que aprender também a conviver com os filhos da nova esposa, que geralmente vinha de outro casamento acabado. Uma infinidade de padrastos e madrastas em uma realidade nova dentro da sociedade pois até pouco tempo atrás as pessoas não se divorciavam, preferindo viver em casamento infelizes e destruídos até o fim de suas vidas. Com a aprovação de leis de divórcio em várias partes do mundo (inclusive no Brasil) as pessoas foram atrás de uma nova vida, reconstruindo aquilo que não havia dado certo com outros cônjuges. A proposta seria de realizar um drama com pitadas de humor, no que acertaram em cheio pois o filme até hoje surpreende pelo bom argumento e claro por apresentar mais uma atuação inspirada do mestre Al Pacino, sempre surpreendente.

Autor em Família (Author! Author!, Estados Unidos, 1982) Direção: Arthur Hiller / Roteiro: Israel Horovitz / Elenco: Al Pacino, Dyan Cannon, Tuesday Weld, Bob Dishy, Bob Elliott / Sinopse: As dificuldades de um escritor que também precisa lidar com problemas familiares dos mais diversos. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Al Pacino).

Pablo Aluísio.

domingo, 26 de julho de 2026

Indiana Jones e a Última Cruzada

Considerado por muitos como o melhor filme da série Indiana Jones no cinema. Era para ser a última produção com o personagem, fechando uma trilogia vitoriosa mas Spielberg e Lucas inventaram de realizar um péssimo quarto filme que merece ser esquecido, “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”. Mas deixemos esse fiasco de lado. Agora vamos nos concentrar nesse belo momento de Indiana no cinema. O filme tinha várias inovações sendo a mais celebrada a presença mais do que especial de Sean Connery no elenco. O ator vinha em um momento especial na carreira, estrelando grandes sucessos comerciais, além do reconhecimento da crítica e da Academia que o premiou com o Oscar de Melhor ator coadjuvante pelo excelente “Os Intocáveis”. O convite para fazer parte da série Indiana Jones partiu no jantar de entrega do Globo de Ouro. Spielberg e Lucas compartilharam a mesma mesa que Connery e lá mesmo tiveram a feliz idéia de o tornar o pai de Jones (muito embora Sean Connery não tivesse idade para ser pai de Harrison Ford, uma vez que apenas nove anos separava um do outro).

Isso foi deixado de lado e assim Sean Connery se tornou o professor Henry Jones, pai de Indiana, que agora reencontrava o filho na busca de uma das peças arqueológicas mais cobiçadas da história, o chamado Santo Graal, o cálice usado por Jesus Cristo na última ceia. O artefato estava há muitos séculos desaparecido, sendo a última citação de sua existência escrita como parte da história dos lendários cavaleiros templários, que dominaram Jerusalém durante as cruzadas. Rezava a lenda que aquele que tomasse do cálice ganharia a vida eterna. Como se sabe a mitologia em torno do Graal, das cruzadas e dos cavaleiros templários é extremamente rica o que trouxe um material fantástico para Lucas e os demais roteiristas que de fato fizeram um excelente trabalho. Pontuando tudo ainda havia o complicado relacionamento entre pai e filho (que rendeu ótimas e divertidas cenas). De quebra o filme ainda trazia uma ótima seqüência com o jovem Indiana Jones (interpretado pelo saudoso astro River Phoenix). Revisto hoje em dia o filme não envelheceu, continua tão charmoso como na época de seu lançamento e mostra que aventuras bem escritas resistem muito bem ao tempo, tal como o próprio Santo Graal.

Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, Estados Unidos, 1989) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Jeffrey Boam, George Lucas / Elenco:  Harrison Ford, Sean Connery, Denholm Elliott, River Phoenix / Sinopse: Indiana Jones (Harrison Ford) e seu pai Henry Jones (Sean Connery) partem em busca do chamado Santo Graal, o mitológico cálice sagrado que teria sido usado por Jesus Cristo na última ceia.

Pablo Aluísio.

Contos Assombrosos

Título no Brasil: Contos Assombrosos
Título Original: Amazing Stories
Ano de Produção: 1986
País: Estados Unidos
Estúdio: Amblin Entertainment, Universal Television
Direção: Steven Spielberg, Joshua Brand, John Falsey
Roteiro: Joshua Brand, John Falsey
Elenco: Kevin Costner, Charles Durning, Dom DeLuise, Christopher Lloyd
  
Sinopse:
Fita com três episódios da série "Amazing Stories" entre elas "Pilot" onde Kevin Costner interpretava um piloto da Segunda Guerra Mundial e "Professor B.O. Beanes" onde o ator Christopher Lloyd interpretava um professor sádico que literalmente perdia sua cabeça. Por fim em "The Mummy" um dublê de filmes de terror passava por apuros ao ter que sair rapidamente do set de filmagens para encontrar sua esposa no hospital onde ela estava tendo seu filho. Muita diversão e humor com a marca registrada de Steven Spielberg, em seu auge na carreira.

Comentários:
Vamos voltar um pouquinho aos anos 80? Naquela década não existia internet, nem TV a cabo e nem muito menos o mundo digital que conhecemos hoje em dia. A maioria das séries americanas não passavam na TV aberta brasileira (que era a única que existia). Por isso algumas fitas VHS (lembra delas?) chegavam ao nosso mercado com episódios dessas mesmas séries. Uma delas era especialmente interessante porque era produzida pelo genial Steven Spielberg. Assim por volta de 1986 o selo CIC começou a lançar episódios de "Amazing Stories" com o título de "Contos Assombrosos". Na primeira fita tínhamos 3 deles. No primeiro o astro Kevin Costner interpretava um piloto da força aérea americana que se via numa situação absurda: o trem de pouso de seu avião era destruído pelos inimigos! Sem ter como pousar ele acaba sendo abençoado por uma solução mágica! (só vendo para crer). Outro episódio trazia Christopher Lloyd (o cientista maluco de "De Volta Para O Futuro") em outro conto com muito realismo (nem tanto) fantástico! Eram tempos muito complicados para quem era fã da sétima arte, porém havia também muita alegria em chegar numa locadora e alugar uma série americana que quase ninguém tinha visto. Bons tempos aqueles...

Pablo Aluísio.

sábado, 18 de julho de 2026

Império do Sol

Império do Sol
O filme Império do Sol (Empire of the Sun) foi lançado em 11 de dezembro de 1987, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Christian Bale, John Malkovich, Miranda Richardson, Nigel Havers, Joe Pantoliano e Leslie Phillips. Baseado no romance semiautobiográfico de J. G. Ballard, o filme narra a história de Jim Graham, um garoto britânico pertencente a uma família rica que vive em Xangai durante a Segunda Guerra Mundial. Após a invasão japonesa da cidade em 1941, Jim é separado de seus pais e acaba sobrevivendo sozinho até ser enviado para um campo de prisioneiros. Lá, o menino precisa amadurecer rapidamente para enfrentar a fome, a violência e as incertezas da guerra, formando amizades improváveis e descobrindo a dura realidade da sobrevivência. Enquanto observa o conflito transformar completamente o mundo ao seu redor, Jim mantém viva a esperança de reencontrar sua família. Spielberg constrói uma narrativa épica e profundamente emocional sobre a perda da inocência, o impacto da guerra e a extraordinária capacidade humana de resistir às adversidades.

Quando foi lançado, Império do Sol recebeu uma recepção crítica majoritariamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como "uma realização visual impressionante", elogiando a direção de Steven Spielberg e a maturidade com que abordou um tema tão complexo. O Los Angeles Times destacou a extraordinária atuação do jovem Christian Bale, então com apenas treze anos, afirmando que ele carregava o filme com notável naturalidade e intensidade dramática. A revista Variety classificou a produção como "um épico de rara sensibilidade", ressaltando a fotografia, a direção de arte e a recriação histórica da Xangai ocupada pelos japoneses. Alguns críticos observaram que o ritmo contemplativo da narrativa diferia bastante do estilo mais comercial de Spielberg, mas praticamente todos reconheceram a qualidade artística da obra. A fotografia de Allen Daviau, a trilha sonora de John Williams e a direção cuidadosa de Spielberg receberam elogios quase unânimes. O consenso geral foi de que o diretor havia realizado um de seus trabalhos mais ambiciosos e maduros.

Na temporada de premiações, Império do Sol recebeu seis indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Som, embora não tenha conquistado nenhuma estatueta. O filme também recebeu indicações ao Globo de Ouro, incluindo Melhor Filme – Drama e Melhor Diretor para Steven Spielberg. A atuação de Christian Bale foi amplamente celebrada pela crítica, mesmo sem receber indicação ao Oscar, sendo considerada uma das melhores interpretações infantis da história do cinema. Publicações como The New Yorker elogiaram especialmente a capacidade de Spielberg de equilibrar espetáculo visual e emoção humana. Com o passar dos anos, muitos estudiosos passaram a considerar Império do Sol uma das obras mais subestimadas da filmografia do diretor, destacando sua sofisticação narrativa e sua abordagem sensível da guerra.

Do ponto de vista comercial, Império do Sol obteve um desempenho moderado nas bilheterias. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 35 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 67 milhões em todo o mundo. Embora tenha recuperado seu investimento, o filme ficou abaixo das expectativas comerciais normalmente associadas às produções dirigidas por Spielberg. Muitos analistas atribuíram esse resultado ao tom dramático e contemplativo da narrativa, bastante diferente dos grandes sucessos de aventura que marcaram sua carreira na década de 1980. Ainda assim, o público que assistiu ao filme elogiou sua força emocional, a qualidade técnica e, sobretudo, a impressionante atuação de Christian Bale. Com o tempo, as exibições na televisão, o mercado de vídeo doméstico e as edições em DVD e Blu-ray contribuíram para ampliar significativamente sua audiência e consolidar sua reputação.

Atualmente, Império do Sol é considerado um dos filmes mais importantes e emocionalmente profundos da carreira de Steven Spielberg. Muitos críticos o colocam entre suas melhores obras, ao lado de Schindler's List, Saving Private Ryan e The Color Purple. A interpretação de Christian Bale é amplamente reconhecida como uma das maiores atuações de um jovem ator na história do cinema, antecipando a carreira brilhante que ele desenvolveria nas décadas seguintes. A fotografia, a trilha sonora de John Williams e a reconstituição histórica continuam sendo referências de excelência técnica. Além disso, o filme é frequentemente utilizado em estudos sobre representações da Segunda Guerra Mundial e sobre o amadurecimento infantil em situações extremas. Décadas após seu lançamento, Império do Sol permanece uma obra-prima do cinema dramático e um dos trabalhos mais sofisticados de Steven Spielberg.

Império do Sol (Empire of the Sun, Estados Unidos, 1987) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Tom Stoppard, baseado no romance Empire of the Sun, de J. G. Ballard / Elenco: Christian Bale, John Malkovich, Miranda Richardson, Nigel Havers, Joe Pantoliano e Leslie Phillips / Sinopse: Separado da família durante a ocupação japonesa de Xangai na Segunda Guerra Mundial, um garoto britânico luta para sobreviver em um campo de prisioneiros, onde perde a inocência e aprende duras lições sobre guerra, esperança e sobrevivência.

Erick Steve. 

A Cor Púrpura

A Cor Púrpura 
O filme A Cor Púrpura (The Color Purple) foi lançado em 18 de dezembro de 1985, dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Whoopi Goldberg, Danny Glover, Margaret Avery, Oprah Winfrey, Willard E. Pugh e Akosua Busia. Baseado no romance homônimo vencedor do Prêmio Pulitzer, escrito por Alice Walker, o filme acompanha a vida de Celie, uma jovem afro-americana que cresce no sul dos Estados Unidos durante a primeira metade do século XX. Submetida a anos de abusos físicos e emocionais, ela é separada da irmã Nettie e forçada a viver em um casamento marcado pela violência. Ao longo das décadas, Celie encontra apoio e amizade em mulheres como Shug Avery e Sofia, que a ajudam a descobrir sua própria força, dignidade e independência. A narrativa aborda temas como racismo, machismo, violência doméstica, espiritualidade e superação, compondo um retrato profundamente humano da busca por liberdade e autoestima. O filme representou um marco importante na carreira de Steven Spielberg, que pela primeira vez dirigiu um drama de grande carga emocional sem elementos de aventura ou fantasia.

Quando foi lançado, A Cor Púrpura recebeu uma recepção crítica amplamente positiva, embora também tenha despertado algumas controvérsias. O The New York Times elogiou a sensibilidade de Steven Spielberg ao adaptar um romance considerado complexo e afirmou que o diretor havia realizado "um drama profundamente emocionante e visualmente elegante". O Los Angeles Times destacou a força das interpretações, especialmente a estreia de Whoopi Goldberg no cinema, considerada uma revelação extraordinária. A revista Variety classificou o longa como "uma produção poderosa e emocionalmente devastadora", elogiando a fotografia, a trilha sonora de Quincy Jones e o elenco feminino. Já alguns críticos, entre eles vozes ligadas à comunidade afro-americana, argumentaram que Spielberg suavizou aspectos mais duros do romance de Alice Walker e reduziu algumas de suas dimensões políticas. Ainda assim, o consenso geral foi altamente favorável, reconhecendo o filme como uma das produções mais importantes de 1985.

O reconhecimento artístico foi expressivo. A Cor Púrpura recebeu 11 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz para Whoopi Goldberg, Melhor Atriz Coadjuvante para Margaret Avery e Oprah Winfrey, além de indicações para Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Trilha Sonora e Maquiagem. Entretanto, o filme entrou para a história por não vencer nenhuma das categorias, estabelecendo, na época, o recorde de maior número de indicações sem conquistar uma estatueta. A produção também recebeu diversas indicações ao Globo de Ouro, onde Whoopi Goldberg venceu o prêmio de Melhor Atriz em Drama, consolidando-se como uma das grandes revelações do cinema americano. Publicações como The New Yorker elogiaram especialmente a direção de Spielberg e a intensidade emocional das atuações. Com o passar dos anos, muitos críticos passaram a considerar a ausência de vitórias no Oscar uma das maiores injustiças da história da premiação.

Do ponto de vista comercial, A Cor Púrpura foi um grande sucesso. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 15 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 98 milhões nas bilheterias mundiais, sendo cerca de US$ 94 milhões provenientes do mercado norte-americano. O excelente desempenho demonstrou que dramas de temática social também podiam alcançar grande público. A recepção dos espectadores foi extremamente calorosa, impulsionada pelo forte boca a boca e pelas interpretações marcantes do elenco. O filme permaneceu durante meses em cartaz e tornou-se um sucesso duradouro em VHS, DVD, Blu-ray e televisão. A atuação de Whoopi Goldberg lançou sua carreira cinematográfica, enquanto Oprah Winfrey conquistou reconhecimento internacional como atriz antes de consolidar definitivamente seu império na televisão. O êxito comercial confirmou a capacidade de Spielberg de obter sucesso também fora do cinema de aventura.

Atualmente, A Cor Púrpura é considerado um dos maiores dramas produzidos por Hollywood na década de 1980 e uma das obras mais importantes da filmografia de Steven Spielberg. A interpretação de Whoopi Goldberg é frequentemente lembrada como uma das melhores estreias da história do cinema, enquanto Oprah Winfrey e Margaret Avery também permanecem amplamente elogiadas. O filme continua sendo estudado por sua relevância histórica e social, bem como por sua influência na representação da experiência das mulheres negras no cinema americano. Em 2005, a obra inspirou uma bem-sucedida adaptação para a Broadway, que posteriormente deu origem a uma nova versão cinematográfica em 2023. Quase quatro décadas após sua estreia, A Cor Púrpura permanece uma obra profundamente comovente, cuja mensagem de resistência, esperança e dignidade continua extremamente atual.

A Cor Púrpura (The Color Purple, Estados Unidos, 1985) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Menno Meyjes, baseado no romance The Color Purple, de Alice Walker / Elenco: Whoopi Goldberg, Danny Glover, Margaret Avery, Oprah Winfrey, Willard E. Pugh e Akosua Busia / Sinopse: Uma mulher negra enfrenta décadas de abuso, discriminação e separação familiar no sul dos Estados Unidos, encontrando força na amizade, no amor e na redescoberta de sua própria identidade até conquistar sua liberdade e dignidade.

Erick Steve.