sábado, 5 de setembro de 2026

À Procura do Destino

Título no Brasil: À Procura do Destino
Título Original: Inside Daisy Clover
Ano de Lançamento: 1965
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros. Pictures
Direção: Robert Mulligan
Roteiro: Gavin Lambert
Elenco: Natalie Wood, Christopher Plummer, Robert Redford, Ruth Gordon, Roddy McDowall, Katharine Bard

Sinopse:
Em 1936, Daisy Clover é uma adolescente rebelde que vive com a mãe em condições precárias em uma pequena cidade litorânea. Seu talento como cantora chama a atenção do poderoso produtor cinematográfico Raymond Swan, que a leva para Hollywood e transforma a jovem em uma estrela. Daisy rapidamente se torna uma sensação nacional, mas descobre que o glamour do cinema esconde um mundo de manipulação, exploração e crueldade. Sua vida pessoal também se complica quando se envolve com Wade Lewis, um jovem astro cuja personalidade é tão problemática quanto a própria indústria que os transformou em celebridades. À medida que Daisy perde o controle sobre sua imagem e sua vida, a promessa do sonho hollywoodiano começa a revelar seu lado mais sombrio.

Comentários:
Inside Daisy Clover recebeu uma recepção bastante dividida em seu lançamento e acabou sendo considerado um fracasso tanto de crítica quanto de público. A Variety publicou uma avaliação do filme ainda em dezembro de 1964, enquanto o The New York World-Telegram and The Sun foi bastante crítico, considerando que a sátira de Hollywood não conseguia produzir o efeito cômico pretendido. Décadas depois, a avaliação continuou controversa: a The New Yorker, em textos de Pauline Kael e David Denby, apontou problemas no roteiro, no ritmo e na direção, embora reconhecesse elementos interessantes na produção. A Time Out, por outro lado, observou que aquilo que originalmente parecia excessivamente ambíguo e artificial passou a adquirir certo charme e sutileza com o passar dos anos. Com orçamento estimado em US$ 4,5 milhões, o filme não encontrou seu público nos cinemas e teve desempenho comercial decepcionante. Sua situação foi agravada pelo corte de aproximadamente 21 minutos antes do lançamento, o que, segundo o Turner Classic Movies, contribuiu para que a produção parecesse dividida entre uma sátira de Hollywood e um melodrama. Apesar do fracasso inicial, Inside Daisy Clover recebeu três indicações ao Oscar, incluindo Melhor Atriz Coadjuvante para Ruth Gordon, e Gordon venceu o Globo de Ouro, enquanto Robert Redford recebeu o Globo de Ouro de revelação masculina.

Com o passar das décadas, o filme passou por uma interessante reavaliação. Exibido repetidamente na televisão e posteriormente disponibilizado em vídeo doméstico, acabou conquistando um status cult que não possuía quando chegou aos cinemas. Atualmente, é particularmente valorizado pela interpretação de Natalie Wood, pelo trabalho de Robert Redford em uma fase inicial de sua carreira e pela representação amarga dos mecanismos de fabricação de estrelas da Hollywood clássica. O BFI mantém a obra em seu catálogo, enquanto análises contemporâneas reconhecem que seus excessos e sua estranheza também fazem parte de seu interesse. Hoje, Inside Daisy Clover é visto menos como um grande sucesso de Hollywood e mais como uma obra incomum, sombria e subestimada sobre o preço da fama e a exploração da indústria cinematográfica.

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Situação Crítica Porém Jeitosa

Título no Brasil: Situação Crítica Porém Jeitosa
Título Original: Situation Hopeless -- But Not Serious
Ano de Lançamento: 1965
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Gottfried Reinhardt
Roteiro: Silvia Reinhardt, Jan Lustig
Elenco: Alec Guinness, Mike Connors, Robert Redford, Anita Höfer, Mady Rahl, Paul Dahlke

Sinopse:
Durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial, dois aviadores americanos, o Capitão Hank Wilson e o Sargento Lucky Finder, são abatidos sobre a Alemanha e acabam capturados por Wilhelm Frick, um solitário alemão que os mantém presos no porão de sua casa. Frick, porém, não é um típico carcereiro: trata os prisioneiros com relativa gentileza e, sobretudo, aprecia a companhia deles. O problema é que a guerra chega ao fim, mas Frick decide não contar a verdade aos americanos. Assim, Wilson e Finder permanecem confinados durante anos, acreditando que ainda são prisioneiros de guerra. A situação absurda transforma-se gradualmente em uma comédia de humor negro sobre isolamento, manipulação psicológica e as consequências da guerra. O filme foi baseado no romance The Hiding Place, de Robert Shaw.

Comentários:
Situation Hopeless -- But Not Serious é uma produção bastante peculiar dentro do cinema americano de guerra dos anos 1960, combinando comédia absurda, sátira e elementos de drama psicológico. O filme foi dirigido por Gottfried Reinhardt, filho do célebre diretor teatral Max Reinhardt, e contou com Alec Guinness no papel central de Wilhelm Frick. A presença de Guinness confere ao personagem uma mistura de excentricidade, melancolia e ameaça que impede que a história seja simplesmente uma comédia convencional. Robert Redford, ainda no início de sua carreira cinematográfica, interpreta o Capitão Hank Wilson, em uma de suas primeiras participações importantes no cinema. A Variety e outros veículos especializados receberam o filme de maneira relativamente discreta, enquanto a produção permaneceu muito menos conhecida do que outras comédias de guerra da década. Atualmente, a ausência de avaliações críticas agregadas no Rotten Tomatoes demonstra também como o longa permaneceu fora do circuito de reavaliações críticas mais amplo.

Do ponto de vista comercial, o filme não se transformou em um grande sucesso. Registros históricos de bilheteria o colocam apenas na parte inferior do ranking dos lançamentos americanos de 1965, com desempenho bastante modesto em comparação com os principais sucessos daquele ano. O interesse contemporâneo pela obra está menos relacionado à sua carreira comercial e mais ao seu elenco e à natureza incomum de sua história. Situation Hopeless -- But Not Serious também possui importância retrospectiva por representar uma das primeiras aparições cinematográficas de Robert Redford, antes de sua transformação em um dos maiores astros de Hollywood nas décadas seguintes. A crítica e o público atuais tendem a considerá-lo uma produção irregular, mas curiosa, especialmente para admiradores de Alec Guinness e Redford. No IMDb, o filme apresenta atualmente nota de aproximadamente 5,9/10, enquanto avaliações de espectadores destacam justamente seu caráter estranho e satírico. Seu legado permanece, portanto, principalmente como uma pequena e esquecida comédia de guerra dos anos 1960, recuperada ocasionalmente por cinéfilos interessados nos primeiros trabalhos de Robert Redford e na filmografia menos conhecida de Alec Guinness.

Erick Steve. 

Obsessão de Matar

Título no Brasil: Obsessão de Matar
Título Original: War Hunt
Ano de Lançamento: 1962
País: Estados Unidos
Estúdio: T-D Enterprises
Direção: Denis Sanders
Roteiro: Stanford Whitmore
Elenco: John Saxon, Robert Redford, Charles Aidman, Sydney Pollack, Gavin MacLeod, Tommy Matsuda

Sinopse:
Ambientado nos últimos dias da Guerra da Coreia, o filme acompanha o soldado Roy Loomis, um jovem idealista enviado para a linha de frente. Integrado a uma companhia de infantaria, Loomis conhece o soldado Raymond Endore, um combatente perturbador que realiza missões noturnas por conta própria e desenvolveu um comportamento extremamente violento. Enquanto Loomis tenta compreender a brutalidade da guerra, Endore parece cada vez mais fascinado pelo ato de matar. A chegada do armistício coloca os dois personagens diante das consequências psicológicas e morais da experiência de combate. O filme utiliza essa relação para questionar os limites entre disciplina militar, violência e desumanização provocada pela guerra.

Comentários:
War Hunt recebeu uma recepção crítica bastante positiva em seu lançamento, especialmente por tratar a guerra de maneira sombria e pouco convencional. Bosley Crowther, do The New York Times, destacou o filme como uma obra de guerra original e perturbadora, elogiando particularmente sua abordagem humana e anti-heroica. A revista The New Yorker, em crítica de Whitney Balliett, foi igualmente entusiasmada, classificando-o como uma realização especial e ressaltando sua sutileza, seu tom comovente e sua recusa em transformar a guerra em propaganda ou melodrama. A Variety também registrou críticas geralmente favoráveis. O reconhecimento crítico foi reforçado quando o National Board of Review incluiu War Hunt entre os dez melhores filmes em língua inglesa de 1962. No Festival Internacional de Locarno, o longa recebeu o Golden Sail, e posteriormente chegou a ser finalista ao United Nations Award.

Apesar da boa recepção artística, War Hunt não foi um grande sucesso comercial. Produzido em apenas 15 dias e com orçamento extremamente reduzido, estimado entre US$ 250 mil e US$ 275 mil, o filme acabou sendo considerado um fracasso financeiro, embora tenha ajudado a aumentar a procura pelo trabalho do diretor Denis Sanders. Sua importância histórica, entretanto, acabou sendo maior do que seu desempenho nas bilheterias. O filme marcou a estreia cinematográfica de Robert Redford, além das primeiras aparições de Sydney Pollack e Tom Skerritt, e foi particularmente importante para o futuro relacionamento profissional entre Redford e Pollack. Atualmente, War Hunt é visto como uma pequena e subestimada obra do cinema de guerra americano dos anos 1960, valorizada por sua atmosfera realista, seu estudo psicológico da violência e por antecipar a carreira de importantes nomes de Hollywood.

Erick Steve.